Brasil embarca 361,8 mil t de feijões até setembro e também quebra recorde no gergelim, Índia lidera compras, enquanto políticas de importação e riscos regulatórios seguem no radar.
O Brasil atingiu um novo recorde de exportação de feijões entre janeiro e setembro de 2025, 361,8 mil toneladas, alta de 4,3% sobre 2024. O desempenho foi puxado pela demanda da Índia, principal destino no período.
Além do feijão, o gergelim consolidou a arrancada no mercado internacional, com 349,7 mil toneladas embarcadas no acumulado do ano e um pico de 109 mil t em setembro. A China liderou as compras mensais, seguida por Índia, Vietnã e Turquia.
Especialistas do setor atribuem os avanços à combinação entre diversificação de cultivares, abertura de mercados e ações do projeto Brazil Super Foods, parceria do IBRAFE com a ApexBrasil, voltada a posicionar feijões e gergelim como superalimentos sustentáveis.
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Segundo a agência Reuters, há oportunidade para crescer, mas riscos regulatórios na Índia e volatilidade de demanda exigem cautela nas próximas safras.
Recorde histórico e mapa das exportações de feijões
Os números consolidados confirmam o impulso exportador, 361.864 t de feijões no acumulado até setembro, maior marca da série. A Índia concentrou 207,5 mil t, segundo dados compilados pelo IBRAFE, com Paquistão, Portugal, África do Sul e Venezuela aparecendo na sequência. Em 2024, o mesmo período somou 346,6 mil t.
No recorte por tipo, destaca-se o feijão-mungo-preto (urad/black matpe) como carro-chefe: 171 mil t, cerca de 47% das exportações de 2025. Feijão-caupi branco respondeu por +66 mil t; feijão-preto, 59 mil t; e rajado, vermelho e branco, 54 mil t. Feijão-carioca segue majoritariamente no mercado interno.
Para o produtor, a leitura prática é de diversificação de canais. A Índia puxa o ritmo, mas os embarques para países alternativos reduzem exposição a choques de política comercial. Gestão de risco comercial torna-se tão importante quanto produtividade.
Por que a Índia compra tanto feijão
A Índia é o maior produtor e consumidor mundial de pulses (leguminosas secas) e, mesmo assim, importa volumes relevantes para equilibrar oferta e preço ao consumidor. Em 2024, o país gastou cerca de US$ 5 bilhões em importações de pulses e anunciou um programa plurianual para elevar a produção doméstica e reduzir a dependência externa.
A política comercial indiana é intervencionista e muda conforme o ciclo de safra e preços. Em 2025, Nova Délhi estendeu até 31/3/2026 a política de importação livre (sem tarifa) para urad (mungo-preto) e ervilha amarela, sinalizando apoio ao abastecimento. Mudanças súbitas seguem possíveis e exigem monitoramento.
Para o exportador brasileiro, o recado é pragmático: planejar com elasticidade de prazos e destinos, acompanhar notificações do DGFT e usar contratos com cláusulas que cubram eventuais barreiras tarifárias e não-tarifárias.
Mungo-preto: inovação do IAC acelera o acesso ao mercado indiano
A guinada no mungo-preto tem base tecnológica. Cultivares do IAC para mungo (Vigna radiata) e mungo-preto (Vigna mungo), descritas na literatura técnica, sustentam ciclo precoce e alto potencial produtivo, o que facilita a adoção em áreas de rotação e janelas curtas. O lançamento ao campo em 2024 ampliou a oferta brasileira justamente quando a Índia abriu importações.
Com padronização de qualidade e logística adequada, o mungo-preto brasileiro tem competido em preço e regularidade. Atenção ao pós-colheita segue crítica: cor do grão, umidade e impurezas pesam no preço final em mercados asiáticos.
Produtores relatam ganhos adicionais ao encaixar o mungo-preto em sistemas conservacionistas, com baixo uso de insumos e colheita mecanizada. O efeito é melhorar a rentabilidade da área sem pressionar o abastecimento interno de feijão-carioca.
Gergelim também bate recorde e reforça a pauta de “superfoods”
No embalo das ações de promoção do Brazil Super Foods (ApexBrasil + IBRAFE), o gergelim saiu da lateralidade e virou pilar da pauta. O Brasil somou 349.674 t no ano e 109 mil t em setembro. Em setembro, China respondeu por 64 mil t (58%), seguida por Índia, Vietnã e Turquia.
O reposicionamento do gergelim como ingrediente de alto valor nutricional e de cadeia rastreável ampliou o acesso a compradores asiáticos e do Oriente Médio. Exportadores reportam melhora de prêmio por qualidade com contratos de longo prazo.
Para 2026, a combinação de marketing, certificações e produção em novas fronteiras deve manter o Brasil entre os maiores exportadores. Monitorar fretes e câmbio será decisivo para manter margens.
O recorde é motivo de celebração, mas você concorda que o Brasil deve ampliar vendas para a Índia mesmo com risco de mudanças regulatórias lá? Ou o foco deveria ser diversificar destinos e travar menos preço na Índia? Comente sua visão sobre o equilíbrio entre ganho de curto prazo e segurança de longo prazo para o produtor brasileiro.

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