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Implantação de energia solar fica mais cara em 2026 e a tendência é continuar aumentando nos próximos anos: ainda vale a pena investir em geração própria? Economia financeira não parece mais ser mais um benefício real

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Escrito por Rannyson Moura Publicado em 25/02/2026 às 09:28 Atualizado em 27/02/2026 às 09:47
Assista o vídeoA implantação de usina solar no Brasil deve ficar até 30% mais cara a partir de abril, impulsionada por aumento de impostos, alta no preço do painel importado da China e mudanças nas regras de subsídio para geração própria de energia.
A implantação de usina solar no Brasil deve ficar até 30% mais cara a partir de abril, impulsionada por aumento de impostos, alta no preço do painel importado da China e mudanças nas regras de subsídio para geração própria de energia.
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A implantação de usina solar no Brasil deve ficar até 30% mais cara a partir de abril, impulsionada por aumento de impostos, alta no preço do painel importado da China e mudanças nas regras de subsídio para geração própria de energia.

Instalar uma usina solar no Brasil vai pesar mais no orçamento. E o impacto não será pequeno. A estimativa é de que o custo médio de implantação suba cerca de 30% já a partir de abril.

A principal razão está nos impostos. A União passará a cobrar 20% de Imposto de Importação sobre inversores e sobre os sistemas de armazenamento de energia, conhecidos como BESS, usados em projetos de usina solar fotovoltaica. Antes, as alíquotas eram menores: 12,6% para inversores e 16% para baterias.

Segundo o coordenador estadual da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSolar) em Pernambuco, Luzer Oliveira, o impacto será direto no preço final dos equipamentos. “A nossa estimativa é de que o custo de implantação aumente, em média, 30% a partir de abril”, afirma.

Além disso, ele critica a medida. “O BESS para energia solar é perfeito, porque possibilita soluções extremamente viáveis para comércio e indústria, além de aproveitar a energia gerada pelo sol no horário de pico em que a tarifa de energia fica mais cara e há aumento do consumo. É revoltante”, comenta.

O horário de pico, no Brasil, costuma ocorrer entre 18h e 21h. Portanto, armazenar energia e utilizá-la nesse período ajuda a aliviar o sistema elétrico. “Desafogar o sistema elétrico no horário de pico é um benefício para a população como um todo”, acrescenta.

China também influencia no aumento da usina solar

No entanto, não é apenas o Brasil que pressiona os preços. A China, maior fabricante mundial de painel solar, também contribui para o cenário de alta.

Primeiro, houve aumento no valor dos painéis importados. De acordo com Luzer, o preço dos módulos fotovoltaicos chineses já subiu cerca de 40% quando se compara fevereiro deste ano com o final de 2025.

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Além disso, o governo chinês vai encerrar, em 1º de abril, um reembolso de 9% concedido às empresas exportadoras de painéis solares. Esse benefício ajudava a manter os preços mais competitivos no mercado internacional.

Outro ponto relevante é o encarecimento de insumos usados na fabricação dos painéis. Com isso, toda a cadeia produtiva sofre reajustes.

Vale lembrar que os painéis solares já enfrentam alíquota de 25% de Imposto de Importação desde novembro de 2024. Até o fim de 2023, eles eram isentos. “Foi muito triste taxar os painéis solares, alegando que têm fabricação nacional. O que é feito no Brasil não atende 1% da demanda”, afirma Luzer.

Impacto direto na geração distribuída e nos pequenos projetos

Esse cenário afeta especialmente a geração distribuída, que inclui projetos de até 5 megawatts (MW). É justamente nesse segmento que a usina solar mais cresceu nos últimos anos, incluindo sistemas instalados em telhados de residências e empresas.

Mesmo com a alta prevista, ainda existe vantagem econômica. Segundo estimativas apresentadas por Luzer, quem gera a própria energia pode pagar, em média, R$ 0,16 por quilowatt (kW). Já quem depende exclusivamente da distribuidora paga cerca de R$ 1,00 por kW.

Os valores variam conforme o perfil de consumo. Ainda assim, a diferença chama atenção.

Mudança no subsídio preocupa consumidores de usina solar

Paralelamente ao aumento dos custos de implantação, outra mudança já pesa no bolso de quem possui usina solar.

Desde 2023, o governo federal iniciou a cobrança gradual do chamado “fio B”, que remunera os custos de distribuição de energia. Antes, quem gerava sua própria energia tinha subsídio e não pagava esse valor.

A cobrança começou em 15% em 2023. Subiu para 30% em 2024. Passou para 45% em 2025. Agora, em 2026, chegou a 60%. Em 2028, deve atingir 90%.

“Ainda não está definido como vai ser esta cobrança a partir de 2029. Pode vir alguma surpresa para o consumidor”, alerta Luzer.

A intenção inicial do subsídio era estimular a expansão das energias renováveis no país. Porém, com a redução gradual desse benefício e o aumento dos impostos, o cenário para quem deseja investir em usina solar se torna mais desafiador.

Diante desse aumento de até 30% e das mudanças nas regras, você ainda acredita que vale a pena investir em usina solar agora? Quais são os reais interesses do governo em dificultar o acesso à energia própria?

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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