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Gasolina dispara nos EUA e empurra famílias para o cartão de crédito enquanto renda apertada faz o “compre agora, pague depois” virar saída emergencial

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 10/05/2026 às 18:11 Atualizado em 10/05/2026 às 21:25
Gasolina mais cara leva americanos ao cartão de crédito e pressiona famílias de baixa renda nos EUA.
Gasolina mais cara leva americanos ao cartão de crédito e pressiona famílias de baixa renda nos EUA.
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Com gasolina mais cara, famílias americanas de baixa renda passaram a comprometer 4,2% da renda com combustível em março, enquanto parte dos consumidores recorre ao cartão de crédito e ao “compre agora, pague depois” para aliviar o orçamento diante da alta do petróleo

Famílias americanas estão recorrendo ao cartão de crédito e ao “comprar agora, pagar depois” para aliviar o peso da gasolina, depois que os combustíveis passaram a consumir fatia maior da renda em março. Dados do Bank of America Institute mostram pressão mais forte sobre consumidores de baixa renda, que gastaram 4,2% da renda com gasolina, ante 3,9% no ano anterior.

A média das famílias de todas as faixas de renda também subiu, mas em ritmo menor. Em março, esse grupo destinou cerca de 3,1% da renda à gasolina, acima dos 2,8% registrados no mesmo período do ano passado.

Cartão de crédito vira saída diante da alta da gasolina

O avanço dos preços levou parte dos consumidores a buscar alternativas de curto prazo para manter o orçamento funcionando. Entre elas estão o uso maior do cartão de crédito e das opções de pagamento parcelado conhecidas como “compre agora, pague depois”.

O impacto aparece de forma mais intensa entre famílias com menor renda disponível. Cerca de 10% dos consumidores de baixa renda gastaram mais de 10% da renda familiar com gasolina em março, enquanto essa proporção foi de 6% entre famílias de renda mais alta.

David Tinsley, economista sênior do Bank of America Institute, afirmou que famílias de baixa renda destinam fatia maior da renda à gasolina porque têm menos espaço para gastos discricionários. Essa combinação torna a alta dos combustíveis mais pesada para esse grupo.

A pressão veio em meio à guerra com o Irã, que restringiu exportações de petróleo do Oriente Médio. O barril passou da faixa dos US$ 70, antes do conflito, para mais de US$ 100.

Esse movimento elevou a gasolina em mais de 40%. A média nacional acompanhada pela AAA subiu para mais de US$ 4,50 por galão, ampliando o peso do combustível nos orçamentos.

Alta atual é dolorosa, mas menor que choques anteriores

Tinsley afirmou que o aumento do gasto com gasolina como percentual da renda precisa ser observado com cautela. Ele lembrou que houve picos maiores depois da crise financeira e também após a COVID-19.

Choques semelhantes nos preços pressionaram consumidores durante a crise financeira de 2008 e na recuperação iniciada em 2011 e 2012. Os preços também subiram após a pandemia, quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022.

Mesmo sem atingir aqueles níveis, a alta atual representa um aperto relevante para as famílias. O problema se concentra principalmente em quem depende mais do orçamento mensal e tem menor margem para absorver gastos inesperados.

Os salários trouxeram algum alívio, mas de forma desigual entre os grupos de renda. Famílias de renda mais alta registraram crescimento salarial superior a 5% em relação ao ano anterior.

Entre famílias de baixa renda, o crescimento foi de apenas 1% até março. Para famílias de renda média, o avanço salarial ficou em 2%, bem abaixo do observado no topo da distribuição.

Pagamentos parcelados ajudam pouco no panorama geral

Diante desse cenário, Tinsley afirmou que consumidores ainda têm algumas margens de manobra. Uma delas é pegar mais dinheiro emprestado no cartão de crédito, já que a relação com os limites disponíveis não está especialmente apertada no momento.

Ele observou que a situação geral dos consumidores diante dos limites de crédito está parecida com a de antes da pandemia. Isso ajuda a explicar por que o cartão de crédito aparece como uma opção para atravessar o choque atual.

Outra saída é usar mais o “compre agora, pague depois”, especialmente entre famílias de baixa e média renda. Essas opções permitem diluir gastos ao longo de alguns meses, mas não mudam substancialmente o quadro geral.

Tinsley destacou uma limitação importante desse modelo. Pessoas que costumam usar o “compre agora, pague depois” geralmente têm menos limite disponível em seus cartões.

Poupança maior ajuda a conter parte do choque

Um ponto positivo nos dados do Bank of America Institute é que famílias de todas as faixas de renda possuem mais dinheiro guardado do que antes da pandemia. Tinsley afirmou que essas famílias têm cerca de 10% mais depósitos de poupança em suas contas.

A melhora foi atribuída, em grande parte, aos reembolsos do imposto de renda. Ele citou que o programa One Big Beautiful envolveu estímulos aos consumidores, muitos deles recebidos por meio desses reembolsos neste ano.

Os reembolsos estão cerca de 10% maiores, e parte desse dinheiro foi poupada. Essa reserva pode ajudar famílias a enfrentar o choque nos combustíveis por algum tempo.

Ainda assim, o cartão de crédito segue como uma ferramenta usada para compensar o peso da gasolina no orçamento. Para consumidores de baixa e média renda, o desafio continua sendo equilibrar combustível, crédito, parcelamento e renda mensal.

Com informações de foxbusiness.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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