Em Washington, a história de Hailey Fort reúne horta, miniabrigos de pallets e doações para pessoas sem moradia, em meio a números recentes sobre a crise habitacional nos Estados Unidos.
Em uma única noite de janeiro de 2025, 745.652 pessoas estavam em situação de rua nos Estados Unidos, segundo relatório divulgado em 2026 pelo Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano do país.
Desse total, 266.320 viviam sem abrigo, em ruas, veículos, acampamentos ou outros locais não destinados à moradia.
Nesse cenário, a história de Hailey Fort, uma menina de Bremerton, no estado de Washington, voltou a chamar atenção como curiosidade social.
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Segundo relato publicado pela ABC News, ela viu um homem em situação de rua em Kitsap County e perguntou à mãe, Miranda Fort, se poderia ajudá-lo.
A resposta foi sim, e a ação inicial se transformou em uma rotina de doações de alimentos, itens básicos e, depois, miniabrigos.
A iniciativa ganhou repercussão em 2015, quando Hailey tinha 9 anos e planejava construir 12 abrigos móveis para pessoas em situação de rua.
No mesmo período, ela também pretendia cultivar cerca de 250 libras de frutas e verduras, arrecadar 1.000 itens de higiene, 500 produtos de higiene feminina e 100 casacos.
Não há atualização pública confiável encontrada que confirme a continuidade recente do projeto Hailey’s Harvest ou a conclusão de todas as 12 unidades anunciadas naquele período.
Ainda assim, a história permanece como um registro de mobilização comunitária em pequena escala diante de um problema que segue atual nos Estados Unidos.
Como surgiu a ideia dos miniabrigos
Antes dos abrigos, Hailey começou pela produção de alimentos.
Ela cultivava frutas e verduras no quintal da família e distribuía parte da colheita a pessoas em situação de rua na região onde vivia.
A iniciativa recebeu o nome Hailey’s Harvest e passou a ser documentada em uma página nas redes sociais.
Segundo Miranda Fort, mãe da menina, as pessoas atendidas eram vistas por Hailey como amigas, o que ajudava a explicar a continuidade das ações.
O primeiro abrigo foi planejado para Edward, um homem em situação de rua que a família já conhecia.

À ABC News, Miranda afirmou que Hailey avaliou quem poderia receber a primeira estrutura e escolheu Edward porque ele costumava demonstrar gratidão ao receber comida.
“Ela passou por todos os amigos sem-teto dela e tomou a decisão com base em uma série de coisas”, disse Miranda Fort. Segundo a mãe, o abrigo não seria adequado para um homem chamado Billy Ray, que usava cadeira de rodas, nem para outro conhecido que vivia acompanhado de um cachorro.
A localização exata do primeiro abrigo não foi divulgada por segurança.
Miranda afirmou que a família havia conversado com autoridades locais para evitar problemas com regras municipais e buscava autorização para instalar a estrutura em um terreno de igreja.
Esse cuidado mostrava que o projeto, embora simples na aparência, dependia de autorização, local adequado e proteção para a pessoa que receberia a estrutura.
A família também evitava divulgar informações que pudessem expor Edward ou criar riscos adicionais.
Abrigos de pallets com jeans reciclado
O custo estimado de cada abrigo era de cerca de US$ 300, segundo a família informou à ABC News.
O valor ficava abaixo do custo total de uma construção comum porque parte dos materiais era doada pela comunidade, reduzindo as despesas diretas.
As paredes eram feitas com pallets e preenchidas com isolamento de jeans reciclado.
A estrutura também incluía telhado com telhas, drywall, revestimento de madeira, piso vinílico, cortinas, lâmpada movida a energia solar e fechadura na porta da frente.
A fechadura foi apresentada pela família como um item relevante para quem dormia nas ruas.
Para pessoas em situação de rua, uma porta que pudesse ser trancada representava uma forma mínima de privacidade, proteção e controle sobre o próprio espaço.
Hailey também participava da construção, sempre com supervisão dos pais.
Reportagens da época mostraram a menina usando ferramentas em tarefas compatíveis com sua idade, enquanto adultos ficavam responsáveis por equipamentos de maior risco, como serras maiores.
Os miniabrigos não eram descritos pela família como solução definitiva para a falta de moradia.
As unidades funcionavam como estruturas temporárias, pensadas para reduzir exposição à chuva, ao frio e à insegurança de dormir ao ar livre.
Mesmo assim, o projeto precisava lidar com limitações práticas.
Pessoas em situação de rua continuavam sujeitas a regras municipais, disponibilidade de terrenos autorizados, acesso a banheiros, segurança do entorno e possibilidade de acompanhamento por serviços sociais.
A horta que veio antes das casas
A horta foi uma das primeiras frentes do Hailey’s Harvest.
Hailey cultivava frutas e verduras para distribuir a pessoas em situação de rua e a bancos de alimentos da região.
Segundo informações divulgadas na época, a meta para 2015 era chegar a 250 libras de alimentos, o equivalente a pouco mais de 110 quilos.
Reportagens também registraram que ela já havia feito doações de comida em anos anteriores, antes de ampliar o projeto para a construção dos abrigos.
A produção de alimentos dava ao projeto uma rotina além das campanhas de arrecadação.
O trabalho envolvia plantar, colher, organizar doações e manter contato com pessoas que já eram conhecidas pela família.

A combinação entre horta, itens básicos e estruturas temporárias ajudou a ampliar a visibilidade da iniciativa.
Em vez de se limitar a uma doação pontual, o projeto passou a reunir diferentes formas de apoio comunitário.
Miranda Fort afirmou à ABC News que Hailey era lembrada de que poderia parar quando quisesse.
De acordo com a mãe, a menina continuava porque via o projeto como algo importante e se sentia motivada ao cumprir metas estabelecidas pela própria família.
A meta de 2015 também incluía produtos que não estavam ligados à construção.
Além dos alimentos e abrigos, Hailey buscava arrecadar itens de higiene, produtos de higiene feminina e casacos, materiais frequentemente solicitados por pessoas sem moradia estável.
Família, doações e apoio comunitário
Embora a história tenha ficado conhecida pela atuação de Hailey, o projeto envolvia apoio direto dos pais.
Miranda Fort organizava contatos, doações e comunicação, enquanto Quentin Fort, pai da menina, ajudava na parte prática e acompanhava o uso de ferramentas.
Quentin afirmou à ABC News que o comportamento de Hailey e Miranda vinha de um lugar que poderia parecer incomum para muitas pessoas, mas natural para as duas.
Ele disse ter orgulho das contribuições da filha à comunidade e esperava que, como pais, conseguissem apoiar o desejo dela de ajudar pessoas em necessidade.
A comunidade local também participou com doações de materiais e dinheiro.
A família usava uma campanha de arrecadação on-line para financiar parte das ações e recebeu apoio de pessoas que passaram a acompanhar o projeto depois da repercussão.
Meses após a divulgação inicial, a Popular Science publicou que a campanha de Hailey havia superado US$ 45 mil.
A revista também informou que o primeiro abrigo custou cerca de US$ 400, valor diferente dos US$ 300 citados na reportagem inicial da ABC News.
A diferença entre os valores pode estar relacionada à forma como cada levantamento considerou materiais doados, itens comprados e custos complementares.
Como não há prestação pública completa encontrada, os dois números foram mantidos com a atribuição às respectivas reportagens.
Além da arrecadação, o projeto dependia de coordenação com a cidade e com possíveis locais de instalação.
A própria família reconhecia que o abrigo precisava estar em um terreno autorizado para evitar conflito com regras municipais.

