Vídeo de 2023 e outro de 2025 mostram homens reaproveitando pneus velhos para criar telhas resistentes, sem custo, capazes de cobrir casas, granjas e galpões sem goteira.
Em 15 de junho de 2023, um vídeo publicado no canal Popular Santos, no YouTube, passou a chamar atenção ao mostrar, de forma detalhada, uma técnica artesanal de reaproveitamento de pneus automotivos descartados para a fabricação de telhas flexíveis de encaixe, visualmente semelhantes ao modelo “Brasilit”. No conteúdo, o autor demonstra passo a passo como pneus de aro 15, 16 e 17 são cortados, moldados e instalados para formar uma cobertura funcional, resistente à chuva, ao granizo e ao impacto, com custo praticamente zero, utilizando apenas ferramentas manuais simples e materiais reaproveitados.
O vídeo, gravado no Brasil e publicado pelo canal Popular Santos, documenta uma solução prática voltada principalmente para coberturas rurais, varandas, galpões, granjas, cocheiras, depósitos e estruturas auxiliares, transformando um resíduo urbano de difícil descarte em um elemento construtivo durável.
O problema dos pneus descartados e a lógica do reaproveitamento
Pneus usados estão entre os resíduos sólidos mais problemáticos do meio urbano e rural. Sua decomposição é extremamente lenta, ocupam grande volume em aterros e, quando descartados de forma irregular, tornam-se focos de proliferação de insetos e riscos ambientais.
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A proposta apresentada no vídeo parte de uma lógica simples: usar todo o comprimento útil do pneu, aproveitando a resistência natural da borracha e sua estrutura reforçada com arames internos para criar telhas longas, flexíveis e resistentes, sem necessidade de moldes industriais ou equipamentos elétricos.
Segundo o próprio autor, cada pneu rende telhas com aproximadamente 1,86 metro de comprimento, o que reduz o número de peças necessárias por metro quadrado de cobertura.
Materiais utilizados e ferramentas simples
Um dos pontos centrais da técnica demonstrada no vídeo é a simplicidade dos materiais envolvidos. Não há uso de máquinas industriais, prensas ou ferramentas elétricas.

Os itens utilizados incluem:
- Pneus usados de aro 15, 16 ou 17
- Detergente comum (qualquer marca)
- Faca serrilhada
- Serra manual para metal
- Pregos ou parafusos
- Borracha reaproveitada do próprio pneu para vedação dos pontos de fixação
O detergente tem papel fundamental no processo, funcionando como lubrificante, facilitando o corte da borracha e reduzindo o esforço físico necessário.
Como o pneu é transformado em telha passo a passo
O processo começa com a remoção das duas laterais do pneu. O corte não é feito no topo, mas ligeiramente deslocado para o meio da faixa, de forma a preservar uma geometria que permita o encaixe entre as telhas.
Após a retirada das laterais, o pneu é aberto longitudinalmente. Nesse momento, surgem dois materiais distintos:
- A borracha pura
- O trecho reforçado com arame interno, típico de pneus automotivos
A borracha pura pode ser cortada com a faca serrilhada. Já o trecho com arame exige o uso da serra manual para metal, sempre com aplicação de detergente para facilitar o deslizamento da lâmina.
Segundo o autor do vídeo, o tempo médio para cortar um pneu ao meio, mesmo com arame, é inferior a 2 minutos, desde que a ferramenta esteja em boas condições.
O encaixe das telhas e o segredo contra goteiras
Um dos aspectos mais enfatizados no vídeo é o sistema de encaixe. As telhas não são instaladas todas na mesma orientação.
O método correto alterna:
- Uma telha com a curvatura voltada para cima
- Outra com a curvatura voltada para baixo
Esse padrão cria um encaixe sobreposto que impede a passagem de água mesmo em chuvas com vento lateral, eliminando o risco de goteiras sem necessidade de mantas, calhas especiais ou selantes industriais.
O autor afirma que, quando bem cortadas e corretamente posicionadas, as telhas ficam “bem encaixadinhas” e não permitem infiltração.
Fixação: pregos, parafusos e vedação reaproveitada
A fixação pode ser feita com pregos ou parafusos, desde que não sejam apertados em excesso. Apertar demais pode deformar a borracha e comprometer o encaixe.

Um detalhe importante mostrado no vídeo é o reaproveitamento da borracha do próprio pneu para criar pequenas arruelas de vedação, posicionadas sob a cabeça do prego ou parafuso. Essa borracha evita que o fixador puxe a telha para baixo e melhora a vedação do ponto de fixação.
Curiosamente, o autor mostra que as telhas centrais muitas vezes nem precisam ser pregadas, pois o encaixe e o peso do conjunto já garantem firmeza suficiente.
Resistência ao impacto, granizo e peso
Segundo o demonstrado no vídeo, a cobertura feita com telhas de pneu apresenta características que não são comuns em telhas convencionais:
- Resistência total a granizo: pedras de gelo não quebram a telha
- Amortecimento de impacto: o barulho da chuva forte e do granizo é significativamente reduzido
- Alta resistência mecânica: é possível caminhar sobre o telhado sem risco de quebra
- Flexibilidade estrutural, que absorve dilatações e impactos
Essas propriedades são resultado direto da composição da borracha automotiva, projetada originalmente para suportar peso, atrito e variações de temperatura.
Durabilidade estimada e manutenção
No vídeo, o autor afirma que a cobertura pode durar mais de 100 anos sem necessidade de manutenção estrutural significativa. Embora essa estimativa não seja acompanhada de ensaios laboratoriais, ela reflete a conhecida durabilidade da borracha vulcanizada em ambientes externos.
Outro ponto destacado é que as telhas aceitam pintura, permitindo melhorar o aspecto visual ou adaptar a cobertura ao ambiente. Ainda assim, o autor afirma que, mesmo sem pintura, a telha não esquenta excessivamente e mantém uma temperatura interna considerada normal.
Onde esse tipo de telha pode ser utilizada
A técnica apresentada não é indicada para edificações que exigem certificação estrutural formal, mas se mostra extremamente funcional para usos como:
- Varandas
- Galpões
- Granjas
- Cocheiras
- Mangueirões
- Depósitos
- Abrigos rurais
- Coberturas provisórias ou permanentes em áreas afastadas
Por utilizar resíduos disponíveis localmente, a solução se adapta bem a contextos rurais e periféricos, onde o custo de materiais convencionais pode ser proibitivo.
Impacto ambiental e reaproveitamento de resíduos
Cada cobertura desse tipo consome dezenas e em projetos maiores, centenas de pneus que deixariam de ser descartados de forma irregular. Trata-se de um exemplo claro de reaproveitamento direto, sem processos industriais intermediários, sem queima e sem geração de novos resíduos.
O próprio autor do vídeo destaca que se trata de uma obra “sustentável e ecológica”, contribuindo para o meio ambiente ao dar nova função a um material amplamente problemático do ponto de vista ambiental.
O vídeo publicado em 15 de junho de 2023 pelo canal Popular Santos documenta uma técnica simples, acessível e funcional de transformar pneus descartados em telhas de encaixe resistentes, com custo praticamente zero e ampla aplicação prática.
Sem promessas milagrosas ou discurso genérico, o conteúdo mostra na prática como resíduos urbanos podem se transformar em soluções construtivas duráveis, especialmente em contextos rurais e de baixo orçamento, reforçando o potencial de técnicas alternativas quando aplicadas com conhecimento e precisão.


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