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Ford volta ao Brasil de forma triunfal com mais que o dobro de engenheiros, aposta forte em tecnologia e inovação e cogita retomar produção nacional

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 13/11/2025 às 16:25
Assista o vídeoA Ford reforça sua presença no Brasil com expansão da engenharia em Camaçari, novos projetos tecnológicos e possibilidade de retomar
A Ford reforça sua presença no Brasil com expansão da engenharia em Camaçari, novos projetos tecnológicos e possibilidade de retomar
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A reestruturação da Ford no Brasil transforma Camaçari em polo global de engenharia e amplia a relevância da tecnologia nacional na estratégia da montadora.

A Ford reforçou sua presença no Brasil ao transformar sua operação de manufatura em um centro estratégico de engenharia e desenvolvimento.

O movimento, explicado por Martín Galdeano, CEO da Ford na América do Sul, durante participação no programa Radar Times, marca uma nova etapa da montadora no país.

Segundo ele, o Centro Técnico de Camaçari reúne mais de 1.500 engenheiros e especialistas, responsáveis por criar tecnologias e projetos que serão aplicados em veículos globais, ampliando a relevância da engenharia brasileira no mapa mundial da companhia.

Conforme destacou o executivo, essa reorientação permitiu que o Brasil voltasse a ocupar um papel estrutural dentro das decisões estratégicas da marca, especialmente após anos de desafios operacionais na região.

Engenharia brasileira ganha protagonismo na Ford

Durante a entrevista, Martín Galdeano lembrou que a Ford já chegou a vender cerca de 350 mil veículos por ano na América do Sul, mas acumulava prejuízos próximos de 1 bilhão de dólares anuais.

Segundo ele, esse cenário dificultava novos investimentos e impedia que a região participasse de forma consistente do desenvolvimento global de produtos.

O CEO explicou que a estratégia atual reduziu a operação a aproximadamente um terço do tamanho anterior, priorizando segmentos nos quais a Ford possui escala global e competitividade.

“Hoje temos foco total em picapes, SUVs, veículos comerciais e em desenvolvimento de produto”, afirmou.

Ele acrescentou que a equipe de engenharia instalada na Bahia já responde por aproximadamente 30% a 35% da tecnologia aplicada nos veículos da Ford ao redor do mundo.

Para Galdeano, esse é um marco que evidencia a mudança de rota e a consolidação de um modelo sustentável na região.

De acordo com o executivo, a empresa acumula 17 trimestres consecutivos de resultados que garantem retorno de capital aos acionistas, o que viabiliza novos investimentos.

A Ford reforça sua presença no Brasil com expansão da engenharia em Camaçari, novos projetos tecnológicos e possibilidade de retomar
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Expansão do Centro Técnico de Camaçari

Martín Galdeano também comentou que o time de engenharia praticamente dobrou nos últimos anos.

“Em 2021, tínhamos por volta de 800 engenheiros.

Hoje são 1.500”, disse.

Ele ressaltou ainda que o local atrai profissionais jovens e altamente qualificados, responsáveis por desenvolver tecnologias não apenas para a próxima geração de veículos, mas para duas gerações adiante.

Segundo o CEO, a empresa inaugura em abril um novo edifício em Camaçari, com capacidade para mais 800 engenheiros, ampliando o peso da estrutura regional no pipeline de desenvolvimento global.

Possibilidade de retomada da produção nacional

Questionado sobre uma eventual retomada da produção local, tema recorrente desde o anúncio do fim da manufatura da Ford no país quase cinco anos atrás, Galdeano afirmou que a empresa nunca descartou essa possibilidade.

“A decisão tomada anteriormente não teve relação com o Brasil”, disse.

Segundo ele, a mudança de estratégia global, com foco em picapes, SUVs e veículos comerciais, direcionou a marca para outros polos produtivos.

Ainda assim, o executivo reforçou que o Brasil permanece como uma alternativa competitiva para a produção.

Ele explicou que, embora não haja um anúncio imediato, a viabilidade continua sendo analisada pela corporação.

Concorrência crescente e mercado em transformação

Ao comentar o mercado brasileiro, Martín Galdeano reconheceu a forte concorrência, especialmente com o avanço das marcas chinesas e dos veículos elétricos.

No entanto, afirmou que a Ford busca se diferenciar pela experiência oferecida ao cliente e pelo domínio aprofundado dos segmentos em que atua.

“Nosso foco antes era volume.

Hoje trabalhamos para entregar a melhor experiência e a melhor linha de produtos nos segmentos em que somos competitivos globalmente”, observou.

Ele citou o desempenho da Ford Ranger, que deve encerrar o ano com recorde de vendas no Brasil, além de índices elevados de satisfação na rede de concessionárias.

Avanços em tecnologia, conectividade e motores no Brasil

O executivo também destacou que tecnologias de motorização e conectividade estão sendo desenvolvidas no Centro Técnico de Camaçari.

Como exemplo, mencionou o anúncio recente da produção de uma Ranger híbrida plug-in com tecnologia flex, revelada durante a visita do CEO global da Ford à região.

Segundo Galdeano, toda a tecnologia associada ao etanol foi desenvolvida pela equipe brasileira, reforçando o papel da engenharia nacional na inovação e na adaptação dos veículos a diferentes mercados.

Impactos da disputa entre China e Estados Unidos

Ao comentar os gargalos globais na cadeia de semicondutores, intensificados pela disputa comercial entre China e Estados Unidos, Martín Galdeano afirmou que o setor automotivo ainda trabalha para reduzir vulnerabilidades.

Ele lembrou que situação semelhante ocorreu no período pós-pandemia, quando a escassez de chips durou aproximadamente um ano e meio.

De acordo com o executivo, o mercado começa a avançar para uma normalização, mas a Ford segue investindo em novas estratégias de abastecimento, com estoques de proteção e um planejamento de longo prazo que diminua riscos.

Ele ressaltou que a cadeia automotiva é extensa e exige previsibilidade para evitar rupturas.

Crescimento contínuo e metas para o próximo ano

Na parte final da entrevista, o CEO da Ford na América do Sul comentou o desempenho recente da empresa na região.

Ele afirmou que a companhia cresceu cerca de 25% no ano passado e acumula aproximadamente 23% de avanço até outubro de 2025, apesar da base ainda reduzida em comparação ao período anterior à reestruturação.

Segundo Galdeano, a meta para o próximo ano é manter o crescimento em dois dígitos e continuar expandindo o portfólio nos segmentos estratégicos.

Ele reforçou que picapes, SUVs, veículos comerciais e modelos com vocação off-road têm amplo potencial no mercado brasileiro e sul-americano.

Ao encerrar a conversa no Radar Times, Galdeano afirmou que a empresa está comprometida em seguir investindo na região. Veja a entrevista completa:

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BeneMuto
BeneMuto
16/11/2025 15:17

Parabéns Ford que seu retorno seja triunfal, sempre fui Ford desde o Corcel até Ecosport atdt… Passei por todos os modelos…

Thadeu
Thadeu
Em resposta a  BeneMuto
17/11/2025 08:14

Que retorno, isso foi o que ficou de toda a operação…

Vicente Alessi Filho
Vicente Alessi Filho
16/11/2025 15:06

O fim da atividade produtiva Ford no Brasil não derreteu preços, seu Manoel. Manteve-os estabilíssimos. Particularmente no caso de veículos semi-novos.

Cesar Ribeiro
Cesar Ribeiro
16/11/2025 12:45

Saindo quando vários entraram, andou p trás como caranguejo, se voltar com preço e qualidade, retoma seu posto.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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