JBS vê chance de o Brasil entrar em novos mercados em meio às tarifas de Trump. A JBS vê chance de o Brasil entrar em novos mercados diante das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos, que devem reorganizar o comércio global de proteína animal.
A sobretaxa de 50% aplicada pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros mexeu com a indústria de carnes, mas também abriu brechas para novas oportunidades. Segundo Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, a mudança pode levar o Brasil a ocupar espaços deixados por outros países no comércio internacional. A avaliação foi feita durante conferência da Fiesp, em São Paulo, que discutiu os efeitos das tarifas sobre as relações bilaterais.
Para o executivo, ainda que o impacto inicial seja negativo, a medida pode estimular uma reconfiguração das rotas comerciais, criando espaço para o Brasil ampliar exportações em mercados alternativos e consolidar sua posição como maior processadora de carnes do mundo.
O impacto direto das tarifas dos EUA
De acordo com Tomazoni, o comércio entre Brasil e Estados Unidos movimentou 200 mil toneladas de carnes apenas no primeiro semestre deste ano. Com a manutenção das tarifas, esse volume tende a cair drasticamente. Para equilibrar a demanda interna, os americanos deverão redirecionar parte da produção para o consumo doméstico ou buscar fornecedores alternativos, como a Austrália.
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Nesse cenário, o Brasil pode assumir a dianteira em mercados secundários que ficarão descobertos. A lógica, segundo o CEO da JBS, é a dos “vasos comunicantes”: quando um mercado se fecha, abre espaço em outros. Esse reposicionamento pode fortalecer a indústria brasileira de proteína animal, ampliando sua relevância no comércio global.
Estratégia da JBS diante da crise
A JBS, listada em bolsas no Brasil e nos Estados Unidos, aposta na diversificação como principal escudo contra crises. A companhia atua em diferentes geografias e proteínas, o que lhe permite adaptar fluxos de produção conforme as oscilações políticas e comerciais.
Tomazoni destacou que a abertura de capital nos EUA deve reforçar o valor da empresa e aproximar investidores internacionais. “Não construímos a plataforma para esse cenário de tarifas, mas ela serve para proteger o negócio e manter o crescimento mesmo em tempos de instabilidade”, afirmou.
Visão do governo brasileiro
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que a diversificação de mercados tem sido fundamental para proteger a economia. Segundo ele, essa política contribuiu para preservar reservas cambiais e funcionou como “colchão de estabilidade” em momentos de crise.
Já o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu que o Brasil lidere uma “refundação” da Organização Mundial do Comércio (OMC), diante da incapacidade do órgão de resolver disputas. O governo Lula, inclusive, acionou formalmente os Estados Unidos na OMC em resposta às tarifas de Trump. Embora a ação tenha efeito prático limitado, foi considerada um gesto simbólico importante na defesa do sistema multilateral.
A JBS vê chance de o Brasil entrar em novos mercados mesmo diante de um cenário adverso imposto pelas tarifas americanas. Para a empresa, a reconfiguração do comércio internacional pode abrir portas estratégicas que reforcem a posição brasileira na cadeia global de proteína animal.
Você acredita que o Brasil conseguirá transformar essa crise em oportunidade? Quais mercados poderiam ser mais vantajosos para a carne brasileira? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir quem acompanha esse setor de perto.

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