Medições feitas em uma mina ativa perto de Timmins, em Ontário, revelaram hidrogênio branco saindo naturalmente de rochas bilionárias do Escudo Canadense, com potencial para gerar energia, apoiar minas e reduzir dependência de combustíveis fósseis
Hidrogênio branco encontrado em rochas bilionárias do Escudo Canadense foi medido diretamente em uma mina ativa perto de Timmins, em Ontário. Geoquímicos da Universidade de Toronto e da Universidade de Ottawa acompanharam a acumulação natural do gás.
O estudo aponta uma possível fonte de energia limpa formada na crosta terrestre. As medições foram publicadas nos Anais da Academia Nacional de Ciências e relatam hidrogênio descarregando das rochas antigas do Escudo Canadense.
As perfurações avaliadas liberam, em média, 0,008 tonelada métrica por ano. O volume corresponde a cerca de 8 quilos de hidrogênio, peso comparado ao de uma bateria de carro.
-
Estudante brasileira cria fórmula barata que faz planta crescer até 90% mais rápido e ganha prêmio em competição científica mundial
-
Europa revela tanque blindado com torre remota, potência de 1.500 cavalos e canhão de 120 milímetros
-
Discos rígidos velhos podem esconder neodímio, disprósio, praseodímio e térbio, e empresa dos Estados Unidos amplia rede com nova unidade de 93 mil pés quadrados para recuperar terras raras usadas em carros elétricos, inteligência artificial, defesa e energia renovável
-
Guindaste gigante levanta até 3 mil toneladas, exige logística especial para chegar à obra e pode transformar operações de 18 horas em apenas 3 horas, acelerando içamentos de plataformas de petróleo, refinarias e usinas em projetos industriais gigantes
Segundo os pesquisadores, essas descargas podem continuar por 10 anos ou mais. O acompanhamento de longo prazo indicou acumulação e liberação sustentadas de hidrogênio natural gerado na crosta terrestre.

Hidrogênio branco medido em mina ativa
A estimativa feita a partir dos quase 15.000 furos existentes no local aponta descarga total superior a 140 toneladas métricas por ano. Esse potencial ganhou destaque por envolver dados medidos, não apenas quantidades teóricas.
As descargas poderiam fornecer 4,7 milhões de quilowatts de energia por ano a partir de um único local. Esse volume seria suficiente para atender às necessidades anuais de energia de mais de 400 residências.
Barbara Sherwood Lollar, professora da Universidade de Toronto e principal autora do estudo, afirmou que os dados sugerem oportunidades críticas inexploradas. Para ela, a fonte pode ser acessada nas rochas sob os pés.
O recurso, descrito como “feito no Canadá”, poderia apoiar centros industriais regionais. Também poderia reduzir a dependência de combustíveis à base de hidrocarbonetos.
Produção atual ainda depende de processos intensivos
A economia global do hidrogênio é uma indústria de US$ 135 bilhões. Seus usos principais estão em metanol e produção de aço, embora o maior uso seja na produção de fertilizantes.
Por isso, o hidrogênio é componente fundamental na agricultura e está ligado à segurança alimentar global. Atualmente, ele é produzido por processos industriais intensivos em energia e baseados na conversão de hidrocarbonetos.
Esses hidrocarbonetos estão presentes em combustíveis fósseis como petróleo, gás natural e carvão. Durante a produção, os processos também liberam monóxido de carbono e CO2.
Mesmo o hidrogênio verde, gerado a partir de fontes renováveis, consome muita energia. Ele também é caro de produzir e exige transporte e armazenamento de longa distância.
Até agora, o hidrogênio branco vinha sendo investigado quase exclusivamente por microbiologistas. Essas pesquisas buscavam entender a biosfera subterrânea e informar a astrobiologia e a exploração espacial.
A contribuição potencial do hidrogênio natural para a economia global permanecia especulativa. O estudo liderado pela Universidade de Toronto documentou grandes volumes e descargas sustentadas por anos.
Reações subterrâneas criam o gás natural
Sherwood Lollar explicou que o hidrogênio natural é produzido por reações químicas subterrâneas. Elas ocorrem entre rochas e águas subterrâneas dessas rochas.
Segundo a pesquisadora, o Canadá reúne áreas com rochas e minerais adequados para criar hidrogênio natural. Isso ocorre especialmente nos territórios do Escudo Canadense.
Os pesquisadores afirmam que o país tem potencial para oferecer alternativa ao hidrogênio produzido industrialmente. A proposta envolve fontes mais baratas e limpas, sem necessidade de hidrocarbonetos.
O estudo observa que os maiores volumes de hidrogênio natural aparecem nos cenários geológicos da mineração canadense. Esses locais incluem o norte de Ontário, Quebec, Nunavut e os Territórios do Noroeste.
Oliver Warr, coautor do estudo, resumiu a relação ao afirmar que “o elo comum é a rocha”. Ele associou o gás às mesmas formações ligadas a níquel, cobre e diamante.
Essas rochas também estão sob exploração de minerais essenciais, como lítio, hélio, cromo e cobalto. A co-localização dos recursos pode reduzir transporte, armazenamento e infraestrutura de hidrogênio.
Energia local para minas e comunidades
Os autores sugerem que esse recurso inexplorado poderia reduzir custos e pegadas de carbono para minas no Canadá. Também poderia fornecer energia limpa local para comunidades do norte.
Esse modelo poderia compensar emissões de carbono das indústrias de mineração. Além disso, teria potencial para reduzir os custos de transporte de combustível para comunidades no norte.
Com os novos dados, os pesquisadores dizem ter melhor compreensão da viabilidade econômica desse recurso. O hidrogênio branco pode ser mapeado em depósitos conhecidos e ainda não descobertos pelo mundo, em escala global.

Seja o primeiro a reagir!