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MBRF cria a Sadia Halal com R$ 10,3 bilhões para vender frango brasileiro no deserto da Arábia Saudita, a nova empresa já nasce com fábricas em dois países, distribuição em cinco e mira uma abertura de capital na maior bolsa do Oriente Médio para se tornar potência global de proteínas

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 04/05/2026 às 14:48 Atualizado em 04/05/2026 às 14:51
MBRF cria Sadia Halal com R$ 10,3 bi para vender frango brasileiro no Oriente Médio. Fábricas em 2 países, distribuição em 5 e IPO na bolsa saudita. Entenda.
MBRF cria Sadia Halal com R$ 10,3 bi para vender frango brasileiro no Oriente Médio. Fábricas em 2 países, distribuição em 5 e IPO na bolsa saudita. Entenda.
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A MBRF e a HPDC concluíram a criação da Sadia Halal, empresa de R$ 10,3 bilhões para produção e distribuição de frango brasileiro certificado halal no Oriente Médio com fábricas na Arábia Saudita e Emirados, distribuição em Catar, Kuwait e Omã, e procedimentos para listagem na bolsa Tadawul.

O frango brasileiro acaba de ganhar estrutura bilionária para conquistar um dos mercados que mais crescem no planeta. A MBRF, que possui sede e atuação relevante em Itajaí (SC), concluiu com a HPDC a criação da Sadia Halal, empresa avaliada em aproximadamente US$ 2,07 bilhões (R$ 10,3 bilhões) dedicada exclusivamente à produção e distribuição de frango brasileiro e outras proteínas certificadas segundo normas islâmicas para o mercado do Oriente Médio e Norte da África (MENA). A operação reúne ativos industriais e logísticos que incluem fábricas e centros de distribuição na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, além de operações de distribuição no Catar, Kuwait e Omã, estrutura que faz a Sadia Halal nascer como empresa com presença em cinco países antes mesmo de completar o primeiro dia de operação.

A composição societária posiciona a MBRF como controladora absoluta da nova empresa de frango brasileiro para o mercado halal. A MBRF detém 90% de participação na Sadia Halal, enquanto a HPDC fica com os 10% restantes, parceria que combina a expertise da multinacional brasileira em proteínas com o conhecimento local da empresa saudita sobre o mercado islâmico. A HPDC já realizou aporte inicial de US$ 24,3 milhões (cerca de R$ 121 milhões) e prevê contribuição adicional de US$ 73,1 milhões (R$ 364 milhões) até o final de 2026, capital que será direcionado para expandir a capacidade produtiva e logística que sustenta a distribuição de frango brasileiro certificado halal na região.

O que é a Sadia Halal e por que o frango brasileiro está no centro da operação

MBRF cria Sadia Halal com R$ 10,3 bi para vender frango brasileiro no Oriente Médio. Fábricas em 2 países, distribuição em 5 e IPO na bolsa saudita. Entenda.

A Sadia Halal não é subsidiária nem marca secundária: é empresa independente projetada para ser referência global em proteínas halal. A nova estrutura incorpora fábricas que processam frango brasileiro e outras proteínas, centros de distribuição estrategicamente posicionados para abastecer mercados que juntos representam parcela significativa do consumo halal mundial, e exportações diretas de proteínas e produtos processados para toda a região MENA. “A nova empresa nasce como referência global multiproteínas em um dos mercados que mais impulsionam o crescimento da indústria alimentícia no mundo”, afirma Fabio Mariano, CEO da Sadia Halal e Vice-Presidente Halal da MBRF.

A escolha do frango brasileiro como produto central da operação reflete vantagem competitiva que o Brasil construiu ao longo de décadas. O país é um dos maiores exportadores mundiais de proteína avícola, e a cadeia produtiva que vai da soja que alimenta as aves até o frango processado que chega à mesa do consumidor no Oriente Médio é uma das mais eficientes do planeta, eficiência que permite ao frango brasileiro competir em preço e qualidade com produtores locais e de outros países exportadores. A Sadia Halal captura essa vantagem ao integrar a produção brasileira com infraestrutura de distribuição local que aproxima o produto do consumidor final.

Por que o mercado halal de R$ 10 trilhões atrai o frango brasileiro

Os números que sustentam a aposta da MBRF no frango brasileiro para o mercado halal são de escala que poucos setores da economia global oferecem. O mercado halal movimenta mais de US$ 2 trilhões por ano (cerca de R$ 9,96 trilhões), com o segmento de proteínas animais entre os que mais crescem, e estimativas indicam que o consumo de alimentos halal pode ultrapassar US$ 1,5 trilhão até 2027 (R$ 7,47 trilhões). A população muçulmana global já supera 1,9 bilhão de pessoas e apresenta ritmo de crescimento acima da média mundial, dinâmica demográfica que garante expansão sustentada da demanda por frango brasileiro e outras proteínas certificadas.

A demanda por produtos halal ultrapassa as fronteiras de países de maioria islâmica. Comunidades muçulmanas significativas em Europa, Ásia e Américas também consomem alimentos certificados, e um número crescente de consumidores não muçulmanos associa a certificação halal a padrões elevados de qualidade, higiene e práticas produtivas responsáveis. Para o frango brasileiro, essa ampliação do perfil consumidor significa mercado potencial que vai além da região MENA e que a Sadia Halal pode explorar à medida que consolida sua operação e expande a distribuição para territórios onde a certificação halal funciona como selo de confiança independentemente da motivação religiosa.

O que a possível abertura de capital na Tadawul significa para a Sadia Halal

A Sadia Halal já iniciou procedimentos para possível listagem na Tadawul, principal bolsa de valores da Arábia Saudita, movimento que sinaliza ambição de transformar a empresa de frango brasileiro em ativo negociado no coração financeiro do Oriente Médio. A abertura de capital permitiria captar recursos adicionais para expandir operações, atrair investidores sauditas e regionais que buscam exposição ao setor alimentício e dar liquidez à participação da HPDC, que sinalizou intenção de ampliar sua fatia para no mínimo 20% podendo chegar a 40% antes do IPO. A listagem na Tadawul posicionaria a Sadia Halal como uma das poucas empresas de frango brasileiro cotadas em bolsa do Oriente Médio, visibilidade que nenhuma marca alimentícia brasileira conquistou até agora nesse mercado.

Para a MBRF, a abertura de capital da Sadia Halal é mecanismo que valida o investimento e que pode multiplicar o valor dos ativos aportados. “Este momento é um marco em nosso compromisso de longo prazo com a Arábia Saudita e a região. Em parceria com a HPDC, estamos construindo uma empresa baseada em qualidade, escala e confiança”, declarou Marquinhos Molina, Chairman da Sadia Halal e CEO da MBRF na Arábia Saudita. A construção de empresa que nasce com R$ 10,3 bilhões em ativos e que mira bolsa saudita é aposta de que o frango brasileiro tem espaço permanente na dieta do Oriente Médio.

O que a criação da Sadia Halal significa para Itajaí e para o Brasil

A sede da MBRF em Itajaí (SC) conecta o movimento bilionário no Oriente Médio ao litoral catarinense. As exportações de frango brasileiro que abastecem a Sadia Halal passam pelo complexo portuário e industrial de Santa Catarina, cadeia que gera empregos em frigoríficos, transportadoras, empresas de embalagem e terminais portuários que sustentam a logística de enviar proteína do Sul do Brasil para o deserto da Arábia Saudita. A criação da Sadia Halal reforça a posição do Brasil como fornecedor estratégico de alimentos para o mundo islâmico e demonstra que o frango brasileiro compete em mercados onde a exigência de qualidade e certificação é mais rigorosa do que em qualquer outro segmento.

Fahad bin Suliman Alnuhait, CEO da HPDC, resume a posição que a Sadia Halal ocupa ao nascer: “Trata-se de uma empresa excepcionalmente bem-posicionada para destravar novas oportunidades e expandir sua atuação em múltiplos mercados”, avaliação que confirma a visão de que o frango brasileiro certificado halal é produto com demanda crescente e com cadeia de valor que o Brasil domina como poucos países no mundo. A Sadia Halal é a aposta de que essa demanda será atendida por empresa que combina escala brasileira com presença local no mercado que mais cresce na indústria alimentícia global.

E você, sabia que o frango brasileiro abastece o Oriente Médio com essa escala? Acha que o mercado halal é o futuro da proteína brasileira? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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