Dinamarca acusa grupos ligados à Rússia de ataques cibernéticos contra eleições e infraestrutura, elevando alerta de guerra híbrida no país.
Ataques cibernéticos colocam Dinamarca no centro de uma guerra híbrida
A Dinamarca denunciou oficialmente estar no centro de uma guerra híbrida após uma série de ataques cibernéticos que atingiram sistemas públicos, eleições locais e até uma estação de tratamento de água.
O governo dinamarquês afirmou, nesta quinta-feira (18), que as ações foram realizadas por grupos pró-russos ligados ao Estado da Rússia, levantando preocupações sobre segurança nacional, integridade democrática e infraestrutura crítica no país.
Os ataques ocorreram ao longo de 2024, incluindo durante eleições municipais e regionais, e levaram o governo a anunciar novas medidas de tecnologia e defesa digital.
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Segundo as autoridades, os ataques afetaram sites de partidos políticos, prefeituras, instituições públicas e uma empresa do setor de defesa, tornando-os inacessíveis em momentos estratégicos. Diante da gravidade, o governo confirmou que convocará o embaixador russo para prestar esclarecimentos.
Ataques cibernéticos durante eleições acendem alerta máximo
Na véspera das eleições municipais e regionais realizadas em novembro, a Dinamarca enfrentou um ataque cibernético coordenado que derrubou plataformas digitais essenciais ao processo democrático. Sites oficiais de partidos políticos, administrações municipais e órgãos públicos ficaram fora do ar por horas.
O ataque foi reivindicado por hackers pró-russos, o que, segundo o governo, reforça o caráter estratégico da ofensiva. Para as autoridades, a escolha do momento não foi aleatória e se insere em um contexto mais amplo de guerra híbrida, conceito que combina ações militares, políticas, informacionais e digitais.
“Consideramos que é muito provável. Estamos muito seguros de que se trata de grupos pró-russos ligados ao Estado russo”, afirmou o chefe do serviço de inteligência militar, Thomas Ahrenkiel.
Infraestrutura de água também foi alvo de ataques
Além do ambiente político, os ataques cibernéticos atingiram diretamente a infraestrutura crítica do país. No fim de 2024, uma estação de tratamento de água foi comprometida, resultando em falhas graves no sistema.
Segundo o ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, as consequências foram físicas e imediatas. “Após os ataques cibernéticos no fim de 2024, algumas tubulações de água explodiram e várias casas foram afetadas”, declarou durante coletiva de imprensa.
Portanto, esse episódio elevou o nível de alerta das autoridades, pois demonstra que ações digitais podem gerar impactos reais na vida da população, ampliando o escopo da guerra híbrida enfrentada pela Dinamarca.
Governo aponta ligação direta com a Rússia
As autoridades dinamarquesas reforçam, portanto, que os ataques não partiram de simpatizantes isolados. Para o governo, existem evidências claras de envolvimento direto de grupos ligados à Rússia, o que agrava de forma significativa o cenário diplomático.
Nesse contexto, o ministro de Segurança Civil, Torsten Schack Pedersen, ressaltou a gravidade da situação em entrevista à televisão pública DR. “É muito grave poder atribuir os ataques ao Estado russo. Não se trata apenas de simpatizantes, mas um grupo diretamente vinculado à Rússia. Isto ressalta que a situação é especialmente grave”, afirmou.
Além disso, o ministro destacou que o país vive um momento intermediário no campo geopolítico. “Não estamos em situação de guerra e não estamos em situação de paz. Estamos em uma guerra híbrida”, concluiu.
Dinamarca reage com reforço em tecnologia e defesa digital
Diante da escalada dos ataques cibernéticos, o governo da Dinamarca anunciou, portanto, um pacote de medidas para fortalecer sua segurança digital. Entre as ações, o país implementará uma nova rede nacional de segurança cibernética e criará um centro de operações online voltado à proteção de sistemas estratégicos.
Segundo Troels Lund Poulsen, a resposta do governo será contínua e proporcional ao nível da ameaça. “Tomamos inúmeras iniciativas e tomaremos outras, porque a forma de agir da Rússia é profundamente inaceitável”, afirmou.
Além disso, o investimento em tecnologia de defesa digital busca não apenas mitigar novos ataques, mas também ampliar a capacidade de resposta rápida e reforçar a coordenação entre órgãos públicos, municípios e empresas estratégicas.
Guerra híbrida expõe novo cenário de conflitos globais
O caso da Dinamarca evidencia, portanto, que a guerra híbrida se consolidou como uma ferramenta central nas disputas geopolíticas contemporâneas.
Diferentemente dos conflitos armados tradicionais, esse tipo de ofensiva combina desinformação, pressão política e ataques cibernéticos, o que dificulta respostas imediatas e coordenadas por parte dos Estados.
Além disso, especialistas avaliam que esse tipo de ação tende a se intensificar, sobretudo em países democráticos. Nesses locais, os sistemas digitais sustentam eleições, serviços públicos e infraestruturas essenciais, tornando-os alvos estratégicos.
Por fim, ao responsabilizar a Rússia, o governo dinamarquês sinaliza que tratará o episódio como uma ameaça direta à soberania nacional. Com isso, o país reforça a necessidade de ampliar a cooperação internacional em segurança cibernética e defesa digital.

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