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França confirma porta-aviões nuclear PANG de € 10,25 bilhões, 78.000 toneladas e 310 metros para substituir o Charles de Gaulle até 2038

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 22/12/2025 às 12:44
Atualizado em 22/12/2025 às 12:45
França confirma porta-aviões nuclear PANG de € 10,25 bilhões, 78.000 toneladas e 310 metros, com entrada em serviço prevista para 2038.
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Programa prevê navio de 78.000 toneladas, 310 metros e propulsão nuclear, com custo de € 10,25 bilhões, início das obras em 2032 e incorporação operacional planejada para 2038

A França confirmou a construção de um novo porta-aviões nuclear, o PANG, orçado em € 10,25 bilhões, com entrada em serviço prevista para 2038, substituindo o Charles de Gaulle e reforçando a projeção naval estratégica francesa.

Decisão presidencial e enquadramento estratégico

O anúncio foi feito pelo presidente Emmanuel Macron durante discurso a tropas francesas em Abu Dhabi, destacando o papel do novo navio na dissuasão nuclear e na presença marítima de longo prazo.

Macron afirmou que a decisão de lançar o programa foi tomada na mesma semana do discurso, sublinhando a importância industrial do projeto para pequenas e médias empresas francesas envolvidas na cadeia naval.

A base visitada localiza-se próxima ao Estreito de Ormuz, área crítica para o fluxo global de petróleo, contexto citado para reforçar a relevância estratégica do investimento naval anunciado.

O novo porta-aviões, denominado Porte-Avions Nouvelle Génération, deverá substituir o Charles de Gaulle no momento de sua aposentadoria programada, garantindo continuidade operacional à marinha francesa.

Segundo a Reuters, o projeto é central para a estratégia de defesa francesa diante da crescente incerteza geopolítica e do debate europeu sobre dependência de segurança externa.

O contexto inclui a guerra em curso da Rússia na Ucrânia e discussões ampliadas na Europa sobre autonomia estratégica, especialmente em meio a sinais de menor comprometimento norte-americano.

As declarações ocorreram enquanto se intensificam debates sobre o papel dos Estados Unidos na segurança europeia, em cenário marcado por posições do presidente Donald Trump.

Custos, cronograma e críticas internas

O custo estimado do programa é de aproximadamente € 10,25 bilhões, equivalentes a cerca de US$ 12 bilhões, com decisão orçamentária final prevista no orçamento de defesa de 2025.

O governo francês já iniciou trabalhos nos componentes de propulsão nuclear, antecipando etapas técnicas críticas para cumprir o cronograma que culmina na entrada operacinal do navio em 2038.

Se concluído conforme planejado, o PANG será o maior navio de guerra já construído na Europa, consolidando a França como único país da União Europeia com porta-aviões nuclear armado.

Apesar do apoio governamental, o projeto enfrenta críticas internas, com parlamentares de centro e esquerda moderada questionando a prioridade do investimento diante da situação fiscal francesa.

Esses críticos defendem eventual adiamento do programa, argumento rejeitado pelo Executivo, que associa o PANG à manutenção de capacidades estratégicas e industriais nacionais.

Design aprovado e desenvolvimento técnico

Detalhes técnicos do PANG foram divulgados por reportagens de defesa citadas pelo Global Times e pelo portal Naval News, sediado em Paris.

O projeto entrou em processo de desenvolvimento em duas fases em dezembro de 2020, após quatro anos de estudos que resultaram em uma embarcação significativamente maior que a antecessora.

O novo porta-aviões deverá deslocar aproximadamente 78.000 toneladas, quase o dobro das 42.000 toneladas do Charles de Gaulle, ampliando capacidade aérea e autonomia marítima.

O comprimento estimado é de cerca de 310 metros, com boca aproximada de 90 metros, dimensões que permitem operações aéreas mais intensas e maior flexibilidade logística embarcada.

O sistema de energia será totalmente elétrico em toda a embarcação, integrando propulsão nuclear a redes elétricas capazes de sustentar catapultas e sensores avançados.

Capacidades aéreas e sistemas embarcados

O PANG contará com uma superestrutura insular integrada única, projetada para otimizar fluxos operacionais e reduzir interferências nas operações de lançamento e recuperação de aeronaves.

Estão previstas três pistas de lançamento eletromagnéticas, além de um sistema avançado de frenagem de emergência com três cabos para pousos sucessivos em alta cadência.

O convés incluirá dois hangares e dois elevadores de aeronaves posicionados na borda do convés, no lado estibordo, solução destinada a acelerar ciclos operacionais.

A França decidiu adquirir sistemas de catapulta eletromagnética dos Estados Unidos, alegando que alternativas nacionais não atenderiam prazos e custos estabelecidos para o programa.

Autoridades francesas descartaram opções domésticas, apesar de avanços chineses recentes em tecnologias similares, decisão alinhada à necessidade de reduzir riscos técnicos e atrasos.

A ala aérea prevista inclui cerca de 30 aeronaves de combate ou veículos aéreos de combate não tripulados, apoiados por E-2D Hawkeye e helicópteros embarcados.

O navio deverá operar caças Rafale M modernizados ao padrão F5, mantendo continuidade com a doutrina aérea atual, embora sem incorporar caças de quinta geração.

França no contexto global de porta-aviões

Atualmente, a França integra um grupo restrito de seis países capazes de operar porta-aviões de asa fixa com lançamento e recuperação de caças no mar.

Os Estados Unidos lideram com 11 porta-aviões de propulsão nuclear, enquanto a China opera três unidades, incluindo o Fujian equipado com catapultas eletromagnéticas.

A Índia mantém dois porta-aviões com configuração STOBAR, o Reino Unido opera dois navios STOVL, e a Rússia possui o Admiral Kuznetsov, com futuro operacional incerto.

Um especialista militar chinês citado pelo Global Times avaliou que o PANG poderá resolver limitações de propulsão do Charles de Gaulle e ampliar capacidades francesas.

O mesmo analista observou que, apesar da viabilidade do Rafale M, a aeronave não representará um caça de quinta ou sexta geração quando o novo navio entrar em serviço.

Construção, estaleiros e etapas finais

A construção do PANG está prevista para começar em 2032 nos estaleiros Chantiers de l’Atlantique, localizados em Saint-Nazaire, segundo o cronograma oficial divulgado.

Após a montagem estrutural, o navio deverá ser transferido para Toulon em meados da década de 2030 para acabamentos finais e abastecimento nuclear.

Nessa fase final, serão realizados testes de mar e validações operacionais antes da incorporação formal à frota, encerrando o ciclo de substituição do atual navio-almirante.

Essas etapas complementares encerram o programa, consolidando um dos maiores investimentos navais europeus em décadas e redefinindo a capacidade de projecao marítima francesa.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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