Interiorização da economia reduz concentração na Região Metropolitana de Salvador e amplia a participação de polos regionais no PIB e no emprego industrial
Uma transformação produtiva de grande impacto regional foi apontada recentemente pelo Observatório da Indústria da FIEB, atraindo atenção para o avanço econômico do interior da Bahia. O estudo Desconcentração Produtiva e Interiorização mostrou que a atividade econômica baiana passou a se espalhar com mais força para fora da Região Metropolitana de Salvador. A mudança reduz a centralização histórica da economia na capital e reorganiza o peso de regiões ligadas ao agronegócio, à logística, à construção civil, à mineração, às energias renováveis e à atração de novas indústrias. Esse movimento demonstra que o interior passou a ocupar papel cada vez mais decisivo na estrutura produtiva do estado.
Interiorização produtiva muda o peso econômico da Bahia
A Região Metropolitana de Salvador ainda concentra parte importante da indústria baiana e, por isso, segue relevante na economia estadual. Entretanto, sua participação no Produto Interno Bruto caiu de 48,3% em 2009 para 39,4% em 2021, segundo o levantamento da FIEB. Essa queda revela uma mudança estrutural, pois regiões do interior passaram a crescer acima da média estadual. Além disso, esse avanço reorganiza a distribuição produtiva da Bahia e fortalece novos centros econômicos fora da capital.
Oeste da Bahia e Portal do Sertão lideram avanço regional
Nesse novo cenário, a Bacia do Rio Grande, no Oeste da Bahia, e o Portal do Sertão, na região de Feira de Santana, ganharam protagonismo. Segundo Danilo Peres, economista do Observatório da Indústria e responsável pelo estudo, essas duas regiões ampliaram juntas sua participação no PIB baiano em 6,1 pontos percentuais. Enquanto isso, os outros 16 territórios de identidade dividiram crescimento equivalente a 4,4 pontos percentuais. Esse resultado evidencia a força desses polos na nova dinâmica econômica estadual.
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Agronegócio impulsiona a força industrial do Oeste
O Oeste da Bahia se consolidou como uma das principais fronteiras agroindustriais do país, sustentado pela expansão da soja, do milho e do algodão. Municípios como Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e São Desidério passaram a atrair investimentos ligados ao processamento agrícola, à armazenagem, à logística e à geração de energia. Assim, a produção rural deixou de movimentar apenas o campo e passou a fortalecer também a estrutura industrial regional. Esse avanço reforça o papel estratégico do Oeste na economia baiana.
Feira de Santana amplia força logística e industrial
Enquanto isso, Feira de Santana fortaleceu sua posição como principal entroncamento rodoviário da Bahia, o que ampliou sua capacidade de atrair empresas. Grandes indústrias como Nestlé, PepsiCo, Pirelli, Belgo Bekaert e Vipal reforçam a presença produtiva na região. Além disso, a diversificação industrial e a localização privilegiada impulsionaram o emprego e a atividade econômica no Portal do Sertão. Com relação aos empregos, a indústria de transformação representa 73,1% do total industrial da região.
Vitória da Conquista cresce como polo produtivo no sudoeste
Além desses polos, Vitória da Conquista também passou a ocupar posição de destaque no sudoeste baiano. Entre 2006 e 2024, o município praticamente triplicou o número de empregos industriais, consolidando-se como centro regional de comércio, serviços e produção industrial. Esse crescimento foi acompanhado pela expansão da construção civil, da indústria alimentícia, do setor de confecções e da produção de móveis. Ao mesmo tempo, a forte expansão populacional ajudou a sustentar esse novo ciclo econômico.
Competitividade regional exige políticas públicas direcionadas
Apesar do avanço do interior, Danilo Peres avalia que a desconcentração industrial não deve ocorrer por meio de penalizações à Região Metropolitana de Salvador. Pelo contrário, o processo precisa ser sustentado por políticas públicas capazes de fortalecer a competitividade dos territórios do interior. Isso inclui investimentos em infraestrutura física, educação técnica, inovação tecnológica, crédito produtivo e incentivos fiscais regionalizados. Assim, cada região pode crescer respeitando suas vocações, seus limites e suas condições produtivas.
O futuro da indústria baiana no interior
Atualmente, o avanço do interior mostra que a economia baiana passa por uma reorganização profunda. O crescimento do Oeste, do Portal do Sertão e de Vitória da Conquista indica que novos centros produtivos ganharam força fora da capital. Enquanto isso, a interiorização industrial cria oportunidades, amplia empregos e reduz a dependência histórica da Região Metropolitana de Salvador.
O que pode definir o próximo ciclo da Bahia: mais infraestrutura para o interior ou uma nova estratégia industrial para integrar todas as regiões do estado?

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