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Localização MS, MT Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 58 comentários

Um morador aproveita pneus velhos descartados, empilha e preenche com terra para criar uma escadaria funcional em um barranco íngreme e transformar lixo urbano em atalho usado por toda a vizinhança

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 06/02/2026 às 22:22
Um morador aproveita pneus velhos descartados, empilha e preenche com terra para criar uma escadaria funcional em um barranco íngreme e transformar lixo urbano em atalho usado por toda a vizinhança
Créditos: (Foto: Aloizio Targino/ InfocoMS)
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Sem apoio público, um morador de Camapuã usou pneus descartados para construir uma escadaria em um barranco íngreme, melhorando a mobilidade e a rotina do bairro.

Em 2016, durante o período de férias, um morador da cidade de Camapuã, no interior de Mato Grosso do Sul, decidiu resolver por conta própria um problema antigo de mobilidade enfrentado pela população de seu bairro. Sem obras públicas, sem máquinas e sem qualquer financiamento oficial, Giovani Sanchez, então com 38 anos, utilizou pneus descartados para construir uma escadaria em um barranco íngreme que separava duas ruas e servia como passagem improvisada para a vizinhança. A iniciativa foi registrada pelo portal Campo Grande News, que documentou a obra e seu impacto direto na rotina da comunidade.

O local, antes marcado por erosão, lama e risco constante de quedas, passou a contar com um caminho estável e seguro, construído inteiramente a partir de materiais reaproveitados. No Ceará, também existe uma obra colossal de um muro com 5 mil pneus, veja

Um problema cotidiano que afetava toda a vizinhança

Antes da intervenção, o trecho funcionava como um atalho informal usado diariamente por moradores que precisavam reduzir o trajeto entre dois pontos do bairro. O barranco, no entanto, não possuía qualquer tipo de contenção ou degraus. Em períodos de chuva, a passagem se tornava escorregadia e perigosa, dificultando o deslocamento de idosos, crianças e trabalhadores. Um morador reaproveitou cerca de 5 mil pneus descartados, empilhou e reforçou com cimento para erguer um muro de contenção no Ceará, transformando lixo urbano em engenharia pesada

Um morador reaproveitou cerca de 5 mil pneus descartados, empilhou e reforçou com cimento para erguer um muro de contenção no Ceará, transformando lixo urbano em engenharia pesada


A alternativa seria dar uma grande volta pelas ruas asfaltadas, aumentando consideravelmente o tempo de percurso. A ausência de uma solução oficial levou o morador a agir de forma independente, aproveitando o tempo livre das férias para executar a obra.

Reaproveitamento de pneus como solução estrutural simples

Segundo a reportagem, Giovani reuniu aproximadamente 140 pneus usados, obtidos por meio de doações de comerciantes locais e borracharias. O material, que normalmente teria como destino o descarte irregular ou depósitos de lixo, foi transformado na base estrutural da escadaria.

(Foto: Aloizio Targino/ InfocoMS)

A técnica empregada consistiu em empilhar os pneus em fileiras, acompanhando a inclinação natural do terreno. Cada pneu foi preenchido com terra compactada, o que garantiu peso suficiente para evitar deslocamentos e criou uma base firme para cada degrau. O formato circular ajudou a distribuir a carga e a conter o solo, reduzindo a erosão no barranco.

Obra executada sem máquinas e com custo mínimo

Toda a construção foi realizada de forma manual, sem o uso de betoneiras, escavadeiras ou qualquer equipamento pesado. O trabalho foi feito ao longo de vários dias, durante o período de férias do morador, utilizando ferramentas simples e força física.

O custo financeiro foi praticamente nulo, limitado ao transporte dos pneus e ao esforço de compactação da terra. A solução chamou atenção justamente por demonstrar que um problema urbano recorrente podia ser resolvido com engenharia empírica, reaproveitamento de resíduos e iniciativa individual.

Um atalho que passou a ser usado diariamente pela comunidade

Após a conclusão da escadaria, o caminho improvisado passou a ser utilizado de forma contínua pelos moradores da região. O acesso entre as duas ruas tornou-se mais rápido, seguro e estável, mesmo em dias de chuva.

(Foto: Aloizio Targino/ InfocoMS)

De acordo com o Campo Grande News, a obra recebeu aprovação espontânea da vizinhança, que passou a cuidar do local e a utilizar o atalho como parte da rotina diária. O barranco, antes associado a risco e dificuldade, transformou-se em um ponto funcional de circulação comunitária.

Benefícios ambientais além da mobilidade

Além do ganho imediato em acessibilidade, a escadaria construída com pneus trouxe benefícios ambientais indiretos. O reaproveitamento de 140 pneus evitou que o material fosse descartado de forma inadequada, prática comum em áreas urbanas e rurais, onde pneus frequentemente acumulam água e se tornam focos de mosquitos transmissores de doenças.

A estrutura também ajudou a reduzir a erosão do solo, já que os pneus atuam como contenção física, diminuindo o escoamento de terra durante chuvas fortes.

Técnica já usada em outras soluções urbanas e rurais

A reportagem destaca que o uso de pneus como contenção de solo não é uma ideia isolada. Em outras regiões de Mato Grosso do Sul, soluções semelhantes já haviam sido aplicadas para conter terra em ciclovias e áreas de passagem, com registros de projetos que utilizaram centenas de pneus para estabilizar terrenos.

Essas iniciativas mostram que o material, quando corretamente empregado, pode funcionar como elemento estrutural simples em pequenas obras comunitárias, especialmente onde recursos financeiros são limitados.

O caso de Camapuã ilustra como soluções práticas, baseadas em observação e necessidade real, podem surgir fora do ambiente acadêmico ou institucional. Sem projeto técnico formal, mas com lógica estrutural básica, a escadaria de pneus se consolidou como uma resposta eficaz a um problema urbano recorrente.

Mais do que uma obra improvisada, a iniciativa se tornou um exemplo de como engenharia popular, reaproveitamento de resíduos e ação individual podem gerar impacto coletivo duradouro, transformando lixo em infraestrutura e dificuldades em soluções funcionais.

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Antonio Fernando do Nascimento
Antonio Fernando do Nascimento
07/02/2026 19:17

Isso já é normal em muitos lugares é usado pneus velhos pra fazer sapatas quando o terreno é muito úmido e corre o risco de as sapatas afundar então é usado os pneus

Eliany Vasconcelos
Eliany Vasconcelos
Em resposta a  Antonio Fernando do Nascimento
09/02/2026 09:11

Olá, tudo bem!? Bom dia!

Acredito que o mais importante nessa matéria é o fato de um cidadão comum, morador da localidade ter feito o trabalho (ainda que “artesanal”), que cabia ao poder público, pelo fato deste, ter negligenciado o local a vida inteira.
Ele doou seu tempo, sua força, empregou suas habilidades pelo bem comum, em favor da coletividade. Não cabia a ele, mas, ainda assim ele foi e fez. Ah… mas foi benefício p ele, alguem pode falar, sim. Como foi para uma comunidade toda, MAS, ele foi lá e fez. Cansou de esperar os m@l@ndros do poder.
Parabéns ao rapaz pela iniciativa.

Conhece o conto O Vestido Azul?
Uma história bem bonita, que fala sobre esse tipo de iniciativa. Vale a pena a leitura.

Boa semana e que Deus abençoe sempre sua vida! Um abraço fraternal.

EJACIDE PAPOTTI
EJACIDE PAPOTTI
07/02/2026 16:33

Um grande tapa na cara dos politicos locais que só lembram da população com promessas na época das eleições.

Otávio
Otávio
07/02/2026 15:06

Achei muito bom e incrível funciona muito bem lindo demais ótimo o trabalho dele parabéns

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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