Experimento escolar no Canadá reacende debate histórico sobre o suposto “raio da morte” de Arquimedes, ao testar em laboratório a concentração de luz por espelhos e seus efeitos térmicos mensuráveis.
Um experimento escolar realizado no Canadá voltou a colocar em debate uma das histórias mais conhecidas da Antiguidade: o chamado “raio da morte” atribuído a Arquimedes.
O projeto foi desenvolvido por Brenden Sener, estudante de Londres, na província de Ontário, e buscou testar, em ambiente controlado, se a concentração de luz por espelhos é capaz de elevar significativamente a temperatura de um alvo.
Reportagens publicadas à época indicam que o estudante tinha 12 ou 13 anos, a depender do momento da divulgação do trabalho.
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O estudo foi apresentado em feiras de ciência e posteriormente descrito em artigo no Canada Science Fair Journal, onde o autor detalha metodologia, medições e resultados obtidos em laboratório.
A iniciativa não comprova que Arquimedes tenha utilizado um dispositivo semelhante durante o cerco a Siracusa, no século III a.C.
O experimento se limita a analisar o princípio físico envolvido: a reflexão e a concentração de energia luminosa em um ponto específico, com registro de variação térmica mensurável.
Origem histórica do raio da morte de Arquimedes
Relatos antigos atribuem a Arquimedes a criação de um sistema de espelhos que teria sido usado para concentrar a luz solar contra embarcações inimigas durante o cerco romano a Siracusa, em 212 a.C.
Segundo essas narrativas, a energia refletida teria aquecido partes de madeira dos navios até provocar incêndio.
Não há, porém, descrição técnica detalhada preservada da época nem evidência arqueológica direta do suposto artefato.
A história é conhecida por meio de registros posteriores, o que levou parte da comunidade acadêmica, ao longo dos séculos, a tratar o episódio com ceticismo.
No século XVII, o filósofo René Descartes questionou a plausibilidade da arma descrita nos relatos.
Outros estudiosos também apontaram a ausência de provas materiais e a dificuldade prática de execução como fatores que fragilizam a narrativa histórica.
Ainda assim, a hipótese continuou a ser discutida em estudos sobre história da ciência e tecnologia, sobretudo porque o princípio óptico envolvido — a concentração de luz por espelhos — é fisicamente demonstrável.
Experimento com espelhos côncavos e medição de temperatura
No artigo publicado no Canada Science Fair Journal, Sener descreve a montagem de um sistema com uma lâmpada de aquecimento e quatro espelhos côncavos posicionados para refletir luz em um mesmo ponto fixo.
O objetivo foi medir a variação de temperatura no alvo conforme o número de espelhos aumentava.
Para isso, ele utilizou lâmpadas de 50 W e 100 W, além de um termômetro infravermelho para registrar as medições.
As leituras foram feitas em triplicata, com o intuito de reduzir variações e permitir comparação entre os cenários testados.
De acordo com os dados apresentados no artigo, houve aumento progressivo da temperatura à medida que novos espelhos foram adicionados ao arranjo.
O aquecimento também se mostrou mais intenso quando a potência da fonte de luz passou de 50 W para 100 W.
As tabelas divulgadas no estudo indicam que, no cenário com maior potência e quatro espelhos, a temperatura registrada superou 50 °C, partindo de uma linha de base próxima de 21 °C.
O trabalho não teve como meta provocar combustão, mas sim observar a relação entre número de refletores e aquecimento localizado.
Testes modernos e limites práticos do “raio da morte”
O debate sobre o chamado “raio da morte” não se restringe a projetos escolares.
Em 2005, uma equipe ligada ao MIT participou de experimentos associados ao programa de televisão MythBusters para avaliar a viabilidade da hipótese em escala maior.
Registros institucionais do próprio MIT relatam dificuldades para manter o alinhamento preciso dos espelhos quando o alvo estava em movimento.
Em determinados testes, houve geração de fumaça e escurecimento da superfície atingida após alguns minutos de exposição concentrada à luz.
Cobertura da CBS News sobre os experimentos apontou que, em distâncias maiores, o efeito se limitou a material chamuscado, sem chama sustentada.
Em testes realizados a menor distância, houve registro de um foco inicial de fogo que não se manteve por tempo prolongado.
O produtor executivo do MythBusters afirmou, na ocasião, que os resultados indicavam baixa viabilidade prática do sistema como arma em condições reais.
Especialistas costumam destacar que fatores como vento, variação do ângulo solar, instabilidade dos refletores e movimento das embarcações podem comprometer significativamente o desempenho do arranjo em um cenário de combate.
Entre plausibilidade física e uso histórico
Os resultados apresentados por Sener indicam que a concentração de luz por meio de espelhos côncavos aumenta a temperatura de um ponto focal de maneira mensurável em ambiente controlado.
Esse dado confirma o funcionamento do princípio óptico básico envolvido na narrativa histórica.
Por outro lado, a existência do efeito físico não equivale à comprovação de uso militar na Antiguidade.
A aplicação em contexto de guerra dependeria de variáveis que não foram reproduzidas nem no experimento escolar nem nos testes modernos amplamente divulgados.
Pesquisadores da área de história da ciência costumam distinguir, nesse debate, a viabilidade teórica do fenômeno da sua implementação prática em larga escala.
A ausência de documentação técnica contemporânea ao cerco de Siracusa mantém o episódio no campo das hipóteses históricas.
Ao transformar uma narrativa antiga em experimento mensurável, iniciativas como a de Sener ajudam a delimitar o que pode ser observado em laboratório e o que permanece sem comprovação documental.


Estamos a falar do mesmo raio da morte que foi tentado por profissionais no Mythbusbers a uns anos (largos!!!) atrás, em escala real se não me engano. E foi comprovado falso?!
Ele tentou , mas não conseguiu fazer o raio da morte.
Dá pra ver que é ia