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Guerra no Irã eleva preço dos fertilizantes, acende alerta no agronegócio brasileiro e leva governo a buscar novos fornecedores para evitar impactos na safra

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Escrito por Jefferson Augusto Publicado em 03/06/2026 às 12:42 Atualizado em 03/06/2026 às 12:48
Agricultor acompanha aumento dos custos dos fertilizantes para a próxima safra.
Alta dos insumos preocupa produtores rurais brasileiros.
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Escalada do conflito no Oriente Médio pressiona mercado global de insumos agrícolas, aumenta preocupação com custos de produção e força o Brasil a acelerar estratégias para garantir abastecimento

O agravamento da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel já começa a gerar reflexos diretos no agronegócio mundial. Um dos principais impactos está relacionado ao mercado de fertilizantes, cuja oferta global passou a enfrentar novas incertezas após o fechamento do Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio internacional. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo em 2 de junho de 2026, destacando que o tema se tornou prioridade na agenda internacional do governo brasileiro diante dos riscos para a próxima safra.

Segundo a reportagem, o chanceler Mauro Vieira levou a questão da importação de fertilizantes para o centro das negociações realizadas em Pequim durante o início desta semana. Além disso, a preocupação também esteve presente em viagens recentes ao Uzbequistão e ao Cazaquistão, países considerados estratégicos para a diversificação dos fornecedores de insumos agrícolas.

O movimento ocorre porque o Brasil continua altamente dependente da importação de fertilizantes, fator que aumenta a vulnerabilidade do setor agrícola diante de crises geopolíticas internacionais.

Conflito no Oriente Médio pressiona preços dos fertilizantes

O fechamento do Estreito de Hormuz elevou imediatamente a preocupação dos mercados internacionais.

A região possui papel fundamental na logística global de energia e matérias-primas, influenciando diretamente diversos segmentos econômicos.

Como consequência, os preços dos fertilizantes registraram forte pressão após o início da escalada militar envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

Dados do Banco Mundial mostram que o preço global dos fertilizantes aumentou 12% apenas no primeiro trimestre de 2026.

Além disso, em abril, os valores atingiram o maior nível registrado desde 2022.

O cenário preocupa ainda mais porque a expectativa da instituição financeira internacional aponta para uma alta acumulada de 30% ao longo de 2026.

Dessa forma, agricultores brasileiros acompanham com atenção os desdobramentos do conflito, principalmente porque os fertilizantes representam uma parcela significativa dos custos de produção agrícola.

Consequentemente, qualquer aumento expressivo nos preços pode afetar diretamente a rentabilidade das lavouras.

Governo intensifica negociações com China, Uzbequistão e Cazaquistão

Agricultor acompanha aumento dos custos dos fertilizantes para a próxima safra
Alta dos insumos preocupa produtores rurais brasileiros.

Diante desse cenário, o governo brasileiro vem adotando medidas para reduzir riscos de abastecimento.

A viagem de Mauro Vieira à China teve como objetivo principal reforçar o diálogo sobre fornecimento de fertilizantes para o Brasil.

O tema esteve presente em reuniões com Han Zheng, vice-líder chinês, e também com Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China.

Além disso, a agenda fez parte da 5ª edição do Diálogo Estratégico Global Brasil-China, mecanismo diplomático criado em 2014 para fortalecer as relações entre os dois países.

Paralelamente, o chanceler também realizou visitas ao Uzbequistão e ao Cazaquistão durante o mês de maio.

O objetivo dessas viagens foi ampliar a rede de fornecedores internacionais e diminuir a dependência de poucos mercados.

Segundo especialistas, a estratégia busca aumentar a segurança do abastecimento nacional diante de possíveis restrições comerciais ou novas crises geopolíticas.

Além disso, a diversificação reduz riscos associados a decisões unilaterais de grandes exportadores.

Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes

A preocupação do governo encontra respaldo nos números do setor.

Dados compilados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que 93% dos fertilizantes utilizados na agricultura brasileira em 2025 vieram do exterior.

Ou seja, apenas uma pequena parcela do consumo nacional é suprida por produção interna.

Essa dependência faz com que qualquer instabilidade internacional afete diretamente os custos do agronegócio brasileiro.

Além disso, o aumento dos preços dos fertilizantes costuma impactar não apenas os produtores rurais, mas toda a cadeia de alimentos.

Quando os custos sobem, a tendência é que parte dessa pressão seja repassada ao longo do processo produtivo.

Consequentemente, consumidores também podem sentir reflexos indiretos por meio da inflação dos alimentos.

Ureia está entre os produtos mais afetados pela crise

Entre os fertilizantes mais impactados pela atual conjuntura está a ureia.

Esse produto é um fertilizante nitrogenado amplamente utilizado no cultivo de milho, cana-de-açúcar e pastagens.

Além disso, sua fabricação depende diretamente do gás natural.

Como os preços do gás também sofreram pressão diante do conflito no Oriente Médio, a ureia acabou registrando elevação significativa nos custos.

O impacto preocupa especialmente produtores de grãos e pecuaristas.

Isso porque a utilização desse insumo é fundamental para garantir produtividade e eficiência em diversas atividades agropecuárias.

Consequentemente, aumentos persistentes podem comprometer o planejamento da próxima safra brasileira.

China é principal fornecedora, mas também representa risco estratégico

A China ocupa atualmente posição de destaque no fornecimento de fertilizantes ao Brasil.

Em 2025, o país respondeu por 26% de todo o volume importado pelo mercado brasileiro.

Logo atrás aparece a Rússia, responsável por 25% dos fertilizantes adquiridos pelo Brasil.

Embora a participação chinesa seja importante para garantir abastecimento, ela também representa um desafio estratégico.

Isso ocorre porque Pequim possui histórico de adoção de medidas de controle sobre exportações quando identifica riscos ao abastecimento interno.

Em momentos de instabilidade econômica ou geopolítica, o governo chinês costuma priorizar a segurança alimentar nacional.

Por esse motivo, o Brasil acompanha com atenção qualquer sinalização relacionada a possíveis restrições.

Histórico de restrições aumenta preocupação do mercado

O histórico recente reforça essas preocupações.

Em 2021, diante da alta dos preços internos, o governo chinês orientou fabricantes de fertilizantes a priorizarem o mercado doméstico.

Na época, diversas empresas anunciaram a suspensão de exportações.

Além disso, o país passou a exigir certificados de inspeção para o envio de fertilizantes e insumos relacionados.

A medida criou dificuldades para exportadores e foi interpretada por analistas como uma forma indireta de limitar vendas ao exterior.

Agora, segundo relatos de fontes do setor ouvidas pelas agências Reuters e Bloomberg, a China teria intensificado inspeções alfandegárias e restringido parte das exportações após o agravamento da guerra no Irã.

Embora não existam confirmações oficiais sobre bloqueios generalizados, o mercado permanece atento aos desdobramentos.

Agronegócio brasileiro busca alternativas para reduzir vulnerabilidade

Diante desse cenário, especialistas defendem que o Brasil avance rapidamente em estratégias de diversificação.

Segundo documento divulgado pela CNA, os custos provocados por conflitos internacionais já estão chegando ao produtor rural.

Por isso, a entidade considera essencial antecipar riscos e ampliar as opções de fornecimento.

Além disso, o fortalecimento de alternativas produtivas e tecnológicas aparece como uma das prioridades para reduzir a dependência externa.

A recomendação inclui investimentos em pesquisa, desenvolvimento de novas tecnologias agrícolas e ampliação da produção nacional de insumos.

Enquanto isso, o governo segue intensificando negociações diplomáticas para garantir o abastecimento antes do início da próxima safra de verão.

Cenário internacional continuará influenciando o mercado

A evolução da guerra no Irã continuará sendo acompanhada de perto por produtores, investidores e autoridades brasileiras.

Isso porque o mercado de fertilizantes permanece diretamente ligado às condições geopolíticas globais.

Se o conflito se prolongar ou provocar novas interrupções logísticas, os preços poderão continuar subindo nos próximos meses.

Por outro lado, uma estabilização da situação internacional pode aliviar parte das pressões atuais.

Até lá, o Brasil trabalha para fortalecer sua segurança de abastecimento e reduzir a exposição a riscos externos, em um momento decisivo para o agronegócio nacional e para o planejamento da safra 2026/27.

Você acredita que o Brasil deveria investir mais na produção nacional de fertilizantes para reduzir a dependência externa em momentos de crise internacional?

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