Hanwha Ocean entrega 2 navios LNG de 174 mil m³ à MISC enquanto Coreia do Sul defende liderança contra avanço chinês no setor
O grupo malaio MISC Berhad realizou, em 7 de maio de 2026, a cerimônia de batismo de dois novos navios metaneiros: Seri Dian e Seri Dayang, segundo a Maritime Executive. Cada navio LNG tem capacidade de 174.000 metros cúbicos de gás natural liquefeito e foi construído pelo estaleiro Hanwha Ocean Co., Ltd., da Coreia do Sul.
De acordo com a The Star (Malásia), os dois navios LNG operarão sob afretamento de longo prazo com a SeaRiver Maritime LLC, subsidiária da ExxonMobil. Em paralelo, o presidente e CEO do grupo, Zahid Osman, destacou que a parceria reforça a segurança operacional e amplia a frota global.
O ponto-chave da entrega é geopolítico: a Coreia do Sul tenta segurar a liderança em LNG carriers diante de avanço chinês. Conforme cobertura especializada, estaleiros chineses entregaram, no mesmo período, navios de até 180 mil m³, encurtando a distância para os asiáticos do norte.
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Seri Dian e Seri Dayang: tecnologia smart e eficiência energética
Os dois navios LNG têm tanques tipo membrana com isolamento criogênico avançado. Em primeiro lugar, ambos operam com motor dual-fuel preparado para queimar boil-off gas (BOG) e óleo combustível de baixo enxofre. Em consequência, atendem aos limites da IMO 2020 e às regras da Tier III para emissões de NOx.
Conforme dados divulgados pela LNG Industry, os navios também incluem sistemas de monitoramento remoto em tempo real, com sensores em mais de 200 pontos do casco e da carga. Por outro lado, a Hanwha Ocean implementou um sistema híbrido de tratamento de gases de escape.
Para entender a escala, cada navio LNG de 174 mil m³ pode armazenar energia equivalente a 1,1 milhão de barris de petróleo. Em comparação, isso supre o consumo de eletricidade de uma cidade de 1 milhão de habitantes por 25 dias. Da mesma forma, o gás transportado abastece terminais regaseificadores em Europa, Japão, Coreia e China.

A geopolítica do LNG: Coreia, China e Catar disputam mercado
A indústria mundial de LNG carriers é dominada por três players: Coreia do Sul, China e (recentemente) Catar. Em 2025, a Coreia respondeu por cerca de 70% das encomendas globais, segundo dados do setor. Por outro lado, estaleiros chineses como Hudong-Zhonghua e China Merchants Heavy Industry vêm acelerando entregas.
Conforme análise do Offshore Energy, há atualmente 440 vessels dual-fuel em operação mundial e mais 764 navios em ordem. Em síntese, isso significa investimento privado superior a US$ 180 bilhões em construção naval LNG global.
Em paralelo, o Catar firmou contratos para entrega de mais de 100 navios LNG até 2028. Por consequência, a corrida pela frota mundial é tripolar: enquanto Coreia foca em alta tecnologia, China em volume e preço, Catar em integração vertical com sua produção de gás.
ExxonMobil e a estratégia da SeaRiver como freteador
A SeaRiver Maritime LLC, braço de transporte da ExxonMobil, fechou contrato de longo prazo com a MISC para operar Seri Dian e Seri Dayang. Em outras palavras, a ExxonMobil assegura previsibilidade no transporte de GNL extraído de seus campos no Catar, EUA e Moçambique.
De acordo com o anúncio oficial, os fretes serão usados em rotas Atlântico-Asia, com escalas em terminais como Sabine Pass (EUA), Ras Laffan (Catar) e Futtsu (Japão). Da mesma forma, parte da carga pode atender mercado europeu via Países Baixos e Reino Unido após bypass do Estreito de Hormuz em rotas alternativas.
- 174 mil m³ de capacidade de GNL por navio
- 2 navios LNG entregues simultaneamente
- 7 de maio de 2026 — data da cerimônia de batismo
- Hanwha Ocean — estaleiro construtor
- SeaRiver/ExxonMobil — freteador de longo prazo
Impacto para o Brasil e para o gás de Lula da Sierra
Para o Brasil, a expansão da frota global de LNG carriers importa diretamente. Em primeiro lugar, o país opera 5 terminais de regaseificação ativos: Pecém (CE), Bahia, Açu (RJ), Sergipe e Guanabara (RJ). Em segundo lugar, a Petrobras investe na produção doméstica de gás no pré-sal, mas ainda depende de importações para atender demanda térmica.
Da mesma forma, novos navios eficientes reduzem custo de frete spot, o que beneficia distribuidoras e indústria térmica brasileira. Em comparação, em 2022, custos de frete LNG chegaram a US$ 300 mil por dia em pico de crise europeia; em 2026, custo médio ronda US$ 80 mil por dia.
Por outro lado, a Petrobras avalia entrar em mercado spot de GNL para suprir falhas de produção interna. Por consequência, frota global mais moderna torna o suprimento brasileiro mais resiliente, principalmente em períodos de seca quando a hidreletricidade cai.

Por que o LNG ainda crescerá pelos próximos 10 anos
Apesar da transição energética, projeções da Agência Internacional de Energia indicam crescimento do consumo de gás natural até 2035, especialmente em Ásia e África. Em primeiro lugar, mais de 70 países usam gás para geração térmica como complemento de eólica e solar. Em segundo lugar, indústrias químicas e refinarias seguem dependentes de gás como matéria-prima.
Conforme análise, a oferta de LNG mundial deve dobrar até 2030, puxada por novos projetos nos EUA (Plaquemines, Corpus Christi, Rio Grande LNG), Catar (North Field East e South) e Austrália. Da mesma forma, África Ocidental ganha relevância com projetos da Mauritânia e Senegal.

Ressalva sobre concorrência chinesa
Embora a Coreia ainda lidere encomendas, analistas apontam que a China pode fechar gap em 2 a 3 anos em valor agregado. Em outras palavras, a vantagem coreana atual é cíclica, não estrutural. Por isso, MISC e ExxonMobil tendem a diversificar carteira entre estaleiros coreanos e chineses nos próximos pedidos.
Por outro lado, custos de mão de obra coreana subiram nos últimos anos. Em consequência, alguns analistas projetam consolidação entre Hanwha Ocean e HD Hyundai Heavy Industries até 2028. Outros desdobramentos do setor naval e energético seguem no acervo de matérias do Click Petróleo e Gás. Será que a próxima leva de pedidos virá da China em vez da Coreia?

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