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INPO lança projeto para desenvolver tecnologias oceânicas e acelerar a transição energética

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 07/12/2025 às 20:22
Centro do INPO impulsiona tecnologias offshore e transforma água do mar em energia renovável, ampliando o potencial do Brasil.
Foto: IA
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Centro do INPO impulsiona tecnologias offshore e transforma água do mar em energia renovável, ampliando o potencial do Brasil.

O Brasil deu um passo estratégico na produção de energia renovável ao anunciar, por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), a criação do Centro Temático de Energia Renovável no Oceano – Energia Azul.

A iniciativa, que será implementada nos próximos meses, nasce após o instituto vencer um edital da Finep de aproximadamente R$ 15 milhões.

O projeto será sediado em instalações de pesquisa no país e tem como missão desenvolver tecnologias capazes de gerar energia sustentável a partir da água do mar e do ambiente offshore, impulsionando setores que buscam reduzir emissões e ampliar sua eficiência energética.

O objetivo é aplicar, ainda nesta fase inicial, quatro soluções inovadoras: conversão de energia das ondas, uso de correntes de maré, aproveitamento do gradiente térmico oceânico (OTEC) e produção de hidrogênio verde.

Todas serão direcionadas à produção de energia renovável em alto-mar e poderão atender indústrias que enfrentam grandes desafios na descarbonização.

Energia renovável offshore pode reduzir emissões em setores de difícil abatimento

Segundo o INPO, a expectativa é que as novas tecnologias diminuam emissões em áreas como petróleo e gás, siderurgia, fertilizantes, transporte e cimento.

Hoje, muitas plataformas utilizam turbinas movidas a gás natural; com o avanço das energias oceânicas, parte dessa geração poderá migrar para fontes limpas produzidas diretamente no mar.

O diretor-geral do instituto, Segen Estefen, destaca o caráter estratégico do projeto:
“A disponibilidade de recursos renováveis no oceano e a experiência brasileira em atividades offshore são diferenciais importantes. Podemos transformar o oceano em um aliado estratégico na transição energética, produzindo eletricidade, hidrogênio e água dessalinizada de forma sustentável”, afirma.

Formação de especialistas e bolsas de pesquisa fortalecem o setor

Do total investido, R$ 4,3 milhões serão destinados a bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado. As pesquisas ocorrerão em parceria com quatro instituições: UFRJ, UFPA, UFPE e FGV.

A intenção é expandir o conhecimento científico e multiplicar o número de profissionais especializados em energia renovável oceânica.

Além da formação de talentos, o INPO trabalha em uma frente experimental que simula a geração de hidrogênio verde a partir de eletrólise com água do mar dessalinizada.

Esse processo transforma energia elétrica em energia química e busca solucionar a intermitência típica da energia eólica offshore, garantindo mais estabilidade ao sistema elétrico.

Potencial brasileiro: 250 GW em projetos eólicos offshore aguardam licenciamento

Atualmente, cerca de 250 gigawatts em projetos de eólica offshore estão em análise no Ibama.

Caso apenas 20% desse volume seja implementado, o Brasil poderá adicionar 50 gigawatts à matriz elétrica — quase um quarto da capacidade instalada atual.

Entre as tecnologias que serão desenvolvidas no novo centro está uma turbina capaz de aproveitar correntes de maré tanto no oceano quanto em rios de fluxo contínuo.

Estefen explica a vantagem:
“Mesmo turbinas de pequeno porte podem alcançar alta capacidade instalada. Isso permite levar energia limpa e contínua a comunidades isoladas, solucionando um problema histórico de acesso à eletricidade”, diz o diretor.

Equipamentos inovadores prometem transformar o uso da água do mar em energia

O projeto contempla quatro equipamentos principais:

conversor de ondas;

sistema OTEC baseado no ciclo de Rankine com amônia;

módulo de produção de hidrogênio verde offshore;

turbina para correntes de maré.

Cada tecnologia será projetada, construída e testada em laboratório e em ambiente operacional até alcançar o estágio de projeto-piloto, apto para instalação no mar.

Estefen afirma que o Centro de Energia Azul será crucial para amadurecer as soluções:
“As energias renováveis offshore encontram-se atualmente em fase pré-comercial, o que exige avanços nos níveis de maturidade tecnológica (TRL). O Centro de Energia atuará justamente nesse estágio intermediário, viabilizando a prova de conceito e o detalhamento de projetos para aplicação em escala real.”

Energia azul: um novo horizonte sustentável para o Brasil

Ao final do programa, cada tecnologia terá seu próprio projeto-piloto pronto para instalação no oceano, o que permitirá ao Brasil avançar em direção a um novo modelo de energia renovável baseado no aproveitamento sustentável da água do mar.

A iniciativa fortalece a posição do país como referência global em soluções offshore e amplia o protagonismo do INPO no desenvolvimento de tecnologias limpas.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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