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Com mais de 10 milhões de habitantes, pode ser a primeira cidade do mundo a enfrentar falta total de água após perder 500% de seus lagos, e especialistas estimam que, mantido o ritmo atual, o abastecimento pode acabar antes de 2030 em Hyderabad

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Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 28/11/2025 às 10:31 Atualizado em 28/11/2025 às 10:32
Vista aérea de Hyderabad com lagos secos e urbanização intensa.
Lagos esvaziados e urbanização acelerada transformam Hyderabad em um epicentro de crise hídrica. Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA – uso editorial.
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A rápida expansão imobiliária, o desaparecimento de mais de 2.800 lagos e a queda alarmante do nível freático já colocam Hyderabad em um cenário crítico, onde nem mesmo períodos de chuva intensa conseguem recompor reservas que despencaram entre 2000 e 2020

A cidade de Hyderabad, uma das regiões urbanas que mais cresceram na Índia nas últimas duas décadas, vive hoje um dos processos de degradação hídrica mais severos do planeta. Entre 2000 e 2020, seus corpos d’água sofreram uma redução drástica de quase 500%, despencando de 12.535 hectares para apenas 2.280 hectares, segundo um estudo conduzido por um pesquisador local. Nesse mesmo período, a área construída dobrou, saltando de 38.863 para 80.111 hectares, o que alterou profundamente o equilíbrio natural do território.

Como resultado direto dessa transformação acelerada, lagos importantes como Osmansagar, Himayatsagar e Durgam Cheruvu registraram quedas bruscas em seus níveis de água, contribuindo para o agravamento de uma escassez que já se manifesta em diversos bairros. A informação foi divulgada pelo Times of India, que detalhou os impactos crescentes da urbanização sobre o sistema hídrico regional. O estudo ainda revelou que Hyderabad perdeu aproximadamente 2.850 lagos em apenas 20 anos, caindo de 3.500 para 650 — um colapso ambiental silencioso que redesenhou completamente a paisagem e sua capacidade de armazenamento natural.

A urbanização acelerada destruiu zonas verdes e sobrecarregou o sistema hídrico

Durante o período analisado, a expansão dos polos de tecnologia, comércio e habitação — especialmente em áreas como Hi-Tec City, Gachibowli e o Financial District — pressionou intensamente a infraestrutura urbana. Segundo o pesquisador M. Kamraju, responsável pelo levantamento, muitos lagos foram simplesmente aterrados, invadidos ou abandonados, comprometendo funções vitais como recarga de aquíferos e manutenção da biodiversidade.

Essa expansão sem planejamento adequado desestruturou completamente o modelo hídrico da cidade. Em 90% da Grande Hyderabad, mesmo quando a chuva supera a média anual, o lençol freático permanece em níveis considerados críticos. Bairros como Malkajgiri, Ameerpet, Kukatpally e Alwal registraram níveis subterrâneos tão baixos em agosto que a demanda por caminhões-pipa explodiu para cerca de 10 mil solicitações por dia nos meses mais quentes, especialmente abril e maio.

Além disso, especialistas apontam que Hyderabad carece dos elementos essenciais para a manutenção de um ecossistema urbano equilibrado: áreas verdes proporcionais ao crescimento populacional, corredores ecológicos e proteção efetiva dos recursos hídricos remanescentes. Esse desequilíbrio, que se acumulou ao longo de duas décadas, está diretamente relacionado às enchentes inesperadas, ao aumento de tremores localizados e à instabilidade do solo em diversos pontos da cidade.

O estudo revela impacto agrícola e necessidade urgente de novas políticas

Outro dado alarmante identificado pela pesquisa diz respeito à agricultura da região. A área destinada a culturas dependentes de chuva despencou de 72.817 hectares em 2000 para apenas 37.902 hectares em 2020, evidenciando a conversão massiva de terras produtivas em zonas residenciais, industriais e comerciais. Para especialistas, essa mudança reforça a urgência de rever padrões de crescimento que ignoram limites ambientais básicos.

Publicado na revista Earth Sciences Malaysia, o estudo enfatiza que iniciativas de conservação existem, mas são insuficientes frente ao avanço da urbanização. O professor aposentado KM Lakshmana Rao, especialista em gestão de desastres, alerta que a tendência atual tende a se intensificar, levando a episódios cada vez mais extremos e difíceis de controlar.

Nos trechos finais da pesquisa, os autores defendem que Hyderabad precisa adotar imediatamente políticas de gestão territorial mais rígidas, priorizando infraestrutura verde, limites de expansão urbana, crescimento vertical planejado, recuperação de áreas degradadas e restauração de lagos destruídos. Medidas como essas, se implementadas corretamente, podem reduzir impactos futuros e aumentar a resiliência da cidade frente às mudanças climáticas.

Apesar da gravidade local, especialistas afirmam que o drama de Hyderabad não é isolado. Muitas cidades tropicais e semiáridas enfrentam pressões semelhantes, inclusive capitais brasileiras que já viram seus reservatórios secarem perigosamente, como São Paulo, Brasília e Fortaleza. Um modelo de crescimento urbano sem planejamento hídrico — como o de Hyderabad — pode facilmente se repetir em centros urbanos do Brasil caso políticas de preservação e restauração não avancem com rapidez. Diante disso, surge a pergunta que deveria mobilizar governos e população: estamos preparados para evitar que uma cidade brasileira enfrente seu próprio cenário de falta total de água?

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Rubens
Rubens
18/12/2025 12:44

Se o poder público não abrir o olho, em Bauru, interior de SP vai para o mesmo caminho…

Paulo Brificcado
Paulo Brificcado
05/12/2025 06:07

O estagiário perdeu 500% de chance de escrever corretamente a matéria…
Misericórdia.

Aldeir Matos
Aldeir Matos
04/12/2025 22:00

Queria entender a porcentagem desse jornalista: como consigo perder 500% de alguma coisa, sendo que o todo de alguma coisa é 100%?

Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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