1. Início
  2. Construção
  3. Quase todo teleférico do planeta, das pistas de esqui nos Alpes ao metrô do ar na América do Sul, leva a mesma origem, a maior fabricante de teleféricos do mundo, uma empresa austríaca fundada em 1893
Faça um comentário 5 min de leitura

Quase todo teleférico do planeta, das pistas de esqui nos Alpes ao metrô do ar na América do Sul, leva a mesma origem, a maior fabricante de teleféricos do mundo, uma empresa austríaca fundada em 1893

Imagem de perfil do autor Bruno Teles
Escrito por Bruno Teles Publicado em 01/07/2026 às 21:51 Atualizado em 01/07/2026 às 21:57
Maior fabricante de teleféricos do mundo, a austríaca Doppelmayr foi fundada em 1893 e construiu o maior teleférico urbano do planeta, na Bolívia
Maior fabricante de teleféricos do mundo, a austríaca Doppelmayr foi fundada em 1893 e construiu o maior teleférico urbano do planeta, na Bolívia
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

A Doppelmayr, de uma cidadezinha da Áustria, domina o mercado global de transporte por cabo e construiu de estações de esqui a redes de teleférico que servem como metrô do ar em grandes cidades

Quando você anda de teleférico numa estação de esqui, sobe uma montanha turística ou cruza uma cidade pendurado num cabo, há uma boa chance de estar sendo carregado por uma empresa austríaca que quase ninguém conhece. A maior fabricante de teleféricos do mundo se chama Doppelmayr, nasceu numa pequena cidade da Áustria e praticamente domina o setor no planeta.

A história é antiga e o alcance é gigantesco. Segundo a Doppelmayr, ela foi fundada por Konrad Doppelmayr no distrito de Rickenbach, em Wolfurt, em 1893, e desde então se tornou a líder global em engenharia de teleféricos. É o tipo de gigante silencioso que move milhões de pessoas todos os dias sem nunca aparecer.

Como a maior fabricante de teleféricos do mundo virou líder absoluta

O domínio da austríaca vem de fazer bem uma coisa muito específica e difícil: mover gente com segurança pendurada num cabo de aço. Isso exige engenharia de precisão, sistemas de frenagem redundantes, motores potentes e décadas de experiência acumulada para garantir que ninguém caia. É um setor onde errar não é opção.

Poucas empresas no mundo dominam essa tecnologia por inteiro, e a austríaca é a maior delas. Fabricar, instalar e manter teleféricos em montanhas geladas ou sobre cidades caóticas é um desafio que afasta concorrentes, e a companhia transformou essa dificuldade em vantagem. A maior fabricante de teleféricos do mundo cresceu justamente onde poucos ousam entrar.

Uma serralheria de 1893 que virou gigante

Rede de teleférico urbano cruzando uma cidade cercada de montanhas
Rede de teleférico urbano cruzando uma cidade cercada de montanhas

A origem é humilde e antiga. Ainda conforme a Doppelmayr, o negócio começou em 1893 como uma forja aberta por Konrad em Wolfurt, na Áustria, voltada a ferramentas e reparos para a agricultura e a indústria locais. Só em 1937 ela abriu seu primeiro teleesqui, em Zürs am Arlberg, entrando no ramo que a tornaria famosa.

A partir daí, o crescimento acompanhou a explosão do turismo de montanha e das estações de esqui na Europa. De uma serralheria de interior, a empresa virou referência mundial em levar gente para o alto, primeiro nos Alpes e depois no mundo todo. Em 2002, uniu-se à suíça Garaventa, consolidando de vez a liderança global no setor.

De brinquedo de turista a transporte público de verdade

Durante muito tempo, teleférico era coisa de estação de esqui ou de ponto turístico, como levar visitantes ao topo de um morro. Mas nas últimas décadas ele virou uma solução séria de transporte público, especialmente em cidades de relevo difícil, onde construir metrô ou avenida é caro ou impossível.

A grande sacada é que o cabo sobe onde o ônibus não consegue. Em bairros encravados em morros, o cabo aéreo encurta em minutos trajetos que levavam horas a pé, ligando comunidades isoladas ao centro. Essa mudança transformou o produto da austríaca de luxo turístico em ferramenta de mobilidade e inclusão social em várias partes do mundo.

O maior teleférico urbano do mundo fica na América do Sul

Detalhe do cabo de aço e das torres de sustentação de um teleférico
Detalhe do cabo de aço e das torres de sustentação de um teleférico

O exemplo mais impressionante dessa virada está bem perto do Brasil. Na Bolívia, a rede Mi Teleférico liga as cidades de La Paz e El Alto a mais de 4 mil metros de altitude e funciona como um verdadeiro metrô aéreo. Segundo o Vindobona, trata-se da maior rede de teleférico do mundo, com cerca de 33 quilômetros de cabo distribuídos em dez linhas.

Essa rede monumental foi construída justamente pela austríaca, mostrando como a tecnologia dos Alpes se adaptou às montanhas andinas. Ainda segundo o Vindobona, desde a inauguração da primeira linha, em maio de 2014, o sistema já transportou quase 200 milhões de passageiros. O que era diversão de turista virou o transporte diário de centenas de milhares de pessoas numa das regiões mais altas e desafiadoras do mundo. Cidades brasileiras de relevo acidentado também já apostaram em teleféricos como transporte urbano, seguindo essa mesma lógica.

Como se move gente pendurada num cabo com segurança

O funcionamento parece simples, mas esconde engenharia sofisticada. Um cabo de aço contínuo, movido por motores potentes, circula entre estações e torres, puxando as cabines. Sistemas modernos permitem que as cabines se soltem do cabo ao chegar na estação, reduzindo a velocidade para os passageiros embarcarem, e voltem a se acoplar na saída.

Tudo isso é cercado de redundância para evitar acidentes: freios de emergência, sensores, geradores reserva e inspeções constantes. A segurança de um teleférico moderno rivaliza com a da aviação, justamente porque uma falha em altura seria catastrófica. É essa confiabilidade, construída ao longo de mais de um século, que faz clientes do mundo inteiro procurarem a mesma empresa.

Por que o teleférico está crescendo nas cidades

Com o trânsito piorando e as cidades ficando mais densas, o teleférico voltou à moda como transporte limpo e barato de construir em relação ao metrô. Ele ocupa pouco espaço no chão, não gera trânsito e funciona com energia elétrica, o que combina com metas ambientais.

Cada vez mais cidades estudam linhas de cabo para vencer rios, morros e áreas congestionadas. O transporte por cabo deixou de ser exceção pitoresca para virar parte séria do planejamento urbano moderno, e quem lidera essa onda é a mesma empresa austríaca. A tendência amplia ainda mais o alcance de um negócio que já domina as montanhas, das estações de esqui aos grandes centros urbanos.

Por que quase todo teleférico leva a uma empresa da Áustria

No fim, a história dessa fabricante é mais um caso de gigante oculto que molda o cotidiano sem aparecer. Seja subindo para esquiar, seja atravessando uma cidade encravada em morros, milhões de pessoas confiam a vida, sem saber, à engenharia de uma empresa de uma cidadezinha austríaca.

É a prova de que dominar uma tecnologia específica e difícil pode render uma liderança mundial que dura mais de um século. Da próxima vez que você entrar numa cabine pendurada num cabo, vale reparar de quem é a placa na estação. Você imaginava que quase todo teleférico do mundo tivesse a mesma origem?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x