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Os Estados Unidos dispararam um míssil reto para o céu a 90 graus e ele sozinho rastreou e destruiu um drone em pleno voo — a nova arma anti-drone de US$ 212 mil pode ser montada em navios, caminhões e até telhados

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 25/04/2026 às 07:00
Atualizado em 24/04/2026 às 17:53
Míssil anti-drone JAGM sendo disparado na vertical a 90 graus de uma plataforma compacta no deserto
Representação do sistema JAGM Quad Launcher disparando míssil na vertical — teste realizado em janeiro de 2026 em China Lake, Califórnia, destruiu drone Grupo 3 usando apenas radar próprio
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Em janeiro de 2026, no deserto da Califórnia, um míssil partiu de uma plataforma compacta montada num caminhão — subiu reto a 90 graus, rastreou sozinho um drone em pleno voo com seu próprio radar e o destruiu sem qualquer comando humano após o disparo

No dia 15 de janeiro de 2026, no campo de testes de China Lake, na Califórnia, a Lockheed Martin realizou um teste que pode mudar a forma como guerras são travadas contra drones.

Segundo a Army Recognition, um míssil JAGM foi disparado na vertical — a exatos 90 graus do chão — e, sozinho, localizou e destruiu um drone Grupo 3 em pleno voo.

Foi a primeira vez que um míssil desse tipo foi lançado completamente na vertical e conseguiu adquirir um alvo aéreo usando apenas seu próprio radar milimétrico Doppler, sem nenhuma orientação externa após o disparo.

De acordo com a Interesting Engineering, o sistema se chama JAGM Quad Launcher, apelidado de “Jackal” pelos engenheiros da Lockheed Martin.

Trata-se de uma plataforma com quatro células de lançamento que pode ser instalada em navios de guerra, caminhões militares, posições fixas e até plataformas não tripuladas.

Por que disparar um míssil reto para cima muda tudo

Mísseis tradicionais anti-drone são disparados em ângulos inclinados, o que limita o campo de engajamento.

Se o alvo está atrás do lançador, é preciso girar toda a plataforma — algo impossível em navios compactos ou posições urbanas.

Com o disparo vertical a 90 graus, o míssil sobe e depois manobra em qualquer direção, criando um campo de engajamento de 360 graus completos.

Isso significa que a arma pode ser instalada em locais onde lançadores convencionais simplesmente não caberiam.

Conveses de navios, telhados de prédios, caminhões compactos em áreas urbanas — qualquer superfície plana se torna uma posição de defesa anti-drone.

JAGM Quad Launcher com quatro células de lançamento apontadas para cima a 90 graus
O lançador compacto Jackal possui quatro células que podem ser recarregadas em minutos

Como o JAGM encontra o alvo sozinho

O míssil JAGM possui dois modos de guiagem: laser semiativo e radar milimétrico Doppler.

No teste de janeiro, foi usado o modo radar.

Após ser disparado na vertical, o míssil ativou seu próprio radar de ondas milimétricas.

Em poucos segundos, detectou, classificou e rastreou o drone-alvo sem precisar de qualquer sinal externo.

O radar Doppler do JAGM consegue distinguir alvos móveis de objetos estáticos — essencial para identificar drones pequenos contra o fundo complexo do céu.

Cada míssil custa aproximadamente US$ 212 mil — caro para um projétil, mas barato comparado aos interceptadores que custam milhões e são normalmente usados contra ameaças aéreas.

A ameaça que fez os EUA investirem US$ 7,5 bilhões em defesa anti-drone

Os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio — onde lasers anti-drone como o sul-coreano de R$ 8 por disparo ganharam destaque — provaram que drones baratos podem destruir tanques, navios e posições fortificadas.

Um drone comercial modificado que custa menos de US$ 500 pode incapacitar um veículo blindado de US$ 5 milhões.

Diante disso, conforme reportou a IDGA, o orçamento de defesa dos EUA para 2026 destinou cerca de US$ 7,5 bilhões exclusivamente para sistemas anti-drone.

O Pentágono também aprovou o programa “Golden Dome” de defesa antimísseis com investimento inicial de US$ 25 bilhões, que inclui sistemas contra drones e munições guiadas de baixo custo.

O JAGM Quad Launcher é uma das respostas a essa corrida.

Diferente de lasers e sistemas eletrônicos que podem falhar contra enxames, o JAGM é cinético — destrói fisicamente o alvo.

Enxame de drones se aproximando de um navio de guerra com sistemas de defesa ativados
Conflitos recentes mostraram que drones baratos podem destruir veículos que custam milhões — os EUA destinaram US$ 7,5 bilhões para defesa anti-drone em 2026

O que o Jackal pode fazer em números

  • 4 mísseis por lançador compacto
  • 90 graus de ângulo de disparo vertical
  • 360 graus de cobertura sem reposicionar
  • US$ 212 mil por míssil (vs US$ 3-4 milhões de interceptadores convencionais)
  • Recarga em minutos — células individuais são substituídas rapidamente
  • Dual-mode — radar milimétrico + laser semiativo

Conforme detalhado pela Jane’s Defence, o sistema foi apresentado oficialmente na exposição Sea-Air-Space 2026, realizada de 20 a 22 de abril em Washington, D.C.

Casey Walsh, diretor do programa de Sistemas de Mísseis Multidomínio da Lockheed Martin, confirmou que novos testes com disparo ao vivo estão programados.

A integração que ninguém esperava: mísseis em drones navais

A Lockheed Martin também planeja demonstrações de prova de conceito integrando o JAGM Quad Launcher em embarcações autônomas da Saildrone — semelhante ao drone submarino Lamprey, que se gruda em navios como uma lampreia.

A ideia é criar navios-drone que patrulham sozinhos e podem derrubar outros drones sem tripulação humana a bordo.

É a guerra autônoma se tornando realidade: uma máquina naval sem tripulação, armada com mísseis que também não precisam de operador para encontrar e destruir alvos.

Se funcionar como planejado, uma frota de embarcações autônomas armadas com JAGM poderia proteger portos, rotas marítimas e frotas navais inteiras contra enxames de drones.

Navio de guerra moderno com sistema de defesa antimíssil instalado no convés
A Lockheed Martin planeja integrar o JAGM em navios, caminhões e até embarcações autônomas da Saildrone

O que ainda precisa ser provado

O teste de janeiro foi bem-sucedido, mas contra um único drone em condições controladas.

O desafio real é enfrentar múltiplos drones simultaneamente — os chamados “enxames” que podem saturar defesas.

Com apenas quatro células por lançador, o Jackal precisaria de múltiplas unidades coordenadas para lidar com ataques em massa.

Além disso, o custo de US$ 212 mil por tiro ainda é alto para engajar drones que custam centenas de dólares.

A equação econômica da guerra de drones continua desfavorável para quem defende: o atacante gasta centenas e o defensor gasta centenas de milhares.

Ainda assim, o JAGM ocupa um nicho importante — é caro demais para drones baratos, mas muito mais barato que os interceptadores que custam milhões e são projetados para mísseis balísticos.

Além disso, o conceito de disparo vertical não é inteiramente novo na guerra naval. Sistemas como o Mk-41 VLS de destróieres americanos já disparam mísseis na vertical há décadas. Contudo, o diferencial do JAGM Quad Launcher é a portabilidade — ele cabe em qualquer superfície plana, não precisa de navio de guerra.

Dessa forma, posições terrestres como bases avançadas, telhados de edifícios em zonas urbanas e até veículos leves podem se transformar em plataformas de defesa anti-drone em questão de minutos.

Consequentemente, o campo de batalha do futuro pode ter lançadores de mísseis espalhados por centenas de pontos fixos e móveis, todos capazes de engajar drones de forma autônoma e simultânea.

Da mesma forma, a integração com embarcações autônomas da Saildrone — que também participou da Sea-Air-Space 2026 com seu novo Spectre — cria a possibilidade de defesa anti-drone oceânica sem nenhum marinheiro envolvido.

Nesse sentido, o JAGM Quad Launcher não é apenas uma arma. É uma peça de um sistema maior que os militares americanos estão montando para enfrentar a era dos enxames de drones — onde velocidade de reação e cobertura geográfica importam mais que poder de fogo concentrado.

Portanto, a pergunta que resta não é se o JAGM funciona — o teste de janeiro provou que sim. A pergunta é se US$ 212 mil por tiro é sustentável contra drones que custam centenas de dólares. Para a indústria de defesa, essa conta ainda não fecha.

A pergunta que militares de todo o mundo estão fazendo é: será que um míssil de US$ 212 mil que sobe reto do convés de um navio e destrói sozinho um drone que custa US$ 500 é uma solução ou apenas um paliativo até que lasers e micro-ondas amadureçam?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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