Zara fecha lojas no Brasil, ultrapassa Nike em valor de marca e mostra a virada do varejo de moda para lojas maiores e operação digital.
A Zara virou a marca de moda mais valiosa do mundo em 2026, ultrapassando a Nike no ranking global da Kantar BrandZ, mas o avanço de marca veio junto de um movimento duro no varejo físico. Segundo levantamento publicado pelo RB 24 Horas e repercutido pelo ND Mais, a varejista espanhola fechou 136 lojas físicas no mundo, sendo 11 no Brasil. O contraste é o ponto central da pauta: a Zara não aparece como uma empresa em colapso global, mas como uma gigante que está encolhendo pontos físicos menos estratégicos enquanto reforça lojas maiores, tecnologia, logística e integração com o digital. A Kantar informa que a marca se tornou a mais valiosa do segmento de vestuário, superando a Nike.
O valor estimado da Zara passou de US$ 44 bilhões, com alta de 18%, enquanto a Nike ficou em cerca de US$ 41 bilhões, segundo o ranking Kantar BrandZ 2026 citado por InfoMoney e E-Commerce Brasil.
Zara fecha lojas no Brasil enquanto ultrapassa a Nike e assume liderança global no ranking de marcas de moda
A Zara, principal marca do grupo espanhol Inditex, alcançou em 2026 um feito simbólico no varejo global: passou a Nike e assumiu a liderança entre as marcas de vestuário mais valiosas do mundo. O ranking é da Kantar BrandZ, que mede o valor de marca das maiores empresas globais.
-
Receita Federal coloca iPhone 13 por R$ 480, PlayStation 4 por R$ 400 e Volkswagen Jetta por R$ 13,2 mil em leilão com 232 lotes; veja como participar
-
Gigante da tecnologia, Oracle demite 21 mil funcionários e aposta US$ 70 bilhões em inteligência artificial
-
Gigante chilena de R$ 10 bilhões fechou acordo para comprar 100% da St. Marche, avançou do atacarejo ao supermercado premium em São Paulo e abriu nova disputa no varejo de alta renda, onde qualquer mudança pode custar caro à marca
-
Depois de 60 anos entregando leite barato e vendo a margem sumir, família mineira comprou um tacho de R$ 20 mil, virou o leite da própria fazenda em doce premium e já faz 2 toneladas por dia rumo a R$ 32 milhões
Segundo o InfoMoney, a Zara cresceu 18% em valor de marca, superou US$ 44 bilhões e alcançou a 66ª posição no ranking global, à frente da Nike, que ficou em 69º lugar.
Esse avanço não significa expansão automática de lojas. Pelo contrário: a Zara cresceu em valor justamente em um momento em que o grupo Inditex vem priorizando uma operação mais enxuta, integrada ao digital e concentrada em lojas maiores.
Fechamento de 11 lojas da Zara no Brasil não indica falência, mas mudança de estratégia no varejo físico
O dado mais chamativo para o Brasil é o fechamento de 11 lojas da Zara no país, dentro de um movimento global de redução de pontos físicos. A reportagem do RB 24 Horas afirma que a marca fechou 136 lojas no mundo, sendo 11 no Brasil.
O próprio relatório anual da Inditex mostra que a redução de lojas faz parte de uma estratégia chamada pela empresa de Retail Optimisation. Segundo o grupo, as vendas cresceram 22% nos últimos três anos, enquanto o número de lojas caiu 6% e o espaço líquido de venda aumentou 6%.
Em 2025, a Inditex registrou vendas de € 39,9 bilhões, alta de 3,2%, lucro líquido de € 6,2 bilhões, alta de 6%, e terminou o exercício com 5.460 lojas no mundo.
A empresa também informou que as vendas online chegaram a € 10,7 bilhões e que a integração entre lojas físicas e canais digitais sustenta a experiência omnichannel do grupo.
Estratégia da Zara troca quantidade de lojas por unidades maiores, tecnologia e operação digital integrada
A lógica da Zara é simples e agressiva: menos lojas pequenas, mais lojas grandes, mais tecnologia e mais integração com o e-commerce. O movimento já havia sido identificado no Brasil em 2021, quando a CNN Brasil informou que a rede passava por reorganização mundial baseada em foco maior nas vendas digitais e no encerramento de lojas de menor porte.
Na época, a estratégia citada envolvia manter unidades com maior capacidade de apoiar a operação online, enquanto lojas menores e menos estratégicas perdiam relevância.
Agora, o movimento aparece em uma fase ainda mais sofisticada: a Zara não está apenas fechando lojas, mas reorganizando sua presença física em torno de produtividade, dados, logística, tecnologia e experiência de compra.
Valor bilionário da Zara mostra que loja fechada nem sempre significa marca enfraquecida
O caso da Zara mostra uma mudança importante no varejo: fechar loja não significa necessariamente perder força. No caso da Inditex, a empresa reportou vendas recordes, lucro líquido recorde e avanço de caixa operacional enquanto continuava otimizando sua base física.
A Kantar atribui a liderança da Zara no setor de vestuário à capacidade de construir relevância por meio de experiências personalizadas e compras impulsionadas por inteligência artificial.
Esse é o novo retrato do varejo premium: a vitrine física continua importante, mas precisa funcionar como plataforma de marca, retirada, troca, experiência e conversão digital — não apenas como ponto de venda tradicional.
Fechamento de lojas da Zara no Brasil expõe a nova fase do varejo de moda no país
No Brasil, o impacto simbólico é forte porque a Zara sempre ocupou um espaço de desejo no varejo de moda urbana. Ver a marca fechar unidades enquanto ganha valor global mostra que o mercado brasileiro também está dentro de uma transformação maior.
O varejo físico deixou de ser medido apenas pelo número de lojas abertas. Agora, marcas globais passam a avaliar localização, metragem, fluxo, custo de aluguel, integração com o digital e capacidade de gerar venda além da própria loja.
A Zara continua gigante. Mas a fase das redes que cresciam apenas espalhando vitrines por shopping centers parece cada vez mais distante.
Quando uma marca vale mais de US$ 44 bilhões e mesmo assim fecha lojas, a pergunta muda: o problema é a Zara — ou o modelo antigo de varejo físico que ficou caro demais para sobreviver do mesmo jeito?

