Programa prevê navio de 78.000 toneladas, 310 metros e propulsão nuclear, com custo de € 10,25 bilhões, início das obras em 2032 e incorporação operacional planejada para 2038
A França confirmou a construção de um novo porta-aviões nuclear, o PANG, orçado em € 10,25 bilhões, com entrada em serviço prevista para 2038, substituindo o Charles de Gaulle e reforçando a projeção naval estratégica francesa.
Decisão presidencial e enquadramento estratégico
O anúncio foi feito pelo presidente Emmanuel Macron durante discurso a tropas francesas em Abu Dhabi, destacando o papel do novo navio na dissuasão nuclear e na presença marítima de longo prazo.
Macron afirmou que a decisão de lançar o programa foi tomada na mesma semana do discurso, sublinhando a importância industrial do projeto para pequenas e médias empresas francesas envolvidas na cadeia naval.
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A base visitada localiza-se próxima ao Estreito de Ormuz, área crítica para o fluxo global de petróleo, contexto citado para reforçar a relevância estratégica do investimento naval anunciado.
O novo porta-aviões, denominado Porte-Avions Nouvelle Génération, deverá substituir o Charles de Gaulle no momento de sua aposentadoria programada, garantindo continuidade operacional à marinha francesa.
Segundo a Reuters, o projeto é central para a estratégia de defesa francesa diante da crescente incerteza geopolítica e do debate europeu sobre dependência de segurança externa.
O contexto inclui a guerra em curso da Rússia na Ucrânia e discussões ampliadas na Europa sobre autonomia estratégica, especialmente em meio a sinais de menor comprometimento norte-americano.
As declarações ocorreram enquanto se intensificam debates sobre o papel dos Estados Unidos na segurança europeia, em cenário marcado por posições do presidente Donald Trump.
Custos, cronograma e críticas internas
O custo estimado do programa é de aproximadamente € 10,25 bilhões, equivalentes a cerca de US$ 12 bilhões, com decisão orçamentária final prevista no orçamento de defesa de 2025.
O governo francês já iniciou trabalhos nos componentes de propulsão nuclear, antecipando etapas técnicas críticas para cumprir o cronograma que culmina na entrada operacinal do navio em 2038.
Se concluído conforme planejado, o PANG será o maior navio de guerra já construído na Europa, consolidando a França como único país da União Europeia com porta-aviões nuclear armado.
Apesar do apoio governamental, o projeto enfrenta críticas internas, com parlamentares de centro e esquerda moderada questionando a prioridade do investimento diante da situação fiscal francesa.
Esses críticos defendem eventual adiamento do programa, argumento rejeitado pelo Executivo, que associa o PANG à manutenção de capacidades estratégicas e industriais nacionais.
Design aprovado e desenvolvimento técnico
Detalhes técnicos do PANG foram divulgados por reportagens de defesa citadas pelo Global Times e pelo portal Naval News, sediado em Paris.
O projeto entrou em processo de desenvolvimento em duas fases em dezembro de 2020, após quatro anos de estudos que resultaram em uma embarcação significativamente maior que a antecessora.
O novo porta-aviões deverá deslocar aproximadamente 78.000 toneladas, quase o dobro das 42.000 toneladas do Charles de Gaulle, ampliando capacidade aérea e autonomia marítima.
O comprimento estimado é de cerca de 310 metros, com boca aproximada de 90 metros, dimensões que permitem operações aéreas mais intensas e maior flexibilidade logística embarcada.
O sistema de energia será totalmente elétrico em toda a embarcação, integrando propulsão nuclear a redes elétricas capazes de sustentar catapultas e sensores avançados.
Capacidades aéreas e sistemas embarcados
O PANG contará com uma superestrutura insular integrada única, projetada para otimizar fluxos operacionais e reduzir interferências nas operações de lançamento e recuperação de aeronaves.
Estão previstas três pistas de lançamento eletromagnéticas, além de um sistema avançado de frenagem de emergência com três cabos para pousos sucessivos em alta cadência.
O convés incluirá dois hangares e dois elevadores de aeronaves posicionados na borda do convés, no lado estibordo, solução destinada a acelerar ciclos operacionais.
A França decidiu adquirir sistemas de catapulta eletromagnética dos Estados Unidos, alegando que alternativas nacionais não atenderiam prazos e custos estabelecidos para o programa.
Autoridades francesas descartaram opções domésticas, apesar de avanços chineses recentes em tecnologias similares, decisão alinhada à necessidade de reduzir riscos técnicos e atrasos.
A ala aérea prevista inclui cerca de 30 aeronaves de combate ou veículos aéreos de combate não tripulados, apoiados por E-2D Hawkeye e helicópteros embarcados.
O navio deverá operar caças Rafale M modernizados ao padrão F5, mantendo continuidade com a doutrina aérea atual, embora sem incorporar caças de quinta geração.
França no contexto global de porta-aviões
Atualmente, a França integra um grupo restrito de seis países capazes de operar porta-aviões de asa fixa com lançamento e recuperação de caças no mar.
Os Estados Unidos lideram com 11 porta-aviões de propulsão nuclear, enquanto a China opera três unidades, incluindo o Fujian equipado com catapultas eletromagnéticas.
A Índia mantém dois porta-aviões com configuração STOBAR, o Reino Unido opera dois navios STOVL, e a Rússia possui o Admiral Kuznetsov, com futuro operacional incerto.
Um especialista militar chinês citado pelo Global Times avaliou que o PANG poderá resolver limitações de propulsão do Charles de Gaulle e ampliar capacidades francesas.
O mesmo analista observou que, apesar da viabilidade do Rafale M, a aeronave não representará um caça de quinta ou sexta geração quando o novo navio entrar em serviço.
Construção, estaleiros e etapas finais
A construção do PANG está prevista para começar em 2032 nos estaleiros Chantiers de l’Atlantique, localizados em Saint-Nazaire, segundo o cronograma oficial divulgado.
Após a montagem estrutural, o navio deverá ser transferido para Toulon em meados da década de 2030 para acabamentos finais e abastecimento nuclear.
Nessa fase final, serão realizados testes de mar e validações operacionais antes da incorporação formal à frota, encerrando o ciclo de substituição do atual navio-almirante.
Essas etapas complementares encerram o programa, consolidando um dos maiores investimentos navais europeus em décadas e redefinindo a capacidade de projecao marítima francesa.

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