Especialistas explicam o que realmente está por trás da cor da gordura na carne bovina e por que esse detalhe, muitas vezes ignorado no açougue, pode ajudar a escolher o corte ideal para cada tipo de preparo
Na hora de escolher um bom corte de carne para o churrasco, para um ensopado ou até para o recheio de uma empanada, grande parte das pessoas presta atenção apenas na cor da carne em si — vermelha, firme, sem manchas estranhas. Poucos, no entanto, reparam em um detalhe que pode dizer muito mais sobre a qualidade do produto: a cor da gordura. Nesse sentido, é comum encontrar açougues onde dois pedaços praticamente idênticos, retirados da mesma parte do animal, apresentam uma gordura visivelmente diferente — uma branca e outra amarelada.
Segundo informações divulgadas pelo portal argentino Diario Uno, essa diferença costuma gerar desconfiança entre os consumidores, que muitas vezes associam a gordura amarela a um produto velho ou de qualidade inferior. Contudo, essa crença está longe de ser verdadeira. A cor da gordura não indica, por si só, se um corte é melhor ou pior — ela apenas revela informações sobre a história de vida daquele animal.
O que realmente determina a cor da gordura na carne bovina
A principal explicação para essa diferença de tonalidade está na alimentação do animal ao longo da vida. Bois e vacas criados majoritariamente a pasto consomem grandes quantidades de forragem rica em betacarotenos, pigmentos naturais presentes nas plantas — os mesmos compostos, aliás, responsáveis pela cor alaranjada da cenoura. Com o tempo, esses pigmentos se acumulam no tecido gorduroso do animal e acabam tingindo a gordura de um tom amarelado, que pode variar de mais intenso a mais sutil conforme a dieta e o período de pastoreio.
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Por outro lado, animais terminados em confinamento, alimentados principalmente com grãos como milho ou soja, ingerem uma quantidade muito menor desses pigmentos. Como resultado, a gordura desses bovinos tende a ficar mais clara ou completamente branca. Ainda assim, isso não representa nenhum problema de conservação ou de frescor — é simplesmente reflexo do tipo de criação que aquele animal recebeu.
Por isso, é perfeitamente normal encontrar dois cortes praticamente iguais, tirados da mesma peça e da mesma região da vaca, com colorações de gordura completamente distintas. Um dos mitos mais difundidos entre consumidores é justamente a ideia de que a gordura amarela indica carne velha ou estragada — uma crença que, segundo especialistas consultados pela reportagem argentina, não tem fundamento algum.
Gordura amarela ou branca: qual escolher na hora de comprar?
Apesar de não existir uma diferença nutricional relevante entre os dois tipos, o sabor final do prato pode variar bastante. A carne com gordura amarela, proveniente de animais criados a pasto, costuma ter um sabor mais intenso e marcante, além de um perfil nutricional considerado mais rico por parte de nutricionistas. Já a carne com gordura branca, típica de animais terminados a grãos em confinamento, tende a apresentar um sabor mais suave e uma gordura que derrete com mais facilidade durante o cozimento — características que muitos consumidores também valorizam, dependendo do tipo de preparo.
Enquanto isso, é importante lembrar que a gordura cumpre um papel fundamental durante a cocção de qualquer corte. À medida que o calor aumenta, ela derrete lentamente e libera compostos aromáticos que intensificam o sabor da carne. Além disso, funciona como uma espécie de barreira natural, ajudando a manter os sucos internos e evitando que a peça resseque ou fique dura — por isso cortes com boa infiltração de gordura entre as fibras, o chamado marmoreio, costumam render uma experiência mais macia à mesa.
Ainda assim, vale reforçar um ponto essencial destacado pela reportagem original: mais do que o color da gordura, o que realmente indica um produto de qualidade é a cor vermelha uniforme da carne, a firmeza e boa aderência da gordura à peça, a ausência de odores desagradáveis e o correto armazenamento sob refrigeração. Uma gordura excessivamente escura, com manchas estranhas ou cheiro forte, sim, pode ser sinal de deterioração — e nesse caso, o ideal é evitar a compra.
Portanto, tanto a gordura amarela quanto a branca podem resultar em cortes de excelente qualidade. A escolha entre uma e outra deve levar em conta, acima de tudo, a preferência pessoal de sabor e o tipo de preparo desejado — seja uma parrilla de sabor mais intenso, seja um prato de textura mais suave e delicada.

