Início INMETRO começa a produzir óxido de grafeno a partir de biomassa. Nanomaterial será fabricado de modo sustentável e vai ajudar os setores da indústria e construção civil a produzir materiais mais resistentes

INMETRO começa a produzir óxido de grafeno a partir de biomassa. Nanomaterial será fabricado de modo sustentável e vai ajudar os setores da indústria e construção civil a produzir materiais mais resistentes

27 de julho de 2022 às 15:04
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Novo nanomaterial vai ser usada na indústria e construção civil | Foto: Canva Pro

Produção está sendo realizada em parceria com a Universidade Federal Juiz de Fora

Existe uma corrida mundial em busca de novos produtos mais sustentáveis e resistentes para a indústria e construção civil. Um dos produtos que tem ganhado destaque é a biomassa, em meio a isso tudo. Agora o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) investiu em um novo projeto para produzir um nanomaterial de grafeno a partir de biomassa da madeira.

A nova produção está vinculada a uma parceria entre o órgão e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O projeto tem o título “Uso de fontes renováveis para fabricação de óxido de grafeno e aplicação em nanocompósitos poliméricos”. Essa parceria vai viabilizar a produção de óxido de grafeno sem o uso de solventes tóxicos e agressivos, fazendo o reaproveitamento da biomassa oriunda da madeira e papel. Entenda mais sobre essa inovação na matéria de hoje.

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O Grafeno é um material que pode trazer mais resistência aos equipamentos | Reprodução – YouTube: TecMundo

Finep vai investir R$1,9 milhões para a pesquisa sobre grafeno a partir da biomassa, que promete resultados muito interessantes para a sociedade

O presidente do INMETRO afirmou que esse bioproduto é de interesse importante para a sociedade, pois poderá ser aplicado em uma série de materiais e equipamentos, além das construções. É um projeto tão relevante, que a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) alocou um total de R$1,9 milhões para investimento nas pesquisas.

Dessa forma, o INMETRO via se responsabilizar pela caracterização e aplicação do grafeno em compostos poliméricos, usados para confecção de equipamentos. A UFJF, por sua vez, vai contribuir para a pesquisa por meio de estudos físico-químicos dos materiais resultantes do processo.

Segundo os responsáveis pela pesquisa, esse novo nanomaterial de grafeno vai trazer resultados promissores para a sociedade. Afinal, ele promete compor materiais mais resistentes e sem usar combustíveis fósseis, sendo mais sustentável.

Todavia, segundo o coordenador do projeto pela UFJF, Benjamin Fragneaud, o projeto vai permitir que o produto gerado tenha alta competitividade no mercado, devido à qualidade similar dos materiais que já são comercializados atualmente. Ou seja, os benefícios são inúmeros.

As aplicações do grafeno sustentável são muitas e envolvem a confecção de materiais mais resistentes para a indústria e construção civil

A produção de biografeno é muito interessante para o cenário nacional, tendo em vista a grande quantidade de subprodutos que podem ser reaproveitados para produzi-lo. Afinal, dentro desse projeto, a proposta é usar a lignina, composto presente no papel e em madeira residual para produção do nanomaterial.

“Existe sempre uma barreira entre desenvolvimento científico e aplicação industrial de materiais. Isso envolve produção em larga escala e controle de qualidade a longo prazo. Este projeto pretende transpor esta barreira”

Indhira Oliveira Maciel, pesquisadora e integrante do estudo (2022)

Ademais, a produção desse material sustentável vai trazer novo estímulo às empresas nacionais produtoras de materiais para indústria e construção civil. Isso porque a responsabilidade ambiental nas empresas é cada vez mais exigida pelos consumidores.

Essa parceria entre o INMETRO e a UFJF é muito importante porque une conhecimentos distintos de pesquisadores em prol de uma causa. O coordenador do projeto explica que o grafeno tem múltiplas aplicações.

“Aqui na Universidade, esse nanomaterial é utilizado em dispositivos eletrônicos e sensores de gás. As aplicações ao nível geral, no entanto, têm alcance muito maior; é possível utilizá-lo em, basicamente, todo produto que conta com revestimento em plástico, por exemplo. O problema é que, em escala industrial, a produção do óxido de grafeno é extremamente ‘’suja’’, utiliza ácidos agressivos. Então, por que não consolidar uma alternativa verde?”

Benjamin Fragneaud, coordenador do projeto na UFJF (2022)

O projeto tem grande destaque também porque adota os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Ou seja, está sendo desenvolvido voltado para inovação na indústria e consumo de produção responsáveis.

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