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Parece uma floresta inteira, mas é uma única árvore: gigante com mais de 8.500 m², 20 metros de altura e mais de 3.000 raízes aéreas produz até 80 mil frutos por colheita e intriga cientistas há mais de 250 anos na Índia

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/03/2026 às 08:05
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Organismo único com mais de 250 anos cobre área equivalente a um campo de futebol com milhares de pilares naturais, produz dezenas de milhares de frutos por temporada e abriga uma cadeia alimentar inteira, desafiando a percepção humana sobre o que constitui uma única árvore.

O Grande Banyan, localizado no Jardim Botânico Acharya Jagadish Chandra Bose em Howrah, próximo a Calcutá, na Índia, é frequentemente confundido com um pequeno bosque por visitantes que percorrem seus trilhos internos, pois sua estrutura de mais de 3.000 pilares espalhados por cerca de 8.500 metros quadrados cria a ilusão visual convincente de um conjunto de árvores distintas.

A ilusão se desfaz ao se observar a copa como um todo: não há separação real entre as diferentes partes, pois tudo pertence a um único organismo que cresce há mais de dois séculos e meio, expandindo-se continuamente para os lados por meio de raízes aéreas que descem dos galhos, tocam o solo e se transformam em novos pilares de suporte.

O mecanismo de crescimento do banyan é singular na natureza: a partir de galhos horizontais, a árvore projeta raízes suspensas que descem em direção ao solo como cordas vivas e, ao encontrar umidade suficiente, enraízam-se e engrossam progressivamente até se tornarem pilares lenhosos capazes de sustentar o peso crescente da copa ao longo de décadas.

Com o tempo, o tronco original perde destaque visual entre os centenas de novos pilares formados, e em exemplares muito antigos pode até deixar de ser o ponto central identificável da estrutura, resultado de um processo de expansão lateral que transforma uma única árvore em algo que parece uma colônia de organismos distintos aos olhos de um observador desavisado.

Produtividade e ecossistema sustentado por um único organismo

O Grande Banyan produz dezenas de milhares de pequenos figos por temporada, com estimativas que chegam a 80 mil frutos por colheita, alimentando uma cadeia ecológica ampla que inclui aves de diferentes espécies, morcegos, macacos e outros animais que utilizam a enorme copa tanto como fonte de alimento quanto como habitat permanente ou temporário.

Para consumo humano direto, os figos do banyan têm pouco apelo comercial por serem pequenos e de baixo rendimento gastronômico, mas seu valor ecológico é considerável: a árvore funciona como um ecossistema autossuficiente capaz de sustentar uma biodiversidade relevante em um espaço que, visto de longe, parece um fragmento de mata densa e estruturada.

A copa de 8.500 metros quadrados equivale a uma área ligeiramente superior à de um campo de futebol padrão, toda ela sustentada não por um único tronco central robusto, mas por uma rede distribuída de mais de 3.000 pontos de apoio que repartem o peso e conferem ao conjunto uma estabilidade estrutural que um tronco único jamais poderia oferecer.

Essa arquitetura distribuída é, ao mesmo tempo, o que torna o banyan tão resistente ao longo do tempo: ao contrário de árvores convencionais, que dependem de um tronco central e podem ser derrubadas por ventos fortes ou doenças no ponto de base, o banyan pode perder galhos e até pilares individuais sem comprometer a sobrevivência e a continuidade do organismo como um todo.

O manejo que respeita o crescimento natural

A equipe de cuidadores do jardim botânico onde o Grande Banyan vive há séculos adota uma filosofia de manejo que prioriza a orientação em vez do controle rígido, removendo madeira morta, galhos doentes e obstruções de caminhos, mas respeitando o ciclo natural das raízes aéreas saudáveis e permitindo que a árvore continue sua expansão lateral ao longo dos anos.

Segundo relatos dos próprios cuidadores, a tentativa de controlar excessivamente a expansão do banyan por meio de podas agressivas e corte de raízes aéreas resulta em uma árvore fragilizada e desequilibrada, com copa densa mas estrutura comprometida, o oposto do que se observa em exemplares bem manejados que seguem seu crescimento natural de forma supervisionada.

Na prática, o manejo recomendado consiste em observar onde as raízes caem naturalmente antes de decidir o que remover, dar espaço à copa para se expandir em vez de forçá-la a uma forma predefinida, retirar apenas o que representa risco ou está doente e aceitar que a árvore irá gradualmente transformar o espaço ao seu redor conforme avança em sua expansão lateral.

Um alerta importante para quem manuseia banyans e outras espécies do gênero Ficus é o látex branco liberado nos cortes: a substância pode irritar pele e olhos, sendo recomendado o uso de luvas e a precaução de evitar tocar o rosto durante e após qualquer trabalho de poda ou manejo dos galhos e raízes da árvore.

Crescimento secular que desafia a percepção

A estimativa de que o Grande Banyan tem mais de 250 anos é baseada em registros históricos e documentação botânica, mas a própria natureza do crescimento do organismo torna difícil estabelecer com precisão absoluta sua origem, pois partes danificadas por tempestades e doenças ao longo dos séculos foram regeneradas pela rede de pilares que garante a continuidade do conjunto.

Essa capacidade de regeneração distribuída é uma das razões pelas quais os banyans podem atingir idades e dimensões tão impressionantes: enquanto a maioria das árvores é vulnerável a eventos catastróficos que comprometem o tronco principal, o banyan distribui seu risco estrutural por centenas ou milhares de pontos de apoio independentes que garantem a sobrevivência do todo.

Visitantes que percorrem o Grande Banyan relatam uma experiência sensorial singular: o ar sob a copa é mais fresco, a luz filtrada cria padrões únicos no chão, e a sensação de estar em um bosque se mantém mesmo após descobrir que toda aquela estrutura pertence a um único organismo, o que transforma a visita em uma experiência tanto botânica quanto filosófica sobre os limites do que consideramos um indivíduo.

A ciência botânica usa o Grande Banyan como referência para estudar os mecanismos de crescimento clonal e distribuído em plantas, bem como a resiliência de organismos que evoluíram estratégias de suporte estrutural radicalmente diferentes das adotadas pela maioria das árvores, oferecendo insights valiosos para pesquisadores interessados em longevidade, resistência ambiental e estratégias de ocupação de espaço na natureza.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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