A Suape Energia e a finlandesa Wärtsilä concluíram, em Pernambuco, a implantação do primeiro motor do mundo voltado à geração termelétrica movido quase só a etanol. A planta piloto, na usina Suape II, tem cerca de 4 MW e agora entra na fase de testes em ambiente real.
O Brasil acaba de dar um passo inédito no uso do etanol além dos automóveis. A Suape Energia e a empresa finlandesa Wärtsilä concluíram, nesta quinta-feira (28), no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, a implantação do que descrevem como o primeiro motor do mundo projetado para gerar eletricidade em larga escala movido quase exclusivamente a etanol.
O projeto, batizado de Projeto Etanol, sai agora da fase de implantação e entra nos testes em condições reais. A ideia é provar que o etanol, derivado principalmente da cana-de-açúcar, pode virar uma fonte de energia despachável, gerada sob demanda, e ajudar a equilibrar a rede elétrica num momento em que solar e eólica crescem, mas dependem do clima. É a primeira vez que uma usina termelétrica desse tipo aposta no biocombustível.
Como funciona o motor a etanol da usina Suape II

Segundo o interesting engineering, no centro do projeto está um motor Wärtsilä 32M modificado, produzido na Finlândia e adaptado para funcionar com o etanol de cana brasileiro. A planta piloto tem capacidade aproximada de 4 megawatts e deve consumir cerca de seis milhões de litros do biocombustível ao longo de aproximadamente 4 mil horas de testes, gerando dados sobre desempenho, confiabilidade, emissões e viabilidade econômica.
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O equipamento foi instalado junto à UTE Suape II, a maior termelétrica a óleo combustível do Brasil, com 381,2 MW de capacidade instalada. O investimento inicial é de cerca de R$ 60 milhões, e o fornecimento do etanol já está sendo negociado em acordo avançado com a Vibra Energia. A Wärtsilä, vale lembrar, já tinha feito testes de laboratório com combustíveis alternativos, mas nunca havia colocado uma usina movida a etanol em operação real.
Por que transformar cana-de-açúcar em eletricidade interessa ao Brasil
O país parte de uma posição privilegiada. O Brasil é o maior produtor e consumidor mundial de etanol de cana-de-açúcar e investiu décadas em infraestrutura de produção, armazenamento e transporte do combustível. O problema, até agora, é que quase tudo isso foi voltado ao setor de transportes, com pouca atenção ao potencial do etanol na geração elétrica.
Para o diretor técnico da Suape Energia, José Faustino Cândido, o Brasil lidera a produção, mas vinha negligenciando o uso do etanol para gerar eletricidade. Segundo ele, a grande vantagem do biocombustível em relação a outras alternativas da transição energética é justamente já contar com cadeia produtiva consolidada, logística pronta e ampla disponibilidade. Se a tecnologia vingar, pode abrir um novo mercado para o setor sucroenergético e reforçar a segurança energética nacional.
Energia despachável: o problema que o etanol quer resolver
O grande desafio das redes elétricas modernas é unir confiabilidade e descarbonização. Painéis solares só produzem quando há sol, e turbinas eólicas dependem do vento. As baterias ajudam a cobrir parte dessas lacunas, mas o armazenamento de longa duração ainda é caro em muitos mercados, o que abre espaço para combustíveis de baixo carbono que possam ser guardados e usados quando a demanda sobe.
É nessa brecha que entra o etanol. A Wärtsilä argumenta que biocombustíveis são transportáveis, armazenáveis e compatíveis com motores de geração já existentes, o que facilita a adoção. Segundo o cenário de emissões líquidas zero da Agência Internacional de Energia, a bioenergia deve crescer de forma expressiva até 2030, à medida que os países buscam formas de cortar emissões sem perder a estabilidade da rede, papel que uma termelétrica flexível pode cumprir.
O que está em jogo e os próximos passos
A fase que começa agora é a mais importante: provar a tecnologia fora do laboratório. O foco será validar o desempenho do motor na geração de energia, demonstrar a viabilidade econômica e descobrir se o etanol pode mesmo se tornar uma opção prática para os futuros sistemas elétricos. O projeto, em Suape, tem potencial de expansão para até 600 MW, o suficiente para atender mais de 2 milhões de famílias.
Entre os envolvidos, o tom é otimista. A diretora-administrativa e representante da Petrobras, acionista minoritária, Giane Ferreira Moreira, defende a geração a etanol como energia limpa, estável e geradora de empregos, enquanto o dirigente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, vê Pernambuco como referência no setor. Ainda assim, vale a cautela: nada garante que o etanol se torne um grande combustível de geração elétrica, e isso só será respondido após milhares de horas de testes e a comprovação de que a conta fecha economicamente.
Usar o etanol da cana não só nos carros, mas para acender as luzes de milhões de casas, é o tipo de aposta que pode redefinir a matriz elétrica brasileira, se sair do papel.
Conte nos comentários se você acredita que a geração de energia a etanol vai decolar ou se o futuro está mesmo na solar e na eólica.

Além da geração da energia através do álcool, ainda vai aproveitar o bagaço gerando mais energia ainda.
Pelo que vemos em um mundo de guerras,não se pode concentrar energia em um único lugar ou fonte.Tem que ter vários lugares e fontes diferentes para que o país não seja presa fácil,pois a energia move tudo,sem ela o mundo para.
OVBIO QUE um motor warsila pode funcionar com etanol . Já isso ser econômico no acredito nem nos meus sonhos mais emocionantes