Um drone militar voou por horas sem bateria acabar — a energia vinha de um laser disparado do solo a quase 2 quilômetros de distância
Em janeiro de 2026, a empresa americana PowerLight Technologies revelou que conseguiu manter um drone militar de asa fixa voando por horas usando apenas energia transmitida por laser.
Segundo reportagem do GeekWire, os testes foram realizados no Poinsett Electronic Combat Range, na base aérea de Shaw, na Carolina do Sul.
O sistema funciona de maneira surpreendentemente simples: um transmissor no solo dispara um feixe de laser infravermelho invisível que segue o drone enquanto ele voa.
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Além disso, um receptor de apenas 2,7 quilos instalado na aeronave converte a energia do laser em eletricidade — recarregando as baterias continuamente durante o voo.
Contrato de US$ 270 milhões e o conceito de “voo infinito”
A demonstração não foi apenas um experimento acadêmico. De acordo com o Live Science, a tecnologia já está vinculada a um contrato de US$ 270 milhões com o AFCENT Battle Lab da Força Aérea.
O drone utilizado nos testes foi o K1000ULE, fabricado pela Kraus Hamdani Aerospace — uma aeronave de vigilância de asa fixa projetada para missões de inteligência.
Portanto, o conceito de “voo infinito” deixou de ser teórico. Enquanto houver energia no transmissor do solo, o drone pode permanecer no ar.
A PowerLight descreveu o sistema como uma “linha de energia sem fio pelo ar”, capaz de entregar quilowatts de potência a quilômetros de distância.

Laser de quase 1 quilowatt a 1.500 metros de altitude
Os detalhes técnicos revelados são impressionantes. Conforme descreveu a PowerLight Technologies, o transmissor entregou quase 1 quilowatt de potência ao drone.
A energia foi recebida em altitudes de até 5.000 pés (1.524 metros).
Nesse sentido, o drone manteve simultaneamente suas funções de vigilância, reconhecimento e links de comunicação ativos enquanto recebia energia.
Da mesma forma, o receptor utiliza conversores de energia laser que capturam a luz infravermelha invisível e a transformam em eletricidade.
Dessa forma, o sistema não interfere nas operações normais da aeronave — funciona como um carregador wireless, só que a quilômetros de distância.
- Potência transmitida: quase 1 kW
- Alcance: até 1.524 metros (5.000 pés)
- Peso do receptor: 2,7 kg (6 libras)
- Contrato: US$ 270 milhões com AFCENT Battle Lab
- Drone testado: KHA K1000ULE (asa fixa, ISR)
- Patrocinadores: Comando Central dos EUA + Diretoria de Energia Operacional do Pentágono

O que muda na guerra: vigilância permanente sem intervalos
Contudo, o impacto mais significativo da tecnologia é operacional. Drones de vigilância atuais precisam pousar a cada poucas horas para trocar ou recarregar baterias.
Cada pouso representa uma janela cega — minutos ou horas em que uma área deixa de ser monitorada.
Com o sistema da PowerLight, essa vulnerabilidade desaparece. O drone pode vigiar uma região 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Por outro lado, a tecnologia também tem aplicações civis. Torres de telecomunicação temporárias, estações de monitoramento ambiental e operações de busca e resgate poderiam se beneficiar de drones que não precisam pousar.
Igualmente, plataformas de petróleo e obras de engenharia de grande porte poderiam usar drones permanentes para inspeção remota.

Os desafios que ainda limitam o voo verdadeiramente infinito
Ainda assim, a tecnologia tem limitações importantes. O feixe laser precisa de linha de visão direta entre o transmissor e o drone.
Nuvens densas, chuva forte ou neblina podem reduzir significativamente a eficiência da transmissão.
Além disso, o alcance atual de 1.524 metros limita as operações a áreas relativamente próximas da estação terrestre.
Consequentemente, o sistema funciona melhor em cenários de vigilância fixa — como monitoramento de fronteiras ou proteção de bases — do que em missões de longo alcance.
Sobretudo, há preocupações de segurança: um laser de quilowatt direcionado ao céu pode ser detectado por adversários, revelando a posição do transmissor.
Apesar disso, o Pentágono considera a tecnologia madura o suficiente para um contrato operacional de US$ 270 milhões — o que indica que as vantagens superam os riscos para certas aplicações.
Além disso, essa tecnologia pode ter implicações diretas para o setor de energia e infraestrutura global. Especialistas do setor apontam que avanços como esse redefinem o que é possível em termos de escala e eficiência.
Nesse sentido, o impacto vai além do projeto em si. Países que investem em inovação de ponta colhem benefícios que se multiplicam em diversas áreas da economia.
Da mesma forma, projetos semelhantes ao redor do mundo demonstram que a corrida por tecnologias militares avançadas está se acelerando em 2026.
Portanto, o que vemos aqui não é um caso isolado — é parte de uma transformação global na forma como a humanidade constrói, gera energia e projeta o futuro.
Sobretudo, é importante considerar o contexto brasileiro. Enquanto outros países avançam com projetos ambiciosos, o Brasil enfrenta seus próprios desafios de infraestrutura e investimento.
Por outro lado, iniciativas como as relacionadas a drones autônomos de combate mostram que há movimento em diversas frentes ao redor do mundo.
Consequentemente, a competição por soluções inovadoras deve se intensificar nos próximos anos, com investimentos bilionários fluindo para pesquisa e desenvolvimento em múltiplos países.
De fato, analistas projetam que o mercado global relacionado a essa tecnologia pode atingir dezenas de bilhões de dólares até o final da década.
A era do drone que nunca pousa pode estar mais próxima do que os céticos imaginam. Contudo, o caminho entre uma demonstração em base aérea e o uso operacional em combate ainda exige anos de testes adicionais e validação em condições reais.
