Em um mesmo fim de semana, o foguete New Shepard da Blue Origin leva uma engenheira alemã em cadeira de rodas ao espaço e o cometa interestelar 3I/Atlas cruza o Sistema Solar, levantando hipóteses de vulcões de gelo e emissões raras de raios X que podem mudar o que sabemos sobre espaço e cometa interestelar.
Enquanto o voo turístico suborbital amplia quem pode viver a experiência do espaço, o 3I/Atlas, terceiro visitante interestelar já identificado, passa pela vizinhança da Terra em alta velocidade, com trajetória hiperbólica, sinais de atividade estranha e uma história que mistura ciência sólida, boatos de tecnologia alienígena e novas pistas sobre regiões desconhecidas da Via Láctea.
New Shepard: voo histórico para inclusão no espaço

O mais recente lançamento do New Shepard, foguete suborbital da Blue Origin, era para ter acontecido em uma quinta-feira, mas um problema detectado nas verificações pré-voo obrigou a equipe a suspender a decolagem. A missão só saiu do papel no sábado, às 11h17 pelo horário de Brasília, marcando o 16º voo turístico suborbital da empresa.
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A bordo, estavam seis turistas espaciais, mas uma passageira transformou o voo em marco histórico. Micaela Benthouse, alemã, engenheira aeroespacial e mecatrônica da Agência Espacial Europeia, se tornou a primeira pessoa que usa cadeira de rodas a ir ao espaço, mostrando na prática como a fronteira entre espaço e cometa interestelar começa a ficar mais aberta para perfis de viajantes antes totalmente excluídos desse tipo de experiência.
Adaptações simples que mudam quem pode ir ao espaço
Para que Micaela pudesse embarcar, não foi preciso reinventar o foguete, e sim adaptar detalhes críticos da experiência. A Blue Origin incluiu uma prancha de transferência para facilitar o deslocamento entre a escotilha e o assento dentro da cápsula. Após o pouso, um tapete especial garantiu o retorno imediato à cadeira de rodas, que tinha ficado em solo na decolagem.
Outro ponto importante é que a plataforma de lançamento já contava com um elevador capaz de levar passageiros até o topo, cerca de sete andares acima do solo. Com essas soluções relativamente simples, o voo que antes parecia reservado a um perfil muito específico de turista passou a incluir mais gente, reforçando a ideia de que o acesso ao espaço pode ser ampliado sem exigir mudanças radicais na estrutura do foguete.
Como funciona o voo suborbital do New Shepard
O New Shepard é composto por dois estágios: um propulsor reutilizável e uma cápsula de passageiros instalada na parte superior. Diferente de naves orbitais, ele não atinge velocidade suficiente para entrar em órbita da Terra. O voo é um bate-volta até a fronteira do espaço, com duração aproximada de 10 minutos.
Nesse curto intervalo, os passageiros experimentam alguns minutos de ausência de peso e têm direito a uma vista privilegiada do planeta do alto, com a curvatura da Terra e o contraste entre o preto do espaço e o azul da atmosfera. Segundo o engenheiro Jake Mills, da Blue Origin, a missão mais recente reforça o objetivo de ampliar o acesso ao turismo espacial, que já havia levado a bordo outras pessoas com deficiência, como passageiros com deficiência auditiva. O recado é direto: o conceito de quem pode ir ao espaço está mudando, enquanto a ciência observa de perto cada novo cometa interestelar que passa pela nossa órbita.
3I/Atlas, o cometa interestelar que roubou a cena em 2025

Se o voo do New Shepard marcou o turismo espacial, o cometa 3I/Atlas foi apontado como o maior fenômeno astronômico de 2025. Terceiro visitante interestelar já identificado no nosso Sistema Solar, ele chamou atenção desde a descoberta, em julho, por causa de uma órbita hiperbólica de alta velocidade, o que indica que não está preso à gravidade do Sol e apenas atravessa nossa vizinhança antes de seguir viagem.
Estudos iniciais sugerem que o 3I/Atlas pode ter cerca de 7 bilhões de anos, possivelmente mais antigo que o próprio Sistema Solar. Só esse dado já seria suficiente para fazer dele um objeto especial na história do espaço e cometa interestelar, mas o comportamento do cometa adicionou camadas de mistério e debate entre os cientistas.
Boatos de tecnologia alienígena e resposta da comunidade científica
À medida que novas medições eram divulgadas, começaram a circular boatos de que o 3I/Atlas poderia ter origem tecnológica alienígena. A especulação se ancorava em dados reais, como a detecção de níquel atômico, mas a interpretação fugia do consenso científico.
A maioria dos especialistas rejeitou essa hipótese e a NASA descartou oficialmente a ideia de que o objeto fosse uma nave ou estrutura artificial. Em vez disso, o cometa passou a ser tratado como mais um capítulo complexo no estudo de corpos que vêm de fora do Sistema Solar, ajudando a entender como se formam e evoluem regiões distantes da nossa galáxia e como o espaço e cometa interestelar podem trazer pistas sobre essas áreas remotas.
Vulcões de gelo, anticauda e uma coma verde gigante
Conforme as observações avançaram, uma missão da NASA detectou dióxido de carbono na coma do cometa, a nuvem de gás que envolve o núcleo e se estende por cerca de 350 mil quilômetros. Essa coma exibiu um brilho esverdeado característico, visível em registros de telescópios, reforçando o interesse em sua composição.
Telescópios em solo registraram ainda uma anticauda apontada na direção do Sol, um tipo de cauda que parece ir ao contrário do esperado. Em vez de se estender para longe do astro, parte do material fica alinhada com a direção oposta à cauda principal, efeito ligado à interação entre poeira, gás e a luz solar. Esses comportamentos incomuns ajudaram a firmar o 3I/Atlas como caso de estudo raro em toda a história do espaço e cometa interestelar.
A hipótese dos vulcões de gelo e a polêmica sobre o que é o 3I/Atlas
Um dos estudos mais recentes sobre o 3I/Atlas propôs que sua superfície estaria coberta por vulcões de gelo ativos, os chamados criovulcões. A expulsão de material gelado, gases e poeira poderia explicar a aceleração não gravitacional observada, em que o cometa parecia ganhar impulso extra que não podia ser explicado apenas pela gravidade dos corpos do Sistema Solar.
Essa hipótese, porém, não passou sem contestação. Alguns pesquisadores levantaram a possibilidade de que o 3I/Atlas talvez não fosse um cometa clássico, mas um asteroide ou outro tipo de corpo com características incomuns. Apesar das dúvidas, a maioria dos cientistas continua vendo os vulcões de gelo como a explicação mais consistente, mantendo o 3I/Atlas no centro do debate sobre como se comportam corpos vindos de outras estrelas.
Sinais de rádio, raios X e a despedida do visitante interestelar
As observações mais recentes detectaram sinais de rádio emitidos pelo 3I/Atlas e, de forma inédita, emissões de raios X associadas ao objeto. Esse tipo de emissão não é o que se espera de um cometa comum e reforça a importância de acompanhar o fenômeno o máximo possível.
Depois de sua maior aproximação com a Terra, o cometa segue agora para fora do Sistema Solar, em uma trajetória que ainda pode ser levemente alterada ao passar próximo de Júpiter, algo previsto para acontecer em março. O monitoramento continua e cada nova leitura ajuda a compor um quadro mais completo sobre visitantes interestelares, ampliando nosso entendimento sobre o espaço e cometa interestelar que cruzam nossa órbita e revelam segredos da Via Láctea.
Na sua opinião, o que marca mais este momento histórico do espaço e cometa interestelar 3I/Atlas: a primeira pessoa em cadeira de rodas viajando para além da atmosfera ou um cometa ancestral deixando pistas misteriosas enquanto atravessa o nosso Sistema Solar?


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