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Geleira na Antártida perde 25 km em 15 meses e bate recorde mundial de recuo glacial,segundo estudo publicado na revista científica Nature Geoscience pela equipe da pesquisadora Naomi Ochwat, da Universidade de Innsbruck

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 05/05/2026 às 10:41 Atualizado em 05/05/2026 às 10:52
Geleira na Antártida perde 25 km em 15 meses e bate recorde de recuo. Estudo na Nature revela colapso que pode se repetir em geleiras gigantes.
Geleira na Antártida perde 25 km em 15 meses e bate recorde de recuo. Estudo na Nature revela colapso que pode se repetir em geleiras gigantes.
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Uma geleira na Antártida perdeu 25 quilômetros em apenas 15 meses e bateu o recorde mundial de recuo glacial já documentado, o estudo publicado na Nature Geoscience revela um mecanismo de colapso que pode se repetir em geleiras gigantes e acelerar a elevação do nível do mar

A geleira Hektoria, na Antártida, registrou o recuo mais rápido já documentado em uma geleira continental: 25 km em 15 meses, entre janeiro de 2022 e março de 2023. O estudo, publicado na Nature Geoscience em novembro de 2025 pela equipe da pesquisadora Naomi Ochwat, da Universidade de Innsbruck, identificou um mecanismo de colapso por flutuabilidade que fragmentou a geleira em velocidade sem precedentes. O pico de afinamento chegou a 80 metros por ano, e cerca de 84 km² de gelo foram perdidos entre novembro de 2022 e março de 2023.

Uma geleira na Antártida perdeu 25 quilômetros de extensão em apenas 15 meses e bateu o recorde mundial de recuo glacial já documentado pela ciência moderna. A Hektoria, localizada na Península Antártica Oriental, no embaiamento de Larsen B, encolheu entre janeiro de 2022 e março de 2023 em uma velocidade que surpreendeu até os pesquisadores que a monitoravam. O estudo, publicado na Nature Geoscience pela equipe da glaciologista Naomi Ochwat, da Universidade de Innsbruck, revela que o colapso foi causado por um mecanismo que pode se repetir em geleiras muito maiores.

“Geleiras não costumam recuar tão rápido”, afirmou Adrian Luckman, professor de geografia da Swansea University e coautor do estudo, em comunicado oficial da universidade. A Hektoria é uma geleira relativamente pequena para padrões antárticos, com cerca de 298 km² de área, equivalente ao tamanho do município de Santos (SP). Mas o mecanismo que a destruiu é o que preocupa os cientistas: se o mesmo processo atingir geleiras gigantes como Thwaites e Pine Island, no Oeste Antártico, as consequências para o nível do mar seriam catastróficas.

Como o recuo de 25 quilômetros aconteceu em 15 meses

30 de outubro de 2022
imagem: NASA

O colapso da Hektoria não foi gradual: teve fases de aceleração que tornaram o evento ainda mais alarmante. Ao longo de 2022, a geleira perdeu cerca de 16 km de extensão, ritmo já considerado excepcional. Mas entre novembro e dezembro do mesmo ano, outros 8 km se desprenderam em apenas dois meses, acelerando o processo a um ponto que os instrumentos registraram terremotos glaciais causados pela fragmentação.

25 de Março de 2023
imagem: NASA

O pico de afinamento chegou a 80 metros por ano, e entre novembro de 2022 e março de 2024 foram perdidos cerca de 84 km² de gelo. As imagens divulgadas pela NASA Earth Observatory mostram o antes e o depois: onde havia gelo sólido, agora avança o mar aberto, transformando a paisagem da Península Antártica em um registro visual do que o aquecimento regional pode fazer quando encontra as condições certas.

O mecanismo que fragmentou a geleira por baixo

O estudo da Nature Geoscience identificou que o colapso da Hektoria foi causado por um processo chamado calving por flutuabilidade. A geleira estava apoiada sobre uma planície de gelo assentada em rocha plana e pouco profunda, e quando o gelo de fixação da plataforma Larsen B se rompeu em janeiro de 2022, a água do mar passou a infiltrar por baixo durante as marés altas.

Essa infiltração ergueu o gelo da base, fragmentando a geleira em sequência como peças de dominó. O processo é diferente do derretimento superficial que a maioria das pessoas associa ao aquecimento global: aqui, o oceano ataca por baixo, desestabilizando a estrutura que mantinha a geleira ancorada à rocha. Naomi Ochwat explicou que “a Hektoria é pequena, mas um evento assim em geleiras maiores seria catastrófico”, alerta que direciona a atenção para os gigantes do Oeste Antártico.

O contexto climático que desencadeou o colapso

O gatilho do recuo foi a perda do gelo de fixação da plataforma Larsen B, evento que ocorreu em janeiro de 2022 e que está inserido em um contexto de aquecimento regional na Península Antártica. A região é uma das áreas do planeta que mais aqueceu nas últimas décadas, e a desintegração progressiva das plataformas de gelo Larsen (A em 1995, B em 2002 e agora o remanescente) é consequência direta desse processo.

É importante entender que o colapso da Hektoria não foi causado por um evento climático isolado, mas pela combinação de aquecimento oceânico, perda de sustentação e geometria do leito rochoso. O processo é natural no sentido de que geleiras avançam e recuam ao longo de milênios, mas a velocidade registrada é sem precedentes na era moderna e consistente com as projeções de aceleração que os modelos climáticos vêm sinalizando há anos.

O que isso significa para Thwaites e Pine Island

A Hektoria é pequena, mas as geleiras Thwaites e Pine Island, no Oeste Antártico, têm condições de base semelhantes e são incomparavelmente maiores. Thwaites, apelidada de “geleira do fim do mundo”, sozinha contém gelo suficiente para elevar o nível do mar em mais de 60 centímetros se colapsar completamente. Pine Island, sua vizinha, adiciona outro tanto. Juntas, representam uma das maiores ameaças de longo prazo para cidades costeiras em todo o mundo.

Ted Scambos, pesquisador sênior do CIRES, da Universidade do Colorado Boulder, descreveu o evento como “um choque” que “muda o que acreditávamos ser possível” em termos de velocidade de recuo glacial. Se o mecanismo de calving por flutuabilidade se repetir em Thwaites, o cronograma de risco para a elevação do nível do mar se antecipa em décadas, afetando diretamente infraestrutura costeira, terminais portuários e cidades que hoje operam sem considerar esse cenário.

A escala do problema: quanto gelo a Antártida contém

Para dimensionar o risco, a Antártida como um todo contém gelo equivalente a cerca de 58 metros de elevação do nível do mar global. A Hektoria contribuiu com uma fração microscópica desse total, mas o mecanismo que a destruiu funciona como alerta de que processos considerados lentos podem se acelerar dramaticamente quando as condições se alinham.

A comunidade científica já monitora a Antártida com satélites de alta precisão como NISAR (parceria NASA-ISRO) e SWOT, capazes de medir deslocamentos de gelo com resolução centimétrica. Esses instrumentos serão essenciais para detectar sinais precoces de que Thwaites ou Pine Island estão entrando no mesmo padrão de colapso que transformou a Hektoria de uma geleira de 298 km² em mar aberto em pouco mais de um ano.

Você sabia que uma geleira na Antártida encolheu 25 km em 15 meses e que o mesmo mecanismo pode atingir geleiras gigantes que afetariam o nível do mar no mundo inteiro? Conte nos comentários o que pensa sobre a velocidade do derretimento e se acha que o Brasil está preparado para a elevação do nível do mar.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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