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Imensa e oscilando sob um helicóptero, a estrutura chinesa de três bobinas de 25 metros superou seu maior obstáculo de voo e surge como uma ferramenta capaz de caçar submarinos nucleares invisíveis, escondidos nas profundezas geladas do oceano

Publicado em 10/06/2026 às 13:57
Atualizado em 10/06/2026 às 13:59
Estrutura chinesa de três bobinas de 25 metros, sob um helicóptero, é testada como sistema ATEM e aponta para a possível caça a submarinos.
Estrutura chinesa de três bobinas de 25 metros, sob um helicóptero, é testada como sistema ATEM e aponta para a possível caça a submarinos.
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Chamado de ATEM e conduzido pela equipe de Fu Jingcheng, o sistema foi pensado sobretudo para usos civis, como mineração e mapeamento de águas. O uso militar é apenas potencial, baseado em uma simulação de 2012, e a estrutura chinesa ainda inclina mais de 20 graus quando o helicóptero acelera.

A estrutura chinesa que pode mudar a caça a submarinos não é um míssil nem um navio, mas um conjunto de bobinas gigantes pendurado em um helicóptero. Segundo a reportagem, a China testou um sistema aerotransportado de detecção eletromagnética, batizado de ATEM, capaz de mapear o que está enterrado ou submerso abaixo da superfície. No teste, a estrutura chinesa, formada por três enormes bobinas de cerca de 25 metros, superou seu principal obstáculo de voo, que é se manter estável no ar.

De acordo com o material, a principal função do equipamento é civil, voltada à exploração mineral, ao mapeamento de águas subterrâneas e a levantamentos geológicos. O uso militar, como a localização de submarinos nucleares ocultos, aparece apenas como potencial, apoiado em estudos anteriores e em uma simulação de 2012 com um modelo em escala. Ainda assim, foi o desempenho da estrutura chinesa no controle da oscilação que chamou atenção.

O que é a estrutura chinesa de bobinas

O sistema de detecção eletromagnética transiente aerotransportado (ATEM) dispara um poderoso pulso de eletricidade através de uma bobina transmissora gigante e pode ser usado para detectar submarinos. Foto: Universidade Beihang
O sistema de detecção eletromagnética transiente aerotransportado (ATEM) dispara um poderoso pulso de eletricidade através de uma bobina transmissora gigante e pode ser usado para detectar submarinos. Foto: Universidade Beihang

A estrutura chinesa é descrita como um sistema imponente, com três bobinas dodecagonais, de doze lados, cada uma medindo cerca de 25 metros de diâmetro. Segundo o South China Morning Post, citado na reportagem, as bobinas funcionam como transmissor, unidade de compensação e receptor, e ficam suspensas sob um helicóptero por uma rede de cabos. A pesquisa é liderada por Fu Jingcheng, professor associado da Universidade Beihang e do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências.

O funcionamento da estrutura chinesa se baseia em pulsos de eletricidade enviados pela bobina transmissora, que geram um breve campo eletromagnético. Quando o pulso termina, os materiais condutores abaixo da superfície devolvem sinais eletromagnéticos secundários, captados pela bobina receptora. Ao analisar como esses sinais se dissipam, os pesquisadores conseguem identificar objetos enterrados ou submersos e estimar sua profundidade e composição.

Para que serve, segundo a pesquisa

imagem ilustrativa/explicativa
imagem ilustrativa/explicativa

Apesar do apelo militar, o objetivo principal da estrutura chinesa é civil, segundo o material. As aplicações citadas são a exploração mineral, o mapeamento de águas subterrâneas e os levantamentos geológicos, todas ligadas a enxergar o que está escondido sob o solo ou a água. A própria reportagem afirma que estudos anteriores apenas sugerem que a mesma abordagem teria grande potencial militar.

O elo com a caça a submarinos vem de um estudo de 2012, de pesquisadores das universidades de Chang’an e de Shandong. Esse trabalho propôs combinar sistemas ATEM com técnicas de imagem de abertura sintética para detectar submarinos submersos, e, segundo a fonte, experimentos de simulação teriam identificado com sucesso um modelo em escala reduzida de submarino em água salgada. A fonte menciona ainda uma publicação na revista Acta Aeronautica et Astronautica Sinica em 25 de abril, sem deixar claro o ano.

O grande obstáculo, manter a estrutura estável no ar

O maior desafio da estrutura chinesa não é detectar, mas se manter estável durante o voo. Segundo o material, grandes conjuntos de bobinas suspensas podem inclinar e oscilar por causa do vento, da turbulência das hélices do helicóptero e das manobras da aeronave, e esses movimentos prejudicam a precisão dos dados. O problema é tão sensível que, conforme a reportagem, mesmo uma aceleração moderada do helicóptero fez a estrutura inclinar mais de 20 graus. Os resultados deste teste de voo inovador foram revelados em um artigo publicado na revista chinesa Acta Aeronautica et Astronautica Sinica em 25 de abril.

Esse detalhe ajuda a dimensionar o real avanço anunciado, que é mais sobre domar a oscilação do que sobre achar submarinos. Uma matriz de bobinas que se inclina ou balança no ar coleta dados distorcidos, o que comprometeria qualquer leitura de precisão, seja para mineração, seja para uso militar. Por isso, manter a estrutura chinesa nivelada virou o ponto central do teste.

Como a equipe tentou resolver

Para estabilizar a estrutura chinesa, a equipe de Fu Jingcheng desenvolveu um modelo de computador que calculava os comprimentos e as tensões ideais dos cabos. Com base nisso, segundo o material, os pesquisadores identificaram uma configuração de voo que mantinha as bobinas niveladas durante as inspeções. A ideia foi tratar o conjunto como um sistema que precisa ser equilibrado, e não apenas pendurado.

Os pesquisadores também fixaram uma película aerodinâmica flexível na parte de trás da bobina principal, funcionando como um estabilizador passivo. Conforme a reportagem, essa película exerce uma força que ajuda a conter oscilações violentas, e um voo de sete minutos confirmou a capacidade de manter a orientação quase nivelada. Ainda assim, o próprio teste mostrou que acelerações rápidas e curvas acentuadas voltam a balançar a carga com força.

O que ainda pesa contra a tecnologia

O resultado é promissor, mas convém separar o teste de uma capacidade pronta para a guerra. Pela própria descrição da fonte, a estabilidade quase perfeita só aparece em voo lento e suave, com o piloto reduzindo a velocidade antes das curvas, completando cada curva de forma gradual e acelerando só depois. Em voo mais agressivo, a estrutura chinesa continua oscilando, o que limita o uso em situações reais.

Há ainda a distância entre detectar e caçar submarinos nucleares de verdade. O suposto potencial militar se apoia em uma simulação de 2012 com um modelo em escala, e não em uma demonstração contra um submarino real no mar, enquanto a função declarada do sistema segue sendo civil. Ou seja, a estrutura chinesa avançou em estabilidade, mas a promessa de localizar submarinos invisíveis ainda é, sobretudo, uma hipótese.

No fim, a estrutura chinesa de três bobinas representa um avanço real em um problema técnico difícil, que é manter um sensor gigante estável pendurado em um helicóptero. O salto para caçar submarinos nucleares escondidos, porém, ainda depende de provas fora do laboratório, e a própria pesquisa coloca os usos civis em primeiro plano. Vale acompanhar se a tecnologia sai do voo lento e controlado para o mundo real.

E você, acredita que sistemas como esse vão mesmo mudar a caça a submarinos, ou ainda estão longe disso? Comente sua opinião, com respeito às diferentes visões sobre o tema.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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