Inadimplência em setembro de 2025 bate recorde histórico, com 8,4 milhões de CNPJs negativados e mais de R$ 200 bilhões em dívidas, sufocando micro e pequenas empresas, encarecendo o crédito, travando investimentos, enquanto juros altos e cobrança pesada atingem serviços, comércio e todas as regiões do país inteiro hoje já.
A Inadimplência das empresas brasileiras explodiu em setembro de 2025, quando o número de CNPJs negativados chegou a 8,4 milhões e o volume das dívidas ultrapassou R$ 200 bilhões, segundo levantamento da Serasa Experian, o maior patamar já registrado na série histórica. O dado acende um alerta para o risco de falência em massa entre negócios de menor porte, que sustentam boa parte do emprego no país.
Para a economista Camila Abdelmalack, da Serasa Experian, o recorde de Inadimplência reflete a combinação de juros elevados, desaceleração na concessão de crédito a partir do 2º semestre de 2025 e enfraquecimento da atividade econômica, fatores que vêm corroendo custos, receita e fluxo de caixa das empresas desde 2024. Com crédito mais caro e seletivo, muitos empreendimentos perderam a capacidade de honrar compromissos e foram empurrados para a negativação.
Micro e pequenas empresas concentram a maior parte da Inadimplência
Dos 8,4 milhões de CNPJs negativados em setembro de 2025, 7,95 milhões pertencem a micro, pequenas e médias empresas, segundo a Serasa Experian.
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Dentro desse universo, cerca de 20 por cento são MEI, grupo que costuma ter pouco fôlego financeiro para enfrentar longos períodos de queda nas vendas e cobrança intensa dos credores.
Na prática, isso significa que a Inadimplência está esmagando principalmente quem tem menos margem para errar.
Pequenos comércios de bairro, prestadores de serviço locais e microempreendedores individuais convivem com atrasos em boletos, fornecedores pressionando, aluguel em dia e taxas bancárias subindo, o que reduz rapidamente qualquer sobra de caixa.
Dívida média cresce e aperta o caixa dos pequenos negócios
A dívida média por empresa inadimplente chegou a R$ 24.074,50 em setembro de 2025, alta de 9,5 por cento em relação ao mesmo mês de 2024.
O valor médio por conta em atraso ficou em R$ 3.331,30. Para grandes corporações, esses valores podem parecer pequenos, mas para um MEI ou uma microempresa eles drenam o fluxo de caixa e empurram o CNPJ rapidamente para o vermelho.
Com várias contas relativamente “baixas” atrasadas ao mesmo tempo, o empresário passa a trabalhar apenas para pagar juros e multas.
Cada novo atraso vira uma bola de neve e aumenta a Inadimplência, tornando mais difícil conseguir crédito novo em condições minimamente sustentáveis.
Serviços lideram negativações e bancos concentram parte relevante das dívidas
O setor de serviços responde por 54,7 por cento das empresas negativadas, seguido pelo comércio, com 33,2 por cento.
Isso significa que bares, restaurantes, salões de beleza, oficinas, lojistas e prestadores de serviços em geral estão na linha de frente da Inadimplência.
Quando se observa a origem das dívidas, o quadro também preocupa. Os serviços concentram 32,1 por cento do total devido, enquanto bancos e administradoras de cartões de crédito aparecem com 19,5 por cento.
Na prática, isso mostra que boa parte da Inadimplência empresarial está ligada ao uso de crédito bancário e financeiro caro para manter o negócio de pé.
Parcelamentos no cartão, linhas de capital de giro com juros elevados e renegociações sucessivas acabam se tornando uma armadilha.
O crédito que deveria ser solução emergencial passa a alimentar o problema, deixando o empresário preso em ciclos de renovação de dívidas sem conseguir reduzir efetivamente o saldo devedor.
Sudeste puxa número de CNPJs no vermelho, mas problema é nacional
A concentração de empresas no vermelho é maior nos Estados do Sudeste, onde 4,5 milhões de CNPJs aparecem negativados.
No Sul, o total chega a 1,3 milhão. O Nordeste soma 1,2 milhão de empresas inadimplentes, o Centro Oeste registra 729 mil e o Norte, 499 mil.
Os números mostram que a Inadimplência empresarial não é um fenômeno isolado em uma região específica, mas um problema espalhado pelo mapa do país, com impacto direto sobre emprego, investimentos locais e arrecadação de impostos.
Em muitos municípios, a combinação de pequenos negócios endividados e queda no consumo reduz a circulação de dinheiro na economia real.
Crédito mais difícil e juros altos alimentam círculo vicioso de Inadimplência
Segundo Camila Abdelmalack, houve forte expansão do crédito em 2024, mas o cenário mudou rapidamente.
Com o aumento da Inadimplência, bancos e demais credores passaram a ser mais criteriosos na concessão de novos empréstimos e na renegociação de dívidas.
O resultado é um círculo vicioso em que empresas inadimplentes têm mais dificuldade para acessar crédito justamente quando mais precisam.
As micro e pequenas empresas sentem mais esse aperto, porque não têm acesso aos instrumentos financeiros sofisticados usados por grandes corporações para alongar prazos e reorganizar o passivo. Com menos crédito disponível e juros elevados, o capital de giro some, fornecedores apertam e o risco de quebra aumenta.
Do lado da receita, o enfraquecimento da atividade econômica e o consumo das famílias mais fraco também pesam. Como boa parte das vendas depende de crédito ao consumidor, a redução na concessão de crédito para pessoas físicas reduz o movimento no caixa dos pequenos negócios e retroalimenta a Inadimplência. Sem entrada de dinheiro nova, sobra apenas cortar custos e tentar negociar prazos, muitas vezes sem sucesso.
Falhas na gestão financeira ampliam o risco para microempreendedores
Além dos fatores macroeconômicos, a economista aponta um problema estrutural. Muitos microempreendedores e donos de pequenos negócios concentram praticamente toda a energia na operação, isto é, na venda do produto ou na prestação do serviço, e deixam a gestão financeira em segundo plano.
Sem controle rigoroso de fluxo de caixa, prazos e margens, a Inadimplência aparece como consequência quase inevitável em momentos de crise.
Em períodos de economia mais aquecida, essa fragilidade pode passar despercebida, porque a receita mais forte ajuda a cobrir erros de planejamento.
Mas em um cenário de juros altos, consumo em queda e Inadimplência crescente, qualquer descuido no controle de caixa, nos prazos de pagamento ou na contratação de crédito pode se transformar rapidamente em endividamento impagável.
Entre as medidas que podem ajudar a evitar a Inadimplência extrema estão acompanhar de perto as contas a pagar e a receber, negociar prazos com fornecedores, evitar misturar finanças pessoais com as da empresa e buscar informação sobre educação financeira e ferramentas de gestão.
Na sua visão, qual deve ser a prioridade número um para reduzir a Inadimplência das empresas brasileiras e evitar que ainda mais CNPJs acabem sufocados por dívidas nos próximos meses?

Não é só os juros altos que estão levando as empresas à insolvência, mas, some-se a isso também, a pesada carga tributária, contrabando e concorrência desleal elevada em muitos dos segmentos da economia. O imbrólhio é grande para ser contornado rapidamente e a contento.
Vai demandar muito esforço do governo e da sociedade.
Vemos muita propaganda na TV e mídias sociais como se a vida das pessoas estivessem sendo transformadas rapidamente, mas a realidade das famílias é bem diferente do que está sendo mostrado.