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Ideia sugere tornar o abastecimento em postos de combustível mais lento para forçar as pessoas a comprarem carros elétricos

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 22/11/2025 às 13:06 Atualizado em 22/11/2025 às 13:27
Ideia propõe bombas mais lentas para desestimular combustíveis fósseis e destacar vantagens dos carros elétricos sem custos
Ideia propõe bombas mais lentas para desestimular combustíveis fósseis e destacar vantagens dos carros elétricos sem custos
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Proposta sugere reduzir drasticamente a velocidade das bombas de gasolina para tornar o abastecimento mais demorado, equilibrar a comparação com veículos elétricos e acelerar a transição energética nas cidades

Tornar o ato de abastecer gasolina mais lento poderia incentivar motoristas a migrarem para veículos elétricos, especialmente se carregar em casa for mais vantajoso, é o que defende portal especializado Ecoinventos.

A ideia propõe uma alternativa inesperada: reduzir a velocidade das bombas de combustível para transformar um hábito cotidiano e gerar benefícios ambientais, urbanos e de saúde pública sem grandes investimentos.

Para seus defensores, tornar o abastecimento mais demorado pode produzir mudanças reais no comportamento coletivo.

Bombas mais lentas como política viável

Bombas de gasolina mais lentas, menos emissões em cada abastecimento e incentivo indireto ao uso de veículos elétricos fazem parte de uma mesma lógica.

Também se incluem melhorias na qualidade do ar, benefícios à saúde pública, custo zero para o contribuinte e impacto imediato sem depender de tecnologias futuras.

A questão central é simples: em vez de buscar carregadores cada vez mais rápidos, por que não tornar as bombas de gasolina mais lentas?

Enquanto empresas de energia, governos estaduais e desenvolvedores privados disputam a instalação de carregadores mais potentes para veículos elétricos, um caminho mais discreto pode oferecer resultados iguais ou até maiores.

Essa mudança não exige infraestrutura complexa nem avanços técnicos. Bastaria ajustar uma regra capaz de afetar milhões de motoristas.

Um precedente que já existe

Em 1993, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos limitou por lei o fluxo máximo das bombas de gasolina a 37,8 litros por minuto, com o objetivo de reduzir emissões evaporativas e aumentar a segurança nos postos.

A norma, chamada 61 FR 33033, entrou em vigor em 1996 e permaneceu em vigor sem gerar grandes debates.

Mas em 2025, com o aquecimento global fora de controle, incêndios florestais batendo recordes e maior pressão política para cumprir o Acordo de Paris, muitos consideram insuficiente manter a regra original. Para esses defensores, é hora de revisitar normas antigas com uma lógica mais ambiciosa: tornar o uso de combustíveis fósseis menos conveniente.

A proposta

A ideia é reduzir o fluxo máximo permitido nas bombas, por exemplo, de 37,8 para 11,3 litros por minuto. Na prática, um veículo como o Ford F-150, com tanque de 136 litros, deixaria de precisar de menos de 4 minutos e passaria a exigir mais de 12 para um abastecimento completo.

Se houver fila no posto, o processo total pode ultrapassar 20 minutos. Esse tempo começa a se aproximar do que um carro elétrico médio leva para recarregar de 10 por cento a 80 por cento em um carregador rápido.

O objetivo é nivelar as condições: quando abastecer gasolina fica tão demorado quanto carregar um elétrico, as vantagens do segundo se tornam mais evidentes.

Carregar em casa, evitar esperas, eliminar fumaça e ruído se tornam argumentos mais fortes, principalmente em cidades onde conveniência e tempo têm peso decisivo.

Benefícios amplos

A proposta pode parecer inesperada, mas grandes petrolíferas já observam essa mudança de cenário. Em 2022, a BP afirmou que sua divisão de carregamento elétrico estava prestes a ser mais lucrativa que as bombas tradicionais.

Com mais de 2 bilhões de euros investidos em infraestrutura elétrica, a empresa deixou de tratar o setor como experimento e passou a vê-lo como pilar estratégico.

Os motivos são claros. Carregadores de veículos elétricos mantêm os usuários mais tempo no local, o que aumenta a venda de produtos de alto lucro, como cafés, snacks, loterias e serviços.

De acordo com dados do setor, esses produtos representam mais de 60% do lucro das estações, embora componham apenas uma fração do faturamento total.

Além disso, diminuir o consumo de gasolina reduz custos invisíveis para a sociedade. Entre eles estão doenças respiratórias, danos ambientais, riscos de vazamentos, incêndios e conflitos relacionados ao petróleo. Esses custos não aparecem no preço por litro, mas recaem sobre todos.

Medida que não proíbe, mas orienta

Esse tipo de mudança não impede ninguém de usar gasolina. Apenas exige mais tempo para abastecer, o que pode modificar decisões rotineiras. É uma forma de ajustar a velocidade com que alguém pode continuar poluindo, sem proibir o produto ou impedir seu acesso.

Várias cidades da Califórnia, de Nova York e de Berlim estudam restringir carros a combustão em áreas centrais. Porém, isso exige legislação local, alternativas estruturais e prazos longos. Já reduzir o fluxo das bombas pode ser aplicado por norma estadual, de forma gradual, sem custos ao contribuinte e sem necessidade de esperar por baterias de nova geração.

Os riscos e as reações

É evidente que a proposta não agradará a todos. Grupos mais resistentes podem vê-la como imposição. Alguns motoristas podem entendê-la como obstáculo à própria liberdade. Mas ninguém teria o carro retirado nem seria impedido de abastecer. Apenas mudaria a velocidade com que poderia fazê-lo.

Em muitos aspectos, a ideia se assemelha a impostos sobre tabaco ou restrições para plásticos descartáveis. Não eliminam o produto de forma imediata, mas enviam um sinal claro sobre a direção necessária para o futuro.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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