Com gasolina mais cara, famílias americanas de baixa renda passaram a comprometer 4,2% da renda com combustível em março, enquanto parte dos consumidores recorre ao cartão de crédito e ao “compre agora, pague depois” para aliviar o orçamento diante da alta do petróleo
Famílias americanas estão recorrendo ao cartão de crédito e ao “comprar agora, pagar depois” para aliviar o peso da gasolina, depois que os combustíveis passaram a consumir fatia maior da renda em março. Dados do Bank of America Institute mostram pressão mais forte sobre consumidores de baixa renda, que gastaram 4,2% da renda com gasolina, ante 3,9% no ano anterior.
A média das famílias de todas as faixas de renda também subiu, mas em ritmo menor. Em março, esse grupo destinou cerca de 3,1% da renda à gasolina, acima dos 2,8% registrados no mesmo período do ano passado.
Cartão de crédito vira saída diante da alta da gasolina
O avanço dos preços levou parte dos consumidores a buscar alternativas de curto prazo para manter o orçamento funcionando. Entre elas estão o uso maior do cartão de crédito e das opções de pagamento parcelado conhecidas como “compre agora, pague depois”.
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O impacto aparece de forma mais intensa entre famílias com menor renda disponível. Cerca de 10% dos consumidores de baixa renda gastaram mais de 10% da renda familiar com gasolina em março, enquanto essa proporção foi de 6% entre famílias de renda mais alta.
David Tinsley, economista sênior do Bank of America Institute, afirmou que famílias de baixa renda destinam fatia maior da renda à gasolina porque têm menos espaço para gastos discricionários. Essa combinação torna a alta dos combustíveis mais pesada para esse grupo.
A pressão veio em meio à guerra com o Irã, que restringiu exportações de petróleo do Oriente Médio. O barril passou da faixa dos US$ 70, antes do conflito, para mais de US$ 100.
Esse movimento elevou a gasolina em mais de 40%. A média nacional acompanhada pela AAA subiu para mais de US$ 4,50 por galão, ampliando o peso do combustível nos orçamentos.
Alta atual é dolorosa, mas menor que choques anteriores
Tinsley afirmou que o aumento do gasto com gasolina como percentual da renda precisa ser observado com cautela. Ele lembrou que houve picos maiores depois da crise financeira e também após a COVID-19.
Choques semelhantes nos preços pressionaram consumidores durante a crise financeira de 2008 e na recuperação iniciada em 2011 e 2012. Os preços também subiram após a pandemia, quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022.
Mesmo sem atingir aqueles níveis, a alta atual representa um aperto relevante para as famílias. O problema se concentra principalmente em quem depende mais do orçamento mensal e tem menor margem para absorver gastos inesperados.
Os salários trouxeram algum alívio, mas de forma desigual entre os grupos de renda. Famílias de renda mais alta registraram crescimento salarial superior a 5% em relação ao ano anterior.
Entre famílias de baixa renda, o crescimento foi de apenas 1% até março. Para famílias de renda média, o avanço salarial ficou em 2%, bem abaixo do observado no topo da distribuição.
Pagamentos parcelados ajudam pouco no panorama geral
Diante desse cenário, Tinsley afirmou que consumidores ainda têm algumas margens de manobra. Uma delas é pegar mais dinheiro emprestado no cartão de crédito, já que a relação com os limites disponíveis não está especialmente apertada no momento.
Ele observou que a situação geral dos consumidores diante dos limites de crédito está parecida com a de antes da pandemia. Isso ajuda a explicar por que o cartão de crédito aparece como uma opção para atravessar o choque atual.
Outra saída é usar mais o “compre agora, pague depois”, especialmente entre famílias de baixa e média renda. Essas opções permitem diluir gastos ao longo de alguns meses, mas não mudam substancialmente o quadro geral.
Tinsley destacou uma limitação importante desse modelo. Pessoas que costumam usar o “compre agora, pague depois” geralmente têm menos limite disponível em seus cartões.
Poupança maior ajuda a conter parte do choque
Um ponto positivo nos dados do Bank of America Institute é que famílias de todas as faixas de renda possuem mais dinheiro guardado do que antes da pandemia. Tinsley afirmou que essas famílias têm cerca de 10% mais depósitos de poupança em suas contas.
A melhora foi atribuída, em grande parte, aos reembolsos do imposto de renda. Ele citou que o programa One Big Beautiful envolveu estímulos aos consumidores, muitos deles recebidos por meio desses reembolsos neste ano.
Os reembolsos estão cerca de 10% maiores, e parte desse dinheiro foi poupada. Essa reserva pode ajudar famílias a enfrentar o choque nos combustíveis por algum tempo.
Ainda assim, o cartão de crédito segue como uma ferramenta usada para compensar o peso da gasolina no orçamento. Para consumidores de baixa e média renda, o desafio continua sendo equilibrar combustível, crédito, parcelamento e renda mensal.
Com informações de foxbusiness.
