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Venezuela enfrenta alerta da ONU por fome, doenças e colapso de serviços após terremotos causarem quase 2 mil mortes e US$ 6,7 bi em danos

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 01/07/2026 às 13:21 Atualizado em 01/07/2026 às 13:23
Alerta na Venezuela
Imagem: Ilustração artística
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Uma semana após os tremores, La Guaira concentra destruição, falta de comida, hospitais pressionados, escolas danificadas e pedidos milionários de ajuda internacional para atender milhares de desabrigados

Os terremotos na Venezuela já deixaram 1.943 mortos, 10,5 mil feridos e 6.461 pessoas resgatadas dos escombros, segundo o governo venezuelano. Uma semana após a catástrofe, agências da ONU alertam para falta de comida, colapso de serviços básicos, riscos de doenças e prejuízos estimados em US$ 6,7 bilhões.

Terremotos na Venezuela agravam crise humanitária em La Guaira

La Guaira, ao norte de Caracas, aparece como a região mais atingida pelos tremores. O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados alertou para “escassez de comida generalizada” e afirmou que serviços básicos “entraram em colapso” na área.

O órgão também apontou aumento das “tensões comunitárias” diante do acesso limitado à ajuda humanitária. Milhares de pessoas ficaram desabrigadas após a destruição de casas.

Em Catia La Mar, localidade litorânea de La Guaira, moradores relataram noites nas ruas. “Estamos dormindo no chão, eu estou dormindo no chão porque não tenho colchões”, disse Jenny Tortoza, entrevistada pela AFP.

Prejuízo bilionário e milhares de prédios afetados

A extensão da destruição ainda está sendo apurada em campo, mas estimativas baseadas em imagens de satélite indicam danos amplos.

Pesquisadores de universidades americanas em Oregon e Nova York estimaram que 58.870 edifícios foram afetados pelos tremores. Já a Análise Digital Rápida do PNUD calculou danos materiais perto de US$ 7 bilhões.

A conta inclui residências e bens econômicos atingidos, como veículos, edifícios e empresas. O valor citado no material chega a US$ 6,7 bilhões, equivalente a R$ 34,75 bilhões no câmbio atual.

Oficialmente, o governo venezuelano reconhece 855 edifícios afetados, além de 1.943 mortos, 10,5 mil feridos e 6.461 resgatados.

Crianças, escolas e alimentação entram no centro da emergência

O Unicef estimou que 1,8 milhão de pessoas precisam de assistência humanitária imediata. Desse total, 680 mil são crianças.

Segundo Manuel Rodríguez Pumarol, representante da organização no país, milhares de crianças estão sem acesso confiável à água potável. O Unicef também demonstrou preocupação com a destruição de escolas.

Com informações preliminares, a organização contabilizou 432 escolas danificadas somente no Distrito Capital. O impacto deve dificultar a continuidade da educação das crianças.

O Unicef mobilizou aproximadamente US$ 3,5 milhões em fundos emergenciais próprios para envio inicial de equipes e suprimentos.

A entidade calcula que serão necessários US$ 52 milhões para responder à emergência.

O Programa Mundial de Alimentos também lançou um apelo inicial de US$ 50 milhões para alimentar cerca de 500 mil pessoas durante três meses.

Saúde pública preocupa após colapso de infraestrutura após terremotos

A OMS alertou para “risco elevado de surtos de doenças” na Venezuela. A preocupação está ligada à perda de infraestrutura básica e ao deslocamento massivo de pessoas.

Entre os riscos citados estão doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria e coqueluche, além de febre amarela, dengue, chikungunya, zika e malária.

O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, afirmou que Delcy Rodríguez informou à organização que 38 hospitais foram afetados pelos terremotos.

Os serviços de saúde estão sob extrema pressão, com centros operando acima de sua capacidade”, declarou Lindmeier, citando grande fluxo de pacientes com traumas.

A Força Aérea Brasileira informou que uma aeronave KC-30 partiu para a Venezuela com equipamentos para ampliar um hospital de campanha instalado por equipe brasileira em La Guaira. Militares da Marinha do Brasil também embarcam para atuar na unidade.

A Cruz Vermelha espanhola anunciou o envio de uma “clínica de emergência”, com equipes de saúde, apoio psicossocial e equipamento médico.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da AFP, Acnur, Unicef, PNUD, OMS, Programa Mundial de Alimentos, Força Aérea Brasileira e Cruz Vermelha espanhola, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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