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Inglaterra restaura figura gigante feita de giz em Dorset e reacende debate sobre origem saxã, Hércules e um mistério medieval curioso

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 01/06/2026 às 12:08
Atualizado em 01/06/2026 às 12:12
Vista aérea de colina verde com geoglifo branco inspirado no Gigante de Cerne Abbas, em Dorset, durante restauração simbólica.
Imagem ilustrativa mostra um geoglifo branco em uma encosta verde, remetendo ao Gigante de Cerne Abbas restaurado na Inglaterra.
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Geoglifo histórico de 55 metros recebe nova camada de giz branco, mobiliza voluntários e volta a intrigar arqueólogos sobre sua origem medieval

Um dos geoglifos mais famosos da Inglaterra voltou ao centro das atenções durante uma nova etapa de preservação em Dorset, no sul do país.

O Gigante de Cerne Abbas, figura monumental escavada em uma encosta, recebe uma nova camada de carbonato de cálcio para recuperar o contraste branco que marcou sua presença na paisagem ao longo dos séculos.

Com cerca de 55 metros de altura, o monumento representa uma figura humana segurando um grande porrete acima da cabeça. A imagem foi formada por sulcos abertos no terreno e preenchidos com giz branco.

Segundo o National Trust, instituição responsável pela preservação do local desde 1920, a restauração atual utiliza aproximadamente 19 toneladas de giz e envolve cerca de 300 voluntários e funcionários durante duas semanas de trabalho.

Restauração recupera o contraste branco do geoglifo

A manutenção do Gigante de Cerne Abbas costuma ser realizada aproximadamente a cada dez anos, de acordo com o National Trust.

O processo preserva a visibilidade da figura na encosta e mantém ativo um método tradicional usado por gerações.

As equipes removem o material antigo das trincheiras, misturam o novo giz com água e compactam a pasta manualmente nos sulcos da colina.

Segundo Luke Dawson, guarda-chefe do National Trust, a técnica permanece quase igual há décadas. O trabalho exige cuidado, força física e precisão em uma área bastante íngreme.

A última grande restauração ocorreu em 2019. Poucos dias depois, fortes chuvas de outono removeram parte do revestimento recém-aplicado.

Desta vez, a equipe escolheu o início do verão europeu para tentar garantir um resultado mais duradouro.

Algas e chuvas recentes ameaçam a aparência do monumento

O contorno branco do gigante voltou a perder intensidade nos últimos anos.

O National Trust identificou dois problemas principais: o impacto das chuvas fortes e o crescimento de algas sobre o giz branco.

Segundo Dawson informou ao The Guardian, condições mais quentes e úmidas podem favorecer esse avanço. Invernos mais amenos e verões mais chuvosos também criam ambiente ideal para o crescimento das algas.

Esse processo reduz o brilho da figura e compromete a leitura visual do geoglifo na paisagem de Dorset.

A nova aplicação de giz busca reforçar a aparência original do monumento e preservar sua presença histórica na encosta.

Origem medieval mudou o debate entre arqueólogos

Durante décadas, arqueólogos e historiadores discutiram a verdadeira origem do Gigante de Cerne Abbas.

Algumas hipóteses apontavam para uma criação pré-histórica. Outras sugeriam o período romano ou uma origem pós-medieval.

Também houve interpretações que associavam a figura a uma caricatura de Oliver Cromwell, no século 17.

Em 2021, um estudo conduzido pelo National Trust apresentou uma nova datação para o monumento.

A pesquisa indicou que o gigante provavelmente foi esculpido entre 700 e 1100 d.C., durante o período saxão tardio.

O resultado surpreendeu especialistas, já que muitos esperavam uma origem muito mais antiga ou muito mais recente.

Segundo o geoarqueólogo Mike Allen, pesquisadores imaginavam que o geoglifo fosse pré-histórico ou pós-medieval, mas não medieval.

Técnica revelou camadas profundas da encosta

A datação foi feita por meio da luminescência opticamente estimulada, técnica usada para identificar quando sedimentos foram expostos à luz solar pela última vez.

Pesquisadores analisaram camadas profundas das trincheiras escavadas no solo e encontraram sinais de manutenção acumulada ao longo dos séculos.

Segundo Martin Papworth, arqueólogo sênior do National Trust, a arqueologia da encosta era surpreendentemente profunda.

Esse dado indica que diferentes gerações reabasteceram o contorno do gigante com calcário por muito tempo.

Estudos mais recentes também levantaram a hipótese de que a figura tenha sido inspirada em Hércules, personagem associado à força e ao porrete.

A origem exata do monumento, porém, segue cercada de dúvidas.

Monumento segue ligado à comunidade local

O período indicado pela pesquisa coincide parcialmente com a fundação da Abadia de Cerne, no século 10.

Essa proximidade temporal levanta uma pergunta curiosa entre pesquisadores: como uma figura nua monumental teria convivido com a presença de um mosteiro na região?

Segundo Gordon Bishop, presidente da Sociedade Histórica de Cerne, ainda há muita pesquisa a ser feita nos próximos anos.

O monumento mantém forte valor simbólico para os moradores locais, mesmo diante das perguntas sem resposta.

Conforme Dawson afirmou ao The Guardian, todos na vila têm alguma ligação com o gigante.

Com a nova restauração, o Gigante de Cerne Abbas volta a ganhar destaque na paisagem de Dorset e reforça seu lugar entre os geoglifos mais intrigantes da Inglaterra.

Afinal, quantos mistérios esse gigante medieval ainda pode revelar sobre a história inglesa?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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