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Depois de passar 40 anos em circos e outros sete em um zoológico, elefanta Rana de 3,5 toneladas, enfrentou uma viagem de 2.700 km dentro de uma caixa de aço de cinco toneladas e, após quase meio século em cativeiro, finalmente chegou a um santuário com mais de mil hectares de natureza para recomeçar a vida

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 22/08/2026 às 23:43
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elefanta que passou 40 anos em circo
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Após cerca de 40 anos em circos e sete em um zoológico, Rana atravessou 2.700 km numa caixa de aço de cinco toneladas até um santuário de mais de mil hectares em Mato Grosso.

Depois de aproximadamente 40 anos trabalhando em circos, dois anos de sua história sobre os quais quase não existem registros e outros sete anos vivendo em um zoológico associado a um hotel no litoral brasileiro, a elefanta-asiática Rana iniciou, em dezembro de 2018, uma das maiores operações terrestres de transferência de um elefante já realizadas no país. Pesando cerca de 3,5 toneladas, ela foi colocada em uma caixa de aço de cinco toneladas e percorreu aproximadamente 2.700 quilômetros, de Sergipe até Mato Grosso, em pouco mais de três dias.

O destino foi o Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães, instalado em uma enorme propriedade de Cerrado com mais de mil hectares. A mudança significava sair de um recinto cercado e praticamente sem árvores para um modelo no qual grandes áreas de vegetação, terrenos naturais, lama, sombra e contato com outras elefantas fazem parte da rotina. Oito anos depois, em 2026, Rana continua no santuário e, com cerca de 65 anos, é sua moradora mais velha.

Rana passou aproximadamente quatro décadas dentro do mundo dos circos

Grande parte dos primeiros capítulos da vida de Rana permanece incompleta. O Santuário de Elefantes Brasil registra que ela trabalhou como elefanta de circo durante cerca de 40 anos.

Depois de deixar os picadeiros, desaparece dos registros conhecidos durante aproximadamente dois anos. Só então reaparece ligada a um zoológico instalado em um hotel na costa brasileira, onde permaneceria por outros sete anos.

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A idade exata também não pode ser estabelecida com precisão. Rana nasceu na natureza e existem documentos conflitantes sobre sua data de nascimento.

A organização responsável pelo santuário trabalha atualmente com a estimativa de que ela tenha pelo menos 65 anos, embora alguns registros indiquem idade próxima de 75. Por cautela, o santuário adota a estimativa menor.

Uma lesão adquirida ainda jovem deixou sua pata dianteira praticamente rígida

Décadas antes de chegar a Mato Grosso, Rana sofreu uma lesão grave no membro dianteiro esquerdo.

Segundo o Global Sanctuary for Elephants, seu cotovelo esquerdo ficou fundido após uma lesão ocorrida quando ela tinha cerca de cinco anos.

Em consequência, Rana não consegue movimentar normalmente essa articulação e caminha mantendo a pata esticada.

Após cerca de 40 anos em circos e sete em um zoológico, Rana atravessou 2.700 km numa caixa de aço de cinco toneladas até um santuário de mais de mil hectares em Mato Grosso.
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Em reportagem realizada dentro do santuário em março de 2026, a Folha de S.Paulo registrou que Rana ainda apresenta essa limitação. Scott Blais, fundador do SEB, relaciona a lesão provavelmente ao período circense.

Além do problema na pata, a equipe encontrou feridas antigas provocadas por pressão e uma condição na região da vulva que não vinha sendo tratada adequadamente antes da transferência.

Últimos sete anos antes do resgate foram passados em um zoológico ligado a hotel

Antes de chegar ao santuário, Rana vivia em Sergipe, em uma instalação associada à Fazenda Boa Luz, complexo turístico que mantinha animais em um mini zoológico.

A descrição feita posteriormente pelo Global Sanctuary mostra um ambiente bastante limitado. O espaço de Rana era cercado por fio eletrificado, possuía uma pequena estrutura deteriorada para abrigo e praticamente não tinha árvores.

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A rotina registrada pela organização era igualmente reduzida: Rana passava grande parte do tempo comendo, parada ou lançando objetos como forma de pedir mais comida ou afastar pessoas.

Ela também viveu longos períodos sem a estrutura social característica dos elefantes.

Operação para retirar uma elefanta de 3,5 toneladas exigiu uma caixa gigantesca

Transportar Rana significava mover um animal que pesava aproximadamente 3,5 toneladas por milhares de quilômetros de rodovias brasileiras.

Para isso, foi utilizada uma caixa de aço de cerca de cinco toneladas, construída para suportar o peso do animal e permitir que a equipe tivesse acesso seguro durante a viagem. A estrutura foi içada e colocada sobre um caminhão.

A operação não consistia simplesmente em colocar o animal dentro do compartimento e fechar a porta.

A equipe precisou trabalhar anteriormente para acostumar Rana à caixa e minimizar os riscos do transporte. Grandes elefantes podem sofrer lesões caso entrem em pânico durante deslocamentos desse tipo, tornando preparação, velocidade do veículo, hidratação e monitoramento fatores fundamentais.

Rana deixou Sergipe para enfrentar uma viagem de 2.700 quilômetros

A partida ocorreu em dezembro de 2018. O caminhão saiu da região de Aracaju e começou a atravessar o Brasil rumo à Chapada dos Guimarães. Ao todo, o percurso chegou a aproximadamente 2.700 quilômetros e levou pouco mais de três dias.

A Polícia Rodoviária Federal participou da operação de escolta.

A velocidade precisava ser controlada. Fotografias e relatos publicados pela National Geographic Brasil mostram que, em determinados trechos, o caminhão chegava a trafegar a apenas 20 km/h, especialmente por causa do peso e das condições da estrada.

Durante o percurso, eram realizadas paradas para monitoramento e fornecimento de água e alimentos.

Dois guindastes participaram da chegada ao santuário

Depois de cruzar milhares de quilômetros, o conjunto finalmente chegou a Mato Grosso. A enorme caixa precisou ser retirada do caminhão com auxílio de guindastes, numa operação acompanhada por tratadores, veterinários, moradores e profissionais de imprensa. Imagens da época mostram a estrutura metálica sendo lentamente posicionada no solo antes da liberação.

A chegada oficial de Rana ao Santuário de Elefantes Brasil ocorreu em 21 de dezembro de 2018.

Ela se tornou uma das primeiras residentes do projeto, que havia sido criado apenas alguns anos antes para receber elefantes provenientes principalmente de circos e zoológicos da América Latina.

De um recinto sem árvores para mais de mil hectares de Cerrado

A mudança de escala é um dos aspectos mais impressionantes do caso. Em 2018, a Folha descrevia o Santuário de Elefantes Brasil como uma antiga fazenda de gado de aproximadamente 1.100 hectares.

Atualmente, o Global Sanctuary for Elephants informa que a propriedade possui cerca de 2.800 acres e abriga diferentes habitats separados conforme espécie e sexo dos animais.

Depois de passar 40 anos em circos e outros sete em um zoológico no Brasil, elefanta Rana percorreu 2.700 km dentro de uma caixa de aço de cinco toneladas e chegou a um santuário onde encontrou mais de mil hectares de natureza
ramba e rana elefantas se encontram em refugio

Os habitats são divididos em grandes recintos que podem ser abertos ou separados de acordo com necessidades veterinárias, sociais e de manejo.

Em março de 2026, por exemplo, as cinco elefantas asiáticas que viviam naquele setor tinham aproximadamente 279,7 mil metros quadrados de habitat disponível, cerca de 55,9 mil m² por animal naquela configuração.

Cerca de 80% da alimentação atual pode vir da própria vegetação

O ambiente também mudou a forma como os animais obtêm alimento. Segundo levantamento realizado pela Folha dentro do santuário em 2026, aproximadamente 80% da dieta das elefantas é composta pela vegetação existente no próprio Cerrado. Elas escolhem quais plantas consumir enquanto caminham pelo habitat.

A equipe complementa essa alimentação com frutas, legumes e cereais.

Dependendo da elefanta e de suas necessidades, as porções suplementares e o consumo diário podem variar significativamente. A reportagem registrou volumes totais de alimentação entre aproximadamente 210 e 360 kg por dia.

A mudança transforma a caminhada em parte da própria rotina alimentar, em contraste com o modelo de receber toda a comida em um ponto fixo.

Rana passou rapidamente a se comunicar com outras elefantas

A transformação comportamental chamou atenção dos responsáveis pelo santuário. No zoológico do hotel, Rana era descrita como quieta, retraída e pouco interessada em contato.

Poucos dias após chegar a Mato Grosso, segundo a organização, ela começou a vocalizar intensamente e passou a demonstrar grande capacidade de interação.

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Essa característica permanece. O santuário atualmente chama Rana de uma espécie de “chefe do comitê de boas-vindas”, pela forma como adapta seu comportamento à chegada e às necessidades das demais elefantas.

A organização também afirma que ela viveu praticamente isolada de outros elefantes durante quase 50 anos antes de desenvolver vínculos sociais mais duradouros no santuário.

A lesão antiga ainda exige tratamento diário em 2026

O espaço maior não eliminou as consequências físicas acumuladas ao longo de décadas.

Aos cerca de 65 anos, Rana apresenta alterações musculares compatíveis com a idade avançada e continua convivendo com o cotovelo esquerdo rígido.

Para ajudar no controle das dores e nos cuidados com os pés, a equipe desenvolveu uma rotina específica.

Em 2026, Rana era treinada para colocar as duas patas dianteiras dentro de um tanque com água morna e produtos utilizados no tratamento, numa espécie de escalda-pés veterinário. Cada sessão dura aproximadamente 20 minutos e é realizada diariamente.

O treinamento é voluntário e baseado em condicionamento para que o animal permita procedimentos sem necessidade de contenção física invasiva.

Aos 65 anos, Rana é atualmente a elefanta mais velha do santuário

Quase oito anos se passaram desde a viagem que começou em Sergipe. Em 2026, Rana permanece entre as moradoras do Santuário de Elefantes Brasil e é considerada a elefanta mais velha atualmente sob os cuidados da instituição.

Após cerca de 40 anos em circos e sete em um zoológico, Rana atravessou 2.700 km numa caixa de aço de cinco toneladas até um santuário de mais de mil hectares em Mato Grosso.
elefanta que passou 40 anos em circo

Seu histórico continua marcado por lacunas. Não se sabe exatamente onde nasceu, qual sua idade definitiva ou tudo o que aconteceu durante os primeiros anos de cativeiro.

Foram cerca de 40 anos de circos, um intervalo de dois anos praticamente sem registros, outros sete anos em um zoológico ligado a hotel, uma lesão permanente na pata e, finalmente, uma operação terrestre de 2.700 km dentro de uma caixa de aço de cinco toneladas.

Quando a estrutura metálica foi colocada no chão da Chapada dos Guimarães, em dezembro de 2018, Rana deixou para trás um espaço cercado e praticamente sem árvores.

Do outro lado da porta havia uma propriedade de mais de mil hectares de Cerrado, outras elefantas e uma rotina em que caminhar, escolher vegetação e decidir onde permanecer passaram a ocupar uma parte da vida que, durante décadas, havia sido determinada por picadeiros e recintos.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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