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Gelo de 6 milhões de anos é encontrado na Antártida e guarda ar ancestral preso desde antes dos humanos existirem

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 30/01/2026 às 02:07
Gelo de 6 milhões de anos encontrado na Antártida preserva ar do Mioceno e amplia registros diretos do clima antigo da Terra.
Gelo de 6 milhões de anos encontrado na Antártida preserva ar do Mioceno e amplia registros diretos do clima antigo da Terra.
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A descoberta de um núcleo de gelo com 6 milhões de anos na Antártida Oriental, datado diretamente por isótopos e contendo bolhas de ar do período Mioceno, amplia em mais de duas vezes o registro climático conhecido e oferece novas evidências sobre a evolução térmica do planeta ao longo de milhões de anos.

Cientistas identificaram na Antártida Oriental um núcleo de gelo com 6 milhões de anos, o mais antigo com datação direta já registrado, contendo ar aprisionado do período Mioceno, ampliando os registros climáticos e oferecendo novas evidências sobre a evolução térmica do planeta.

O achado foi detalhado em um estudo publicado em 28 de outubro na revista PNAS. As amostras apresentam mais que o dobro da idade dos núcleos de gelo mais antigos conhecidos anteriormente, que tinham cerca de 2,7 milhões de anos, segundo os autores.

A pesquisa foi liderada por Sarah Shackleton, cientista assistente da Instituição Oceanográfica Woods Hole, em Massachusetts. O trabalho analisou gelo e bolhas de ar preservadas naturalmente por milhões de anos.

Descoberta de gelo recordista na região de Allan Hills

O gelo recordista foi encontrado na área de gelo azul de Allan Hills, na Antártida Oriental, durante campanhas realizadas entre 2019 e 2023. A região está situada a cerca de 2.000 metros acima do nível do mar, conforme descrito no estudo.

Allan Hills é conhecida por expor gelo antigo próximo à superfície, permitindo a coleta de amostras profundas sem a necessidade de perfurações extremas. Ainda assim, o ambiente é considerado um dos mais hostis para trabalho de campo.

Perfuração, datação direta e métodos isotópicos

Para obter as amostras, os pesquisadores perfuraram entre 100 e 200 metros de profundidade na camada de gelo. Os núcleos extraídos passaram por datação direta baseada no decaimento radioativo de isótopos de argônio presentes nas bolhas de ar aprisionadas.

Além disso, a análise dos isótopos de oxigênio permitiu reconstruir a evolução térmica da região.

Os dados indicam um resfriamento constante de cerca de 12 graus Celsius ao longo dos últimos 6 milhões de anos, segundo os autores.

Registro climático do período Mioceno

O gelo e o ar analisados datam do período Mioceno, entre 23 milhões e 5,3 milhões de anos atrás. Naquele intervalo, a Terra apresentava temperaturas mais elevadas, níveis do mar mais altos e ecossistemas dominados por espécies hoje extintas.

Entre os animais que habitavam o planeta naquele período estavam tigres-dentes-de-sabre, girafas semelhantes ao ocápi, rinocerontes do Ártico e os primeiros mamutes, conforme descrito no material do estudo.

Preservação do gelo e implicações científicas

A preservação excepcional do gelo em Allan Hills é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo o movimento quase estático do gelo superficial, a topografia acidentada e condições ambientais extremas, como ventos fortes e frio intenso.

Segundo os pesquisadores, essas características impedem o acúmulo de neve recente e reduzem o deslocamento do gelo, criando condições únicas. Mesmo assim, os cientistas admitem que ainda há incertezas sobre os mecansimos exatos dessa preservação.

Os autores afirmam que a análise desses núcleos permite compreender melhor os níveis antigos de gases de efeito estufa e o aquecimento dos oceanos. Essas informações ajudam a identificar fatores naturais que influenciaram as mudanças climáticas ao longo da história da Terra.

O comunicado da Universidade Estadual do Oregon, que também participou da pesquisa, destaca que Allan Hills é um dos melhores locais do mundo para encontrar gelo antigo em pouca profundidade, embora seja um dos mais dificeis para longas temporadas científicas.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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