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4 comentários 6 min de leitura

Gari brasileiro construiu máquina para reciclar garrafas PET no sertão da Paraíba, transformou o lixo que varria nas ruas em fios, vassouras e equipamentos vendidos até fora do Brasil, e passou a faturar cerca de R$ 7,5 mil por mês com a própria invenção

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Escrito por Ana Alice Publicado em 09/07/2026 às 22:21 Atualizado em 09/07/2026 às 22:24
Assista o vídeoGari brasileiro criou máquina que transforma garrafas PET em vassouras e renda no sertão da Paraíba, unindo reciclagem e inovação popular. - Foto: Reprodução/Giorggio Abrantes
Gari brasileiro criou máquina que transforma garrafas PET em vassouras e renda no sertão da Paraíba, unindo reciclagem e inovação popular. – Foto: Reprodução/Giorggio Abrantes
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No alto sertão da Paraíba, o gari Giorggio Abrantes transformou garrafas PET encontradas nas ruas em matéria-prima para vassouras, cordas de varal e uma máquina simples de reciclagem vendida a outras pessoas.

Morador de Aparecida, ele ficou conhecido como “gari ecológico” e passou a faturar cerca de R$ 7,5 mil por mês com o equipamento, segundo reportagem do G1.

A história ganhou repercussão por reunir reciclagem, geração de renda e uma invenção criada fora de laboratórios ou grandes centros industriais.

Giorggio começou reaproveitando garrafas descartadas que via durante o trabalho de limpeza urbana e, depois, aprendeu a fabricar as próprias máquinas para atender pessoas que perguntavam nas redes sociais como poderiam fazer o mesmo.

O caso também se conecta ao cenário da reciclagem no Brasil.

Em 2025, dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria do PET indicaram que o país reciclou 410 mil toneladas de embalagens PET pós-consumo em 2024, volume 14% superior ao registrado no levantamento anterior.

Ainda assim, parte das embalagens depende de coleta, triagem e iniciativas locais para voltar à cadeia produtiva.

Nesse contexto, a máquina criada por Giorggio passou a circular como exemplo de reaproveitamento em pequena escala.

O equipamento corta garrafas em fios, transforma o plástico em material reutilizável e permite a fabricação de produtos simples, como vassouras, varais, bolsas e chapéus.

Segundo o próprio gari, a ideia nasceu da necessidade de gerar renda e aproveitar um resíduo que aparecia todos os dias em seu caminho.

Gari ecológico no sertão da Paraíba

Giorggio Abrantes vive em Aparecida, município do sertão paraibano.

Antes de ficar conhecido nas redes sociais, trabalhava varrendo ruas e recolhendo resíduos descartados pela cidade.

Foi nesse contato diário com o lixo urbano que ele passou a observar a quantidade de garrafas PET jogadas fora.

A percepção apareceu em uma fala reproduzida pelo g1/PEGN, na qual ele explicou que encontrava muitas garrafas durante o expediente e decidiu aproveitá-las para fabricar um produto sustentável.

“Eu trabalho varrendo a rua e encontro muitas garrafas diariamente. Então, eu resolvi aproveitar as garrafas que eu encontrava e fabricar um produto bom, sustentável”, afirmou.

Giorggio Abrantes, gari brasileiro que construiu máquina de reciclagem | Foto:Reprodução/Instagram
Giorggio Abrantes, gari brasileiro que construiu máquina de reciclagem | Foto:Reprodução/Instagram

A primeira atividade ligada ao reaproveitamento foi a produção de vassouras.

Com o tempo, o processo se ampliou para outros itens, como cordas de varal feitas com fios retirados das garrafas.

A trajetória pessoal também aparece nas reportagens sobre o caso.

Giorggio contou em entrevistas que teve contato com a fabricação de vassouras de PET durante uma internação em clínica de reabilitação para tratar o alcoolismo.

Da clínica à oficina de reciclagem

Reportagens publicadas pelo UOL Ecoa e pelo Terra registram que Giorggio aprendeu a produzir vassouras com garrafas PET durante o período de reabilitação.

Após o tratamento, ele passou a usar esse conhecimento para complementar a renda e reorganizar a rotina familiar.

Segundo relato ao Terra, uma das tarefas realizadas na clínica envolvia a fabricação de vassouras com garrafas reaproveitadas.

Foi nesse ambiente que ele teve o primeiro contato com o processo de transformar o plástico em fios e moldá-lo em um produto de uso doméstico.

Ao voltar para casa, Giorggio continuou como gari concursado e começou a produzir vassouras.

O trabalho manual virou conteúdo para a internet, onde ele passou a publicar tutoriais mostrando como cortar garrafas, montar equipamentos e transformar o material em objetos.

A exposição nas redes ampliou o alcance da iniciativa.

Pessoas começaram a perguntar onde poderiam comprar as máquinas usadas no processo, e Giorggio decidiu aprender solda para fabricar os equipamentos.

“De tanto ter comentário, as pessoas perguntando onde eu conseguia aquelas máquinas, como poderiam comprar, eu resolvi aprender a soldar para poder fazer as máquinas e vender para os clientes que comentavam em vídeos meus”, relatou ao g1/PEGN.

Como funciona a máquina de garrafas PET

A máquina criada por Giorggio é usada para cortar garrafas PET em tiras finas.

Esses fios podem ser aproveitados na fabricação de vassouras ecológicas, cordas de varal e peças artesanais.

Na produção das vassouras, as garrafas são transformadas em filamentos, enroladas em moldes e aquecidas para ganhar forma.

Segundo reportagem do Terra, Giorggio usa cerca de 14 garrafas PET de 2 litros e uma de 1 litro para criar uma vassoura.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O equipamento vendido por ele custava R$ 354 na reportagem do g1/PEGN.

Já as vassouras ecológicas e cordas de varal eram comercializadas por valores entre R$ 10 e R$ 35, ajudando a complementar a renda.

A invenção não depende de tecnologia industrial complexa, mas de adaptação mecânica, soldagem e repetição do processo.

Essa característica ajuda a explicar por que o produto passou a interessar pessoas que buscavam reciclar PET em pequena escala ou gerar renda com produção artesanal.

Além de vassouras e varais, Giorggio afirmou que artesãos passaram a usar os fios de garrafa PET para produzir bolsas e até chapéus.

Ele também disse já ter enviado máquinas para países como Itália e Moçambique.

Redes sociais ampliaram o alcance

A internet teve papel central na expansão do projeto.

Giorggio começou a publicar vídeos ensinando técnicas de reciclagem e atraiu seguidores interessados em reproduzir o processo.

Em 2021, reportagem do UOL Ecoa registrava que ele tinha mais de 125 mil inscritos no YouTube e 100 mil seguidores no TikTok.

Em 2024, o Terra informou que o canal já havia passado de 1 milhão de inscritos e acumulava centenas de milhões de visualizações em mais de 500 vídeos.

O gari soma milhões de visualizações nas redes sociais | Foto: Reprodução/Instagram
O gari soma milhões de visualizações nas redes sociais | Foto: Reprodução/Instagram

Segundo o Terra, Giorggio também passou a disponibilizar cursos on-line, publicar tutoriais gratuitos e vender equipamentos para fora do Brasil.

O conteúdo nas redes se tornou vitrine para o trabalho e ferramenta de ensino para pessoas interessadas em reaproveitar garrafas.

O crescimento inicial contou ainda com uma vaquinha virtual.

De acordo com reportagens, Giorggio levantou cerca de R$ 14 mil a R$ 15 mil com doações, valor usado para comprar ferramentas, melhorar vídeos e estruturar a oficina.

Renda com vassouras e máquinas de reciclagem

Na reportagem do g1/PEGN, Giorggio foi apresentado como um empreendedor que faturava cerca de R$ 7,5 mil por mês com a venda da máquina de reciclagem de garrafas PET.

O valor se referia ao momento da publicação e deve ser tratado como dado daquela reportagem, não como faturamento atual confirmado.

A renda também vinha da produção de vassouras e cordas de varal.

@g1

Giorggio Abrantes, gari de #Aparecida (PB), transformou a luta contra o #alcoolismo em um negócio sustentável. Ele criou uma máquina para reciclar garrafas #PET e fabrica vassouras e cordas de varal, faturando cerca de R$ 7,5 mil por mês. A ideia surgiu enquanto ele estava internado em uma clínica de reabilitação. Com R$ 14 mil arrecadados em uma vaquinha online, aprendeu a soldar e começou a construir as máquinas. O #sucesso veio quando passou a mostrar o processo nas redes sociais, o que gerou pedidos e levou à venda das máquinas por R$ 354. Além de empreender, Giorggio ensina como fazer as máquinas no YouTube, onde já tem mais de 1 milhão de inscritos. “Tudo veio da vontade de superar as dificuldades e seguir em frente”, diz ele. #g1 #tiktoknotícias

♬ som original – g1 – g1

Esses itens funcionavam como uma segunda frente do negócio, enquanto a máquina permitia que outras pessoas comprassem o equipamento para produzir por conta própria.

O investimento inicial foi de R$ 14 mil, levantado por meio de vaquinha on-line e doações.

Com esse recurso, Giorggio comprou equipamentos, montou estrutura de trabalho e passou a produzir com mais regularidade.

A venda das máquinas mudou a dinâmica do negócio.

Em vez de depender apenas da comercialização de vassouras prontas, ele passou a vender o instrumento que permite a outras pessoas transformar garrafas em fios.

“Olha, tem um dizer que ‘a mãe da invenção é a necessidade’ e todas essas máquinas que eu fiz, tudo que foi desenvolvido, realmente foi buscando dinheiro para poder suportar as dificuldades do dia a dia”, disse Giorggio.

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Vinicius
Vinicius
10/07/2026 09:34

Esse cara é a prova viva que a criatividade do brasileiro nao tem limite, que incrível esse projeto, e ainda rende uma grana extra

Emerson Rodrigues moreira
Emerson Rodrigues moreira
10/07/2026 04:37

Bom dia gostaria do e-mail do Geórgia para poder fazer aquisição dessa máquina fantástica

LAURO BECKER
LAURO BECKER
10/07/2026 02:37

Se já não foram, em breve aparecerão na casa do Giorggio funcionários da receita municipal, estadual e federal para buscar os impostos que julgam devidos pelo nada que fizeram em benefício do empreendedor… Duvidam?

Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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