Áustria, Finlândia, Alemanha, Suécia e Holanda orientam famílias a manter entre € 70 e € 100 em espécie para aproximadamente 72 horas de despesas básicas. A recomendação considera riscos de guerras, desastres naturais e ataques cibernéticos capazes de interromper temporariamente bancos, aplicativos, redes de comunicação, pagamentos digitais e meios eletrônicos.
Governos europeus passaram a recomendar que famílias mantenham uma pequena reserva de dinheiro em espécie dentro de casa para atravessar eventuais interrupções dos pagamentos digitais. Em países como Áustria, Finlândia, Alemanha, Suécia e Holanda, a referência citada fica entre € 70 e € 100 por residência, suficiente para aproximadamente três dias de necessidades básicas.
Segundo reportagem publicada pelo Diário do Comércio em 24 de agosto de 2026, a orientação ganhou relevância diante de três tipos de ameaça capazes de comprometer temporariamente o acesso ao dinheiro: conflitos e guerras, desastres naturais e ataques cibernéticos. O Banco Central Europeu (BCE) também considera o dinheiro físico parte importante da preparação para crises.
Reserva de € 70 a € 100 foi calculada para aproximadamente 72 horas
A recomendação não envolve guardar grandes somas dentro de casa. A proposta é manter uma quantidade limitada de cédulas para pagar despesas essenciais durante cerca de 72 horas caso cartões, aplicativos bancários e outros sistemas eletrônicos fiquem indisponíveis.
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O intervalo entre € 70 e € 100 por residência pode variar de acordo com o tamanho da família e com as necessidades específicas de cada casa.
Guerra é uma das três situações consideradas na preparação
Conflitos e guerras aparecem como a primeira preocupação apresentada na orientação.
Em períodos prolongados de instabilidade, sistemas financeiros podem sofrer interrupções. Ataques direcionados à infraestrutura crítica também podem dificultar temporariamente o acesso às contas bancárias e aos meios eletrônicos usados nas compras do cotidiano.
Tempestades, enchentes e incêndios podem derrubar energia e comunicação
Desastres naturais formam o segundo grupo de riscos considerado.
Incêndios, tempestades, enchentes e outros eventos podem interromper o fornecimento de energia elétrica ou afetar redes de comunicação, comprometendo justamente a infraestrutura necessária para que pagamentos digitais funcionem.
Os incêndios registrados recentemente em diferentes regiões da Europa também contribuíram, segundo a publicação, para aumentar a procura por dinheiro em espécie.
Ataques cibernéticos podem atingir bancos, empresas e órgãos públicos
A terceira ameaça está ligada aos ataques cibernéticos, capazes de atingir sistemas utilizados por instituições financeiras, empresas, órgãos públicos e até aeroportos.
Uma ofensiva digital de grande escala poderia comprometer temporariamente aplicativos bancários, terminais de pagamento e serviços online, reduzindo as alternativas de quem depende exclusivamente de meios eletrônicos.
Quantidade de cédulas cresce mesmo com avanço dos pagamentos digitais
A digitalização mudou a forma como consumidores pagam suas compras, mas não eliminou a circulação de dinheiro físico.
Segundo os dados apresentados, a quantidade de cédulas em circulação na União Europeia continua aumentando, apesar da popularização dos cartões, celulares e pagamentos por aproximação.
O fenômeno ocorre mesmo em lugares onde o dinheiro é usado com menor frequência nas transações cotidianas.
Philip Lane destaca crescimento do número de notas em circulação
O economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, destacou que o número de notas em circulação continua crescendo.
Para o BCE, o dinheiro em espécie permanece como um componente relevante da preparação nacional para situações de crise, justamente por funcionar sem depender do acesso imediato a aplicativos ou plataformas digitais.
BCE vê paradoxo entre usar menos dinheiro e guardar mais cédulas
O comportamento dos consumidores apresenta duas tendências simultâneas.
De um lado, notas e moedas aparecem menos nas compras realizadas diariamente em diversas cidades europeias. De outro, a quantidade de dinheiro físico mantida em circulação continua aumentando, indicando seu uso também como reserva.
O BCE considera relevante esse movimento em que as pessoas utilizam menos dinheiro no cotidiano, mas mantêm cédulas disponíveis para situações excepcionais.
Perder o hábito de usar dinheiro também preocupa autoridades
A redução extrema do uso das cédulas cria outra preocupação.
Caso consumidores e estabelecimentos deixem completamente de lidar com dinheiro durante períodos normais, podem perder familiaridade com esse meio de pagamento justamente quando uma interrupção tecnológica tornar seu uso novamente necessário.
A preservação dessa alternativa faz parte da lógica de preparação defendida pelas autoridades citadas.
Orientação não significa retirar grandes quantias dos bancos
A recomendação europeia não propõe abandonar contas bancárias nem realizar grandes saques.
O objetivo é manter apenas uma reserva emergencial que ofereça alguns dias de autonomia enquanto sistemas financeiros e eletrônicos eventualmente estejam indisponíveis.
A lógica é semelhante à preparação doméstica com água, alimentos não perecíveis, medicamentos e outros itens essenciais antes de situações inesperadas.
Documentos importantes também devem permanecer acessíveis
Além do dinheiro em espécie, especialistas em preparação financeira citados pela publicação recomendam atenção aos documentos importantes.
Entre eles estão contratos, comprovantes bancários, seguros, testamentos e registros relacionados a imóveis e outros patrimônios, que devem permanecer armazenados de maneira segura e disponíveis quando necessários.
Diversificação pode reduzir dependência de uma única instituição
Uma eventual paralisação temporária do sistema bancário também levanta a discussão sobre dependência de apenas uma instituição ou forma de acesso ao dinheiro.
A diversificação patrimonial pode reduzir essa concentração, mas cada alternativa apresenta características próprias e não equivale necessariamente a manter recursos imediatamente disponíveis para pequenas despesas emergenciais.
Moedas estrangeiras, ouro e criptomoedas têm riscos e liquidez diferentes
A publicação cita moedas estrangeiras, metais preciosos, criptomoedas e outros ativos entre possíveis formas de investimento e diversificação.
Essas alternativas, porém, apresentam riscos, custos e níveis próprios de liquidez. Por isso, não substituem necessariamente uma pequena reserva em espécie destinada ao pagamento imediato de necessidades básicas.
Dinheiro vivo permanece como reserva para os primeiros três dias de uma crise
A orientação adotada em países como Áustria, Finlândia, Alemanha, Suécia e Holanda parte de uma situação específica: ficar temporariamente sem aplicativos bancários, cartões ou outros meios eletrônicos em consequência de uma emergência.
Nesse cenário, € 70 a € 100 por residência funcionariam como uma reserva aproximada para três dias, enquanto dinheiro, água, alimentos, medicamentos e documentos fariam parte de uma preparação mais ampla para eventuais crises.
Para você, manter dinheiro em espécie suficiente para cerca de 72 horas de despesas básicas deveria fazer parte da preparação doméstica para emergências? Deixe sua opinião nos comentários.
