Estação começa com chuva persistente, calor acima da média e avanço gradual do frio, influenciado por fenômenos climáticos que prolongam instabilidade e atrasam quedas mais intensas de temperatura em diversas regiões do país.
O outono de 2026 começou em 20 de março, às 11h45, no horário de Brasília, sob um cenário de instabilidade em várias áreas do país, com previsão de chuva persistente, avanço mais lento do frio intenso e possibilidade de geada a partir da segunda metade da estação.
A combinação entre frentes frias pelo litoral, umidade ainda elevada e a atuação de um El Niño costeiro, além da formação posterior do El Niño clássico, ajuda a explicar por que a transição para o frio mais forte tende a ocorrer de forma gradual neste ano.
Em Minas Gerais, um dos estados mais castigados pelas chuvas do verão, o início da estação coincidiu com alertas meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia para grande parte do território.
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Os avisos indicaram desde chuva entre 20 e 30 milímetros por hora, com ventos de 40 a 60 km/h, até áreas sob risco maior de temporais, com possibilidade de corte de energia, queda de galhos, alagamentos e descargas elétricas.
Chuvas no outono mantêm padrão elevado no Sudeste e Centro-Oeste
A tendência desenhada pela Climatempo para o outono mostra que abril ainda seria um mês de pancadas frequentes no Sudeste e no Centro-Oeste, antes de um enfraquecimento mais consistente da umidade a partir da segunda quinzena de maio.
Nesse intervalo, frentes frias devem avançar com maior regularidade pela costa do Sul e do Sudeste, mantendo nebulosidade e chuva sobretudo no leste de São Paulo, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.
No caso de Minas Gerais, a primeira frente fria mais típica da estação era esperada para a segunda metade de abril, com queda moderada nas temperaturas e alcance também sobre outros estados do Sudeste.
Já no Centro-Oeste, o resfriamento inicial deveria atingir áreas de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, ainda sem caracterizar o primeiro período de frio mais intenso do ano.
Uma redução mais acentuada da temperatura passou a ser considerada mais provável em junho, quando massas de ar frio de origem polar tendem a avançar com mais força sobre o interior do país.
Nessa fase, além de Minas Gerais, também aumentaria a chance de queda mais expressiva dos termômetros em Goiás e no Distrito Federal, dentro do comportamento típico da estação de transição para o inverno.
Risco de geada aumenta a partir de maio e ganha força em junho
Ainda que o outono de 2026 seja projetado como menos frio do que o habitual em boa parte do país, isso não elimina a possibilidade de episódios localizados de frio forte, especialmente entre o fim de maio e o mês de junho.
O próprio INMET destaca que a estação costuma marcar o início das condições favoráveis a geadas no Sul, no Sudeste e em Mato Grosso do Sul, além de friagens no sul da Região Norte.
Na avaliação divulgada pela Climatempo, o risco de geada em Minas Gerais e em São Paulo aparece já na segunda quinzena de maio, mas a probabilidade aumenta de forma mais clara ao longo de junho.
Isso significa que a estação deve alternar períodos de calor acima do esperado com entradas pontuais de ar frio, um contraste que costuma ampliar a sensação de mudanças bruscas no tempo entre o amanhecer e o período da tarde.
Esse desenho ajuda a desfazer a expectativa de um outono marcado por frio contínuo logo nos primeiros dias, algo comum no imaginário de parte da população.
Em 2026, a sinalização predominante é de temperaturas acima da média em amplas áreas do país, com resfriamentos mais relevantes aparecendo de maneira tardia e menos duradoura, especialmente fora da Região Sul e das áreas serranas do Sudeste.
Influência do El Niño prolonga chuva e altera padrão climático
Embora o termo El Niño apareça associado ao outono deste ano, a situação exige precisão: segundo a Climatempo, o fenômeno clássico ainda não estava configurado no início da estação.
O quadro observado em março era de neutralidade térmica no Pacífico Equatorial, mas já com um El Niño costeiro no litoral do Peru e do Equador, condição que altera a circulação dos ventos e favorece mais chuva sobre o Sul, além de prolongar o transporte de umidade para o Centro-Oeste e o Sudeste.
A expectativa apresentada pela empresa de meteorologia é de que um novo episódio de El Niño clássico se consolide apenas no fim do outono ou no começo do inverno.
Até lá, o efeito mais imediato desse aquecimento costeiro seria o de manter combustível para pancadas de chuva por mais tempo no centro-sul do país, ao mesmo tempo em que sustenta períodos de aquecimento acima do normal em diversas áreas.
No Sul, onde o verão terminou com deficiência de chuva em várias áreas, a mudança de padrão tende a ser mais perceptível a partir de maio, com aumento da frequência das precipitações e chance de temporais nos três estados.
Ainda assim, a própria Climatempo ressalta que, neste momento, é prematuro comparar o comportamento do outono de 2026 com episódios extremos do passado recente, já que o maior risco associado ao El Niño tende a crescer sobretudo no segundo semestre.
Previsão por região indica contrastes entre chuva e temperatura
Para a Região Sul, a previsão aponta volumes de chuva acima do normal principalmente no Rio Grande do Sul, no centro e oeste de Santa Catarina e no oeste e sul do Paraná, cenário coerente com a influência do aquecimento no Pacífico e com a maior frequência de frentes frias.
Ao mesmo tempo, a maioria das áreas do Sudeste e do Centro-Oeste deve registrar acumulados próximos da média histórica, sem indicar uma estação excepcionalmente seca ou excepcionalmente chuvosa no conjunto dessas regiões.
No Nordeste, o comportamento esperado é de chuva acima da média em grande parte da região, com potencial para episódios de maior intensidade nas capitais entre Salvador e Natal.
Já no Norte, a tendência predominante é de precipitação abaixo da média na maior parte do território, com exceção do Amapá, onde a Climatempo projeta volumes acima do normal durante a estação.
Na prática, o outono de 2026 se desenha menos como uma porta de entrada imediata para o frio rigoroso e mais como um período de transição prolongada, com chuva ainda relevante, calor persistente em vários momentos e incursões de ar frio distribuídas de forma desigual pelo país.
Para quem esperava uma virada brusca de estação já em março, os dados reunidos por INMET e Climatempo indicam um calendário climático mais lento, com o frio forte ficando concentrado mais adiante e com maior chance de impacto entre maio e junho.

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