Cientistas australianos desenvolvem dispositivo que utiliza umidade do ar e energia renovável para a produção de hidrogênio verde. A tecnologia pode ser utilizada para descarbonizar regiões áridas.
Cientistas da Universidade de Melbourne, na Austrália, desenvolveram uma nova tecnologia capaz de gerar grandes quantidades de hidrogênio verde por meio da umidade do ar. O protótipo inovador consegue obter água em abundância, antes mesmo de dividi-la em hidrogênio e oxigênio. De acordo com os cientistas, o novo sistema de geração de energia renovável também pode operar em área onde a concentração de vapor de água no ar é inferior a 4%, isto é, pode ser utilizado em regiões áridas do planeta, onde não há água doce pura suficiente para que os equipamentos de produção de hidrogênio verde sejam abastecidos.
Dispositivo desenvolvido pelos cientistas da Universidade de Melbourne utiliza energia solar e eólica
Segundo o autor principal do estudo, o professor de engenharia química Jining Guo, neste trabalho, foi possível demonstrar que a umidade do ar pode ser utilizada diretamente para a produção de hidrogênio verde via eletrólise, por conta de sua disponibilidade universal e inesgotável para obtenção de combustível limpo e sem emissões prejudiciais ao meio ambiente.
O dispositivo desenvolvido pelos pesquisadores é um eletrolisador alimentado por energia solar, que pode quebrar a água em seus elementos básicos, oxigênio e hidrogênio. Como os eletrodos instalados em ambos os lados de uma unidade de coleta de água são isolados do ar, estes conseguem separar os gases em estado puro.
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Testes comprovam eficiência do dispositivo
Durante 12 dias diretos, cinco eletrolisadores atuaram em paralelo para dividir a água da umidade do ar em hidrogênio e oxigênio. Um material parecido com uma esponja foi utilizado para absorver o vapor de água e também funcionar como um tipo de reservatório de eletrólitos.
Apesar de existirem opções mais eficientes, a equipe concluiu que para os seus estudos, o ácido sulfúrico era o melhor material para servir como esponja para capturar água.
Segundo o autor, com esta configuração, os cientistas desenvolveram um módulo de eletrólise direta da umidade do ar que pode gerar hidrogênio verde em ambientes secos e com umidade relativa muito baixa, superando desafios de abastecimento de água e gerando combustível limpo com energia renovável e impacto mínimo ao meio ambiente.
Cientistas querem ampliar a eficiência do dispositivo
De acordo com os pesquisadores, esta nova tecnologia ainda está em seus estágios iniciais e várias configurações de eletrólise da umidade do ar foram testadas até então e, cada uma delas, produziu resultados distintos em termos de eficiência e capacidade de geração de energia renovável.
Segundo o professor Jining Guo, embora haja desafios, acredita-se que foi dado um passo essencial para tornar a energia de hidrogênio verde uma realidade prática e acessível.
O objetivo agora é melhorar a relação superfície-volume ou expandir as proporções do material esponjoso para garantir uma maior absorção de água, tornando seu uso em grande escala possível.

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