Construída pedra por pedra por um morador recluso por mais de três décadas, a casa no penhasco em Xiangxi, Hunan, reúne ponte, jardim de pedras, templo e vista completa para a aldeia Jinluohe abaixo.
Nas profundezas das montanhas de Xiangxi, na província chinesa de Hunan, uma casa no penhasco que parece um antigo templo chama a atenção de quem chega à remota aldeia de Jinluohe. De longe, o edifício escavado no rochedo se confunde com um santuário tradicional, erguido sobre um pico solitário com vista aberta para o vale e para as casas construídas ao longo do rio de águas cristalinas.
À medida que os moradores contam a história, o cenário ganha outra dimensão. A construção não pertence a uma instituição religiosa, mas ao projeto de vida de um único homem. Um idoso solitário passou cerca de 30 anos esculpindo o penhasco, abrindo trilhas, levantando muros de pedra e puxando água da montanha para transformar o lugar em um paraíso particular, que ele sonhava compartilhar com mais pessoas da aldeia.
Do “templo” imaginário à verdadeira casa do velho artesão
Quem se aproxima pela estrada de pedra, também construída à mão, entende por que muitos pensam que se trata de um templo.
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A casa no penhasco tem portões, inscrições nas pedras, um pequeno salão com estátuas de divindades e frases gravadas em paredes e pilares, além de uma torre batizada pelo próprio morador, que chegou a registrar o ano de 1998 em uma das rochas esculpidas.
Os relatos dos moradores descrevem um homem que nunca se casou e escolheu viver em reclusão nas montanhas, mas sem romper com a comunidade. Ele sonhava em “criar um paraíso” nas alturas e, ao mesmo tempo, beneficiar a aldeia Jinluohe.
Participou da construção de uma ponte e de uma torre na parte baixa, apelando para que os residentes se unissem em campanhas de arrecadação.
Ao mesmo tempo, subia diariamente a encosta, usando enxada, martelo e as próprias mãos para avançar alguns metros a mais na obra.
Estrada de pedra, ponte sobre a água e acesso ao paraíso na montanha
O acesso à casa no penhasco começa em uma vila cercada por água limpa, pequenas pontes, casas tradicionais e plantações. A trilha sobe por uma estrada de pedras encaixadas uma a uma, ladeada por hortas, pimentas, repolhos, arroz em segunda safra e plantas medicinais.
Em vários trechos, surgem lixeiras e estruturas simples de saneamento, evidência de que o velho também pensava em como manter a montanha utilizável para visitantes.
Mais acima, o caminho se torna estreito, íngreme e escorregadio. Há trechos em que a passagem foi literalmente talhada no penhasco e reforçada com pedras sobrepostas, com um guarda corpo rudimentar de madeira já marcada pelo tempo.
Em um ponto, a trilha leva a um pequeno templo com estátuas e inscrições sobre ajuda ao próximo. Em outro, passa sob um balanço improvisado e por canos de água enterrados no solo, mostrando a infraestrutura construída para levar a nascente até a parte mais alta do pico.
O esforço acumulado ao longo de décadas aparece em cada degrau, cada muro e cada desvio da trilha.
Interior simples, jardim de rochas e água corrente no topo da montanha
Ao final da subida, surgem o portão superior e as estruturas da casa no penhasco, apoiada em um pico isolado rodeado por abismos.
Dentro, o ambiente mistura elementos de templo e de residência rural. Há cama, fogão elétrico de arroz, mesa, armário com tigelas, temperos, vassouras, serra, cabides e braseiro para se aquecer e cozinhar.
Na parede principal, estão imagens religiosas, incluindo figuras associadas ao budismo e ao taoismo, além de um Deus da Riqueza posicionado ao lado.
No exterior, o destaque é a grande varanda que funciona como plataforma de observação. Ali, o idoso construiu um jardim de rochas, bonsais, pinheiros em miniatura e até uma pequena piscina alimentada por um fluxo constante de água, canalizado da nascente por tubos que sobem pelo penhasco.
O excedente escorre pela borda, reforçando a sensação de oásis suspenso. Árvores antigas fornecem sombra e ajudam a compor o cenário de retiro de montanha idealizado pelo morador, que viveu mais de trinta anos no topo, entre o canto dos pássaros, o ar puro e a visão ampla da aldeia abaixo.
Legado de uma vida simples dedicada à aldeia Jinluohe
Os moradores contam que o velho faleceu em silêncio, depois de uma vida de pobreza material e trabalho contínuo.
A casa no penhasco permanece fechada em alguns pontos, mas ainda guarda marcas claras de seu cotidiano: livros empilhados, bancos compridos feitos à mão, mesas esculpidas em pedra e detalhes de madeira que sustentam estruturas inteiras na beira do abismo. Para muitos, a obra virou símbolo de perseverança e de ligação entre a aldeia e a montanha.
Ao mesmo tempo, a própria Jinluohe recebe parte desse legado. A ponte, a torre, o monumento com a frase “que este mérito beneficie o povo” e a estrada de pedra ajudam a contar a história de um morador que dedicou todas as forças e os anos da vida a um pedaço de terra específico, tentando transformá lo em um paraíso compartilhado.
Quem visita hoje enxerga uma paisagem de cartão postal, com casas tradicionais, rio transparente e montanhas em volta, mas também a memória de alguém que passou décadas moldando esse cenário com as próprias mãos.
Diante dessa história, fica uma curiosidade inevitável para quem conhece a região e a trajetória desse morador solitário: você teria coragem de viver em uma casa no penhasco como essa, isolado na montanha por décadas, em troca de um paraíso particular com vista para toda a aldeia?


Very inspiring and must have a blissful and stress free life. Very fortunate soul.