Um homem de 25 anos furtou trator em Júlio de Castilhos (RS) e dirigiu a máquina por dois dias sem dormir pela rodovia BR-480 até ser abordado pela PRF em Chapecó (SC), onde confessou que pretendia cruzar três estados para vender o trator em Ciudad del Este no Paraguai.
Um trator circulando pela BR-480 na madrugada de segunda-feira (4) chamou atenção de caminhoneiros em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, estranhamento que resultou em denúncia à PRF (Polícia Rodoviária Federal) e na descoberta de história que mistura furto, dois dias sem dormir e plano de cruzar fronteira internacional pilotando máquina agrícola por rodovias movimentadas. A PRF abordou o trator e constatou que o veículo havia sido furtado de uma propriedade rural em Júlio de Castilhos, no Rio Grande do Sul, e que o condutor de 25 anos dirigia a máquina há aproximadamente dois dias consecutivos sem parar para descansar, com o objetivo de atravessar três estados brasileiros e entregar o trator a comprador que já o aguardava em Ciudad del Este, no Paraguai. Além de chamar atenção na rodovia, o suspeito também foi avistado por moradores ao cruzar a área central de Chapecó com o trator, cena que provavelmente nenhum chapecoense vai esquecer tão cedo.
O motorista do trator não possuía CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e confessou aos policiais que furtou a máquina após desentendimento com o patrão na propriedade rural gaúcha. Ele relatou que teria sido agredido pelo empregador, motivação que segundo o próprio suspeito justificaria o furto do trator como forma de compensação pelo tratamento recebido, raciocínio que a legislação brasileira não reconhece mas que evidencia o estado emocional de quem decidiu que a melhor resposta para uma briga de trabalho seria dirigir um trator por centenas de quilômetros até outro país. Os policiais informaram que o homem apresentava sinais de confusão, ausência de lucidez e relatos desconexos, condição compatível com alguém que passou dois dias sem dormir ao volante de máquina que não ultrapassa 40 km/h.
A rota improvável do trator entre o RS e o Paraguai

O trajeto que o suspeito planejou para o trator exigia cruzar pelo menos três estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, percurso que em carro levaria cerca de dez horas mas que num trator agrícola com velocidade máxima limitada demandaria dias de viagem ininterrupta. Saindo de Júlio de Castilhos no centro do Rio Grande do Sul, o trator precisou percorrer rodovias estaduais e federais até cruzar a divisa com Santa Catarina, atravessar o Oeste catarinense passando por Chapecó e seguir até o Paraná em direção à fronteira com o Paraguai em Ciudad del Este ou Foz do Iguaçu, roteiro que em condições normais ninguém tentaria com uma máquina agrícola. O fato de que o suspeito conseguiu percorrer essa distância por dois dias antes de ser abordado levanta questão sobre a fiscalização nas rodovias que permitiu a um trator furtado circular livremente por centenas de quilômetros.
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A passagem do trator pelo centro de Chapecó é o capítulo mais surreal da história. Uma máquina agrícola atravessando ruas urbanas na madrugada não é cena cotidiana nem no Oeste catarinense, região onde a presença de equipamentos rurais é mais comum do que em capitais, e moradores que avistaram o trator passando por semáforos e cruzamentos provavelmente oscilaram entre confusão e incredulidade. O suspeito não tentou desviar da área urbana nem buscar rotas alternativas menos visíveis, comportamento que os policiais atribuem ao estado de confusão mental provocado por dois dias sem sono e que pode ter contribuído para que ele fosse denunciado por caminhoneiros que reconheceram o absurdo da situação.
Como os caminhoneiros denunciaram o trator na BR-480
A abordagem da PRF só aconteceu porque motoristas profissionais que circulavam pela BR-480 estranharam a presença do trator na rodovia e acionaram as autoridades. Caminhoneiros que compartilham informações sobre condições das estradas por meio de rádio e aplicativos de comunicação identificaram a máquina agrícola trafegando em velocidade incompatível com o fluxo da rodovia e alertaram a PRF sobre a situação incomum. A denúncia permitiu que os policiais localizassem o trator em Chapecó e realizassem a abordagem que revelou não apenas o furto da máquina mas toda a trama que incluía travessia internacional e comprador previamente combinado no Paraguai.
A colaboração dos caminhoneiros foi decisiva porque o trator poderia ter continuado a viagem por mais horas ou dias sem ser interceptado. A velocidade reduzida da máquina agrícola não gera o tipo de infração que radares captam automaticamente, e a presença de tratores em rodovias rurais, embora regulamentada, não é tão incomum a ponto de acionar fiscalização imediata em todos os casos. Sem a atenção dos motoristas profissionais que perceberam que algo estava errado, o trator furtado poderia ter alcançado o Paraná ou até a fronteira com o Paraguai antes que qualquer autoridade tomasse conhecimento.
O que aconteceu com o suspeito e com o trator após a abordagem
O homem de 25 anos foi encaminhado à Polícia Civil de Chapecó, que abriu inquérito para investigar o furto do trator e as circunstâncias que levaram ao plano de travessia até o Paraguai. A existência de comprador aguardando em Ciudad del Este indica que o furto não foi ato impulsivo de momento mas operação planejada com destino e preço previamente combinados, elemento que pode agravar a situação legal do suspeito ao configurar associação com receptação de veículo furtado em território estrangeiro. O trator será devolvido ao proprietário em Júlio de Castilhos após as diligências policiais, e o suspeito responderá por furto qualificado e por dirigir sem habilitação.
A história do trator que quase chegou ao Paraguai é daquelas que parecem ficção mas que a realidade do interior do Brasil produz com regularidade que surpreende quem não conhece a dinâmica rural. A combinação entre desentendimento trabalhista, acesso fácil a máquinas agrícolas de valor elevado, fronteiras extensas e demanda por equipamentos no Paraguai cria condição que facilita crimes como o que o suspeito tentou cometer, e a distância entre o local do furto e a fronteira internacional é percorrível mesmo por trator se o condutor estiver disposto a passar dias acordado ao volante. O caso é alerta para proprietários rurais sobre a vulnerabilidade de máquinas estacionadas em propriedades onde o acesso nem sempre é controlado.
E você, consegue imaginar alguém dirigindo um trator por dois dias até o Paraguai? Já viu algo parecido nas rodovias? Deixe sua opinião nos comentários.

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