Jovem do sertão chama atenção por trajetória acadêmica marcada por autodidatismo e aprovações internacionais.
Aos 20 anos, a paraibana Alice dos Santos Araújo Lourenço, nascida em Nova Olinda, no sertão da Paraíba, transformou uma rotina de estudos em casa e na escola pública em passaporte para o exterior.
Entre 2023 e 2024, ela foi aprovada em sete universidades norte-americanas depois de aprender inglês por conta própria, usando apenas materiais gratuitos na internet.
Hoje, a estudante se prepara para cursar Ciência da Computação e Educação na University of North Carolina at Chapel Hill (UNC-Chapel Hill), com bolsa integral.
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Do sertão da Paraíba às candidaturas internacionais
Natural de Nova Olinda, município com pouco mais de 6 mil habitantes no Vale do Piancó, Alice estudou em escolas públicas e concluiu o Ensino Médio Técnico em Informática no Instituto Federal da Paraíba (IFPB) – Campus Itaporanga.
Foi na instituição que ela teve o primeiro contato sistemático com tecnologia e pesquisa, por meio de projetos de extensão, iniciação científica e aulas de programação, o que despertou o interesse por carreira acadêmica e pela possibilidade de estudar fora.
Ainda no ensino médio, a jovem passou a acompanhar relatos de outros brasileiros aprovados em universidades estrangeiras.
Ela descobriu, em atividades extracurriculares de ciências, que estudantes do país conseguiam bolsas em instituições norte-americanas.
A partir dessas referências, começou a pesquisar o processo seletivo dos EUA, que envolve histórico escolar, testes padronizados, cartas de recomendação, atividades extracurriculares e domínio do inglês.
Inglês aprendido sozinha com materiais gratuitos

Sem condições financeiras para pagar cursos de idiomas, intercâmbios ou professores particulares, Alice montou a própria rotina de estudos.
Ela recorreu a vídeos no YouTube, aplicativos gratuitos, podcasts, sites de notícias em inglês, simulados e dicionários digitais, construindo um método baseado em prática diária e repetição.
Segundo a estudante, o inglês se tornou “a chave” para aproximar o sonho do exterior da realidade.
A rotina incluía horas de leitura e escuta em inglês.
Havia ainda exercícios de gramática e produção de textos.
Em entrevistas, ela conta que produzia resumos, revisava o próprio desempenho em planilhas e refazia questões até entender completamente o conteúdo.
Em paralelo, participava de atividades acadêmicas e de projetos ligados à tecnologia no IFPB, o que ajudou a fortalecer o currículo exigido pelas universidades.
Organização e preparação para os processos seletivos dos EUA
Conforme se aprofundava na pesquisa sobre candidaturas, Alice estruturou um plano de estudos específico para os exames e documentos pedidos pelas instituições estrangeiras.
A preparação incluiu provas de proficiência em inglês, redações no formato exigido pelas universidades e organização detalhada de prazos e requisitos.
Depois de concluir o ensino médio, a jovem tirou um ano sabático para se dedicar integralmente às candidaturas.
Nesse período, contou com apoio de programas de mentoria gratuitos, como a Academia Latino-Americana de Liderança (LALA), que a orientaram sobre estratégia de aplicação, elaboração de essays, seleção de atividades relevantes e montagem do dossiê acadêmico.

Aprovações e definição pela Carolina do Norte
O esforço resultou, em 2023, nas primeiras cartas de aceite.
As aprovações vieram da University of Colorado at Boulder, Stockton University, University of British Columbia (no Canadá) e University of Wisconsin–Madison.
Em 2024, vieram mais três aprovações, incluindo a University of Connecticut e a University of North Carolina at Chapel Hill.
No total, foram sete universidades norte-americanas.
Com as opções em mãos, Alice decidiu pela UNC-Chapel Hill, instituição pública de pesquisa localizada no chamado Research Triangle, área conhecida pela concentração de universidades e empresas de tecnologia na Carolina do Norte.
A universidade oferece a combinação de cursos que a jovem deseja seguir, unindo Tecnologia e Educação, e mantém programas voltados a serviço comunitário.
Bolsa integral e apoio de fundação brasileira
Além da aprovação acadêmica, a estudante precisava garantir recursos para se manter no exterior.
Após receber as cartas das universidades, ela se candidatou ao programa de bolsas da Fundação Behring, organização brasileira que apoia jovens em trajetórias acadêmicas ligadas à tecnologia e impacto social.
A seleção rendeu uma bolsa integral que cobre mensalidades, moradia, alimentação e demais custos da graduação nos Estados Unidos.
Com o financiamento definido, a viagem foi planejada para o início do semestre letivo.
A rotina da jovem passou a incluir preparação para a mudança, ajustes burocráticos e divulgação de sua história em escolas e eventos educacionais.
Em depoimentos recentes, Alice afirma que pretende aproveitar a formação no exterior e, no futuro, retornar ao Brasil para atuar em iniciativas que ampliem o acesso de meninas e estudantes de baixa renda às áreas de ciência e tecnologia.
Inclusão digital e impactos para estudantes do sertão
A trajetória de Alice ganhou repercussão por representar estudantes de regiões com menor oferta de oportunidades educacionais estruturadas.
O sertão da Paraíba ainda registra desigualdades no acesso à internet, especialmente nas zonas rurais.
Segundo educadores da região, casos como o dela ilustram o papel da inclusão digital como ferramenta de mobilidade educacional.
Para gestores e pesquisadores da área de educação, a experiência evidencia o potencial de estudantes de escolas públicas quando há acesso a conteúdos de qualidade, orientação mínima e infraestrutura de conexão.
Eles afirmam ainda que trajetórias de alto desempenho dependem do esforço individual e de redes de apoio formadas por professores, familiares e programas de mentoria.
Crescimento de brasileiros em seleções universitárias dos EUA
Relatos de organizações ligadas à educação internacional apontam aumento no número de brasileiros tentando vagas em universidades norte-americanas.
Esse movimento ocorre sobretudo entre egressos de escolas públicas que utilizam plataformas abertas, simulados online e programas de preparação para bolsas no exterior.
Iniciativas voltadas à orientação de estudantes de baixa renda têm se multiplicado nos últimos anos.
O foco dessas ações é esclarecer etapas de candidatura, ampliar o domínio do inglês e diversificar o perfil de candidatos.
Nesse contexto, histórias como a de Alice são frequentemente citadas por especialistas em educação internacional como exemplos que ampliam a visibilidade de estudantes do interior e reforçam debates sobre políticas públicas de acesso à internet, equipamentos e suporte pedagógico.


Fico feliz em saber que jovens autodidatas sem recursos, da Paraiba e em outras regiões tem conquistado um lugar ao sol, nas Universidades americanas. Eu aqui aos 66 anos também estou estudando inglês nessa perspectiva, de viver de pesquisa numa Universidade americana, e ganhando em dólares, e fazer o meu sonhado PHD. Nunca é tarde para realizar nossos sonhos. Com fé em Deus, e esforços também chegarei lá.
Conhecimento é poder, é muitos jovens ainda não se derem conta de que as redes sociais tem muito conteúdo de conhecimento gratuito.
Que menina incrível, uma força de vontade/dedicação assim é 1 em 1 milhão