Em janeiro de 2026, no deserto da Califórnia, um míssil partiu de uma plataforma compacta montada num caminhão — subiu reto a 90 graus, rastreou sozinho um drone em pleno voo com seu próprio radar e o destruiu sem qualquer comando humano após o disparo
No dia 15 de janeiro de 2026, no campo de testes de China Lake, na Califórnia, a Lockheed Martin realizou um teste que pode mudar a forma como guerras são travadas contra drones.
Segundo a Army Recognition, um míssil JAGM foi disparado na vertical — a exatos 90 graus do chão — e, sozinho, localizou e destruiu um drone Grupo 3 em pleno voo.
Foi a primeira vez que um míssil desse tipo foi lançado completamente na vertical e conseguiu adquirir um alvo aéreo usando apenas seu próprio radar milimétrico Doppler, sem nenhuma orientação externa após o disparo.
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De acordo com a Interesting Engineering, o sistema se chama JAGM Quad Launcher, apelidado de “Jackal” pelos engenheiros da Lockheed Martin.
Trata-se de uma plataforma com quatro células de lançamento que pode ser instalada em navios de guerra, caminhões militares, posições fixas e até plataformas não tripuladas.
Por que disparar um míssil reto para cima muda tudo
Mísseis tradicionais anti-drone são disparados em ângulos inclinados, o que limita o campo de engajamento.
Se o alvo está atrás do lançador, é preciso girar toda a plataforma — algo impossível em navios compactos ou posições urbanas.
Com o disparo vertical a 90 graus, o míssil sobe e depois manobra em qualquer direção, criando um campo de engajamento de 360 graus completos.
Isso significa que a arma pode ser instalada em locais onde lançadores convencionais simplesmente não caberiam.
Conveses de navios, telhados de prédios, caminhões compactos em áreas urbanas — qualquer superfície plana se torna uma posição de defesa anti-drone.

Como o JAGM encontra o alvo sozinho
O míssil JAGM possui dois modos de guiagem: laser semiativo e radar milimétrico Doppler.
No teste de janeiro, foi usado o modo radar.
Após ser disparado na vertical, o míssil ativou seu próprio radar de ondas milimétricas.
Em poucos segundos, detectou, classificou e rastreou o drone-alvo sem precisar de qualquer sinal externo.
O radar Doppler do JAGM consegue distinguir alvos móveis de objetos estáticos — essencial para identificar drones pequenos contra o fundo complexo do céu.
Cada míssil custa aproximadamente US$ 212 mil — caro para um projétil, mas barato comparado aos interceptadores que custam milhões e são normalmente usados contra ameaças aéreas.
A ameaça que fez os EUA investirem US$ 7,5 bilhões em defesa anti-drone
Os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio — onde lasers anti-drone como o sul-coreano de R$ 8 por disparo ganharam destaque — provaram que drones baratos podem destruir tanques, navios e posições fortificadas.
Um drone comercial modificado que custa menos de US$ 500 pode incapacitar um veículo blindado de US$ 5 milhões.
Diante disso, conforme reportou a IDGA, o orçamento de defesa dos EUA para 2026 destinou cerca de US$ 7,5 bilhões exclusivamente para sistemas anti-drone.
O Pentágono também aprovou o programa “Golden Dome” de defesa antimísseis com investimento inicial de US$ 25 bilhões, que inclui sistemas contra drones e munições guiadas de baixo custo.
O JAGM Quad Launcher é uma das respostas a essa corrida.
Diferente de lasers e sistemas eletrônicos que podem falhar contra enxames, o JAGM é cinético — destrói fisicamente o alvo.

O que o Jackal pode fazer em números
- 4 mísseis por lançador compacto
- 90 graus de ângulo de disparo vertical
- 360 graus de cobertura sem reposicionar
- US$ 212 mil por míssil (vs US$ 3-4 milhões de interceptadores convencionais)
- Recarga em minutos — células individuais são substituídas rapidamente
- Dual-mode — radar milimétrico + laser semiativo
Conforme detalhado pela Jane’s Defence, o sistema foi apresentado oficialmente na exposição Sea-Air-Space 2026, realizada de 20 a 22 de abril em Washington, D.C.
Casey Walsh, diretor do programa de Sistemas de Mísseis Multidomínio da Lockheed Martin, confirmou que novos testes com disparo ao vivo estão programados.
A integração que ninguém esperava: mísseis em drones navais
A Lockheed Martin também planeja demonstrações de prova de conceito integrando o JAGM Quad Launcher em embarcações autônomas da Saildrone — semelhante ao drone submarino Lamprey, que se gruda em navios como uma lampreia.
A ideia é criar navios-drone que patrulham sozinhos e podem derrubar outros drones sem tripulação humana a bordo.
É a guerra autônoma se tornando realidade: uma máquina naval sem tripulação, armada com mísseis que também não precisam de operador para encontrar e destruir alvos.
Se funcionar como planejado, uma frota de embarcações autônomas armadas com JAGM poderia proteger portos, rotas marítimas e frotas navais inteiras contra enxames de drones.

O que ainda precisa ser provado
O teste de janeiro foi bem-sucedido, mas contra um único drone em condições controladas.
O desafio real é enfrentar múltiplos drones simultaneamente — os chamados “enxames” que podem saturar defesas.
Com apenas quatro células por lançador, o Jackal precisaria de múltiplas unidades coordenadas para lidar com ataques em massa.
Além disso, o custo de US$ 212 mil por tiro ainda é alto para engajar drones que custam centenas de dólares.
A equação econômica da guerra de drones continua desfavorável para quem defende: o atacante gasta centenas e o defensor gasta centenas de milhares.
Ainda assim, o JAGM ocupa um nicho importante — é caro demais para drones baratos, mas muito mais barato que os interceptadores que custam milhões e são projetados para mísseis balísticos.
Além disso, o conceito de disparo vertical não é inteiramente novo na guerra naval. Sistemas como o Mk-41 VLS de destróieres americanos já disparam mísseis na vertical há décadas. Contudo, o diferencial do JAGM Quad Launcher é a portabilidade — ele cabe em qualquer superfície plana, não precisa de navio de guerra.
Dessa forma, posições terrestres como bases avançadas, telhados de edifícios em zonas urbanas e até veículos leves podem se transformar em plataformas de defesa anti-drone em questão de minutos.
Consequentemente, o campo de batalha do futuro pode ter lançadores de mísseis espalhados por centenas de pontos fixos e móveis, todos capazes de engajar drones de forma autônoma e simultânea.
Da mesma forma, a integração com embarcações autônomas da Saildrone — que também participou da Sea-Air-Space 2026 com seu novo Spectre — cria a possibilidade de defesa anti-drone oceânica sem nenhum marinheiro envolvido.
Nesse sentido, o JAGM Quad Launcher não é apenas uma arma. É uma peça de um sistema maior que os militares americanos estão montando para enfrentar a era dos enxames de drones — onde velocidade de reação e cobertura geográfica importam mais que poder de fogo concentrado.
Portanto, a pergunta que resta não é se o JAGM funciona — o teste de janeiro provou que sim. A pergunta é se US$ 212 mil por tiro é sustentável contra drones que custam centenas de dólares. Para a indústria de defesa, essa conta ainda não fecha.
A pergunta que militares de todo o mundo estão fazendo é: será que um míssil de US$ 212 mil que sobe reto do convés de um navio e destrói sozinho um drone que custa US$ 500 é uma solução ou apenas um paliativo até que lasers e micro-ondas amadureçam?

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