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Japão espalhou 5.700 km de cabos no fundo do mar, transformou fibras em sensores gigantes e agora consegue detectar terremotos antes das ondas mais fortes

Publicado em 23/03/2026 às 13:15
Atualizado em 27/03/2026 às 23:49
Assista o vídeoCabos submarinos, Terremotos
Imagem: Ilustração artística
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Rede com 5.700 quilômetros de cabos no Japão transforma fibras ópticas em sensores sísmicos e reforça alertas contra terremotos e tsunamis no oceano

Pesquisadores no Japão passaram a usar cabos submarinos como sensores para detectar terremotos e tsunamis, aproveitando infraestrutura instalada para captar vibrações e ampliar alertas à população em geral.

Como os cabos viraram sensores

A técnica é chamada Distributed Acoustic Sensing, ou DAS. O método envia pulsos de laser pelas fibras ópticas. Quando uma vibração deforma a fibra, parte da luz retorna por retrodispersão de Rayleigh.

Com a leitura dessas reflexões, os cientistas transformam um único cabo em milhares de sismômetros virtuais distribuídos ao longo da estrutura.

Isso permite localizar tremores e medir sua intensidade com resolução de poucos metros.

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Por que o Japão aposta nesse sistema

O Japão está em uma das regiões tectonicamente mais ativas do planeta. A placa do Pacífico desliza sob a placa da Eurásia. A Fossa de Nankai concentra megaterremotos e tsunamis devastadores, incluindo o de 2011.

Desde 2022, o país investiu em uma rede submarina de monitoramento com cerca de 5.700 quilômetros de cabos no fundo do mar. A estrutura conecta 150 estações com sismômetros e medidores de pressão.

Essa infraestrutura permite acompanhar em tempo real a atividade sísmica e melhora as condições para alertas de tsunamis.

Diferença para métodos tradicionais

Os sismômetros convencionais funcionam de forma pontual, instalados em locais específicos. Já o DAS cria uma malha contínua de sensores ao longo dos cabos, usando a mesma infraestrutura.

No modelo tradicional, o custo de instalação é alto para cada unidade. No sistema com cabos, a cobertura se distribui por quilômetros, com resolução métrica e aplicação adequada para profundidades oceânicas.

Essa diferença reduz uma limitação do monitoramento submarino. Em vez de poucos pontos isolados, a leitura passa a ocorrer de forma contínua, cobrindo regiões remotas sem acompanhamento em tempo real.

Uso prático nos alertas

Instituições como a JAMSTEC e o Instituto de Prevenção de Desastres do Japão integram os dados dos cabos aos sistemas nacionais de alerta. A rede cobre áreas como a Fossa de Nankai, centrais para o risco de tsunamis.

Nesse sistema, a detecção precoce das ondas primárias, as P-waves, pode antecipar a chegada de um tsunami em até 20 minutos. Isso amplia o intervalo disponível para avisos à população e medidas emergenciais.

Após a tragédia de 2011, a melhoria dos sistemas de alerta incluiu a construção dessa rede submarina. Hoje, ela permite evacuação imediata de áreas costeiras e paralisação de trens e rodovias quando um tremor é detectado.

Cabos sumarinos: resultados já observados

Testes internacionais com cabos submarinos mostraram resultados expressivos. Em um cabo do Google com 10 mil quilômetros no Pacífico, foram detectados mais de 20 terremotos com magnitude superior a 5 e 30 tempestades.

No Japão, a rede N-net mostrou capacidade de identificar tremores com rapidez suficiente para emitir alertas cerca de 20 segundos antes da chegada das ondas mais fortes a certas localidades.

Os benefícios não ficam restritos à sismologia. A mesma infraestrutura pode monitorar correntes marinhas, ruídos de navios e a passagem de baleias, ampliando o conhecimento sobre o oceano.

Complemento aos sismômetros

Mesmo com os avanços, o DAS não substitui totalmente os sismômetros convencionais. Em terra, os instrumentos tradicionais continuam essenciais.

No oceano, porém, os cabos submarinos preenchem uma lacuna no monitoramento contínuo e detalhado.

A combinação de cabos submarinos, bóias, satélites e sismômetros terrestres forma um sistema de alerta precoce robusto.

No Japão, essa integração salvou vidas durante os tremores de 2025 e 2026, com resposta mais ráipda.

A experiência japonesa mostra como a infraestrutura de telecomunicações ganha nova função no monitoramento de terremotos e tsunamis.

Ao unir tecnolgoia diferentes, o país fortalece sua capacidade de prevenção diante de riscos permanentes no mar.

Com informações de BMC News.

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Prett
Prett
24/03/2026 18:52

5.7 km wow! Such a long distance

Romário Pereira de Carvalho

Já publiquei milhares de matérias em portais reconhecidos, sempre com foco em conteúdo informativo, direto e com valor para o leitor. Fique à vontade para enviar sugestões ou perguntas

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