Investigação em São Paulo apura saques, empréstimos e transferências de imóveis atribuídos a Sérgio Luiz Marinho dos Santos. O caso veio à tona após o desaparecimento do filho da aposentada, que tentava alertar familiares sobre as movimentações.
Uma idosa de 85 anos teve cerca de R$ 1,3 milhão do patrimônio comprometido após confiar durante sete anos em um homem que se apresentava como gerente bancário em São Paulo. Sérgio Luiz Marinho dos Santos, de 38 anos, foi preso e é investigado por movimentações nas contas da vítima e operações envolvendo imóveis.
O caso foi divulgado no dia 19 deste mês pelo Balanço Geral Manhã, da Record. A reportagem informou que Sérgio conquistou a confiança da aposentada antes de passar a ter acesso às contas e assumir parte de sua rotina financeira, período em que teriam ocorrido saques, empréstimos e transferências.
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Acesso às contas e imóveis entra na investigação
A investigação atribui ao suspeito movimentações que, na estimativa da família, provocaram prejuízo de cerca de R$ 1,3 milhão. Em atualização publicada posteriormente, o UOL informou que a polícia ainda calculava o valor exato e trabalhava com a indicação de perdas superiores a R$ 1 milhão.
A aposentada foi identificada como Matilde de Cunha. O UOL reproduziu relato do delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial de Parque São Lucas, segundo o qual Sérgio frequentava a residência e ganhou espaço na rotina familiar antes de obter acesso às contas bancárias.
“Ela começou a confiar mais e mais nele e passou o acesso às contas para essa pessoa”, afirmou o delegado. A declaração descreve como uma relação mantida durante anos teria permitido ao investigado ampliar o controle sobre a vida financeira da vítima.
As suspeitas não se restringem ao dinheiro movimentado nas contas. A polícia também apura a transferência de dois imóveis herdados pela aposentada, e a Record informou que Sérgio teria colocado os bens em seu nome durante o período em que mantinha proximidade com ela.
O UOL relatou que a investigação apura se Matilde foi coagida a ir a um cartório e assinar documentos relacionados ao repasse dos imóveis. Um deles fica no Parque São Lucas, na Zona Leste da capital, onde a construção existente no terreno já havia sido demolida.
Registros municipais citados pela reportagem indicavam intenção de erguer uma nova casa no local. Esse ponto passou a integrar a apuração patrimonial, ao lado das operações bancárias e dos empréstimos atribuídos ao período em que Sérgio mantinha acesso às finanças da aposentada.
Desaparecimento do filho levou família a desconfiar
O desaparecimento de Alexandre, filho da aposentada, foi o ponto que levou a família a desconfiar da situação. Surdo e sem fala, ele teria percebido movimentações suspeitas e começou a enviar mensagens a parentes e conhecidos na tentativa de alertá-los sobre o que ocorria com a mãe.
Alexandre acabou localizado em uma clínica de reabilitação, onde teria sido internado contra a própria vontade. A investigação atribui a internação a Sérgio e à namorada dele, Aury Isabella Alves Gurgel, de 26 anos, apontada como possível cúmplice.
A suspeita é de que a internação tenha sido usada para impedir Alexandre de continuar fazendo os alertas. Ao Balanço Geral, o delegado Alexandre Bento afirmou que a polícia tomou conhecimento do caso depois que Sérgio e a namorada decidiram internar o filho da vítima.
A família havia desconfiado do envolvimento de Sérgio no desaparecimento. Quando Alexandre foi encontrado na clínica, o episódio passou a integrar a investigação, que também examinava as movimentações financeiras e as transferências patrimoniais atribuídas ao grupo.
Prisão e busca por outros envolvidos
Sérgio foi localizado durante o cumprimento de um mandado de prisão. Também foram cumpridos 15 mandados de busca em endereços da capital paulista e da Grande São Paulo, enquanto algumas pessoas foram conduzidas para prestar esclarecimentos e não foram presas naquela etapa.
A polícia investiga se outras pessoas participaram das movimentações financeiras ou das transferências de imóveis. O UOL informou ainda que Sérgio já havia sido preso anteriormente sob suspeita de estelionato contra idosos, antecedente citado no contexto da investigação.
Aury Isabella era considerada foragida na atualização publicada pelo UOL no dia 20 deste mês. Os investigadores buscavam esclarecer qual teria sido a participação dela e de outros possíveis envolvidos, sem atribuir responsabilidade definitiva enquanto a investigação permanecesse em andamento.
A família também pretende recorrer à Justiça cível para tentar recuperar o patrimônio. A advogada Simone Castilho afirmou à Record que o prejuízo é estimado em R$ 1,3 milhão, enquanto a investigação prossegue para calcular o valor total e identificar outros possíveis participantes do esquema.

