Movimento estratégico encerra produção local, reposiciona operação comercial e integra país a modelo regional baseado em importação e distribuição, alinhado a plano global de eficiência da montadora japonesa na América Latina.
A Nissan confirmou que negocia a transferência de sua operação comercial na Argentina para o Grupo SIMPA e o Grupo Tagle, em mais uma etapa da reorganização regional iniciada após o encerramento da produção da Frontier em Córdoba.
A montadora japonesa informou que assinou um memorando de entendimento com os dois grupos empresariais para analisar a possível mudança para um modelo de distribuidor local, sem presença operacional direta da subsidiária argentina no país.
O acordo ainda não é definitivo.
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Segundo a empresa, a negociação está em fase de análise detalhada dos aspectos comerciais, jurídicos e operacionais antes de qualquer decisão final sobre a estrutura futura da marca no mercado argentino.
Nissan aposta em modelo de distribuição na Argentina
Pelo formato em discussão, a Argentina passaria a integrar uma operação baseada em importação e distribuição, semelhante à adotada pela Nissan em outros mercados latino-americanos dentro de sua estratégia de simplificação regional.

A companhia afirmou que suas atividades comerciais continuarão normalmente durante o processo, com venda de veículos, lançamentos previstos, atendimento ao consumidor, serviços de pós-venda e funcionamento da rede de concessionárias em todo o território argentino.
“As operações comerciais da Nissan na Argentina continuarão se desenvolvendo com normalidade, mantendo a comercialização de seu portfólio de produtos, o lançamento de novos modelos e a prestação dos serviços de atendimento e pós-venda”.
A marca também destacou que a assinatura do memorando não representa uma venda concluída, mas uma etapa formal de avaliação para definir se SIMPA e Tagle assumirão a representação comercial da Nissan no país.
Produção da Frontier chega ao fim em Córdoba
A mudança ocorre depois do encerramento da produção local da Nissan Frontier na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, onde a picape começou a ser fabricada em 2018 em uma linha compartilhada com a Renault.
O fim da produção foi anunciado em março de 2025, mas a última unidade da Frontier saiu da linha de montagem em 9 de outubro de 2025, encerrando sete anos de fabricação local da picape no país vizinho.
Com essa decisão, a Nissan deixou de atuar como fabricante na Argentina e passou a operar apenas com veículos importados, em um movimento que reduziu sua estrutura industrial antes da atual negociação comercial.
A Frontier vendida no mercado argentino passou a vir de fora, enquanto a planta de Santa Isabel permaneceu vinculada às operações da Renault, que manteve atividades industriais no complexo localizado na província de Córdoba.
Reestruturação global orienta mudança

A Nissan relacionou a mudança ao plano global Re:Nissan, programa de reestruturação voltado à competitividade, à revisão do portfólio e à busca por maior eficiência em mercados considerados estratégicos ou operados por distribuidores.
“Por meio do seu plano de reestruturação Re:Nissan, a companhia continua avançando no fortalecimento de sua competitividade, na otimização de seu portfólio de produtos e na incorporação de tecnologias de próxima geração”.
A empresa também disse que o objetivo é estabelecer bases para crescimento sustentável no futuro, sem detalhar prazos para concluir a análise com os grupos interessados nem informar possíveis impactos administrativos na Argentina.
Na América Latina, a reorganização já incluiu Chile e Peru, onde a Nissan fechou acordo com a Astara para assumir a distribuição oficial da marca nos dois mercados, em operação anunciada em janeiro de 2026.
Com essas mudanças, Chile e Peru passaram a seguir o modelo de importador, dentro de uma estrutura regional voltada a mercados sem operação direta da montadora e com gestão comercial feita por parceiros locais.
A Nissan afirmou que essa unidade de negócios reúne 36 mercados importadores da América Latina, enquanto a empresa mantém a estratégia de concentrar recursos, ajustar estruturas e preservar a presença comercial por meio de redes de distribuição.
Grupos SIMPA e Tagle entram na negociação
O Grupo SIMPA atua no setor automotivo e representa diferentes marcas na Argentina, enquanto o Grupo Tagle tem presença ligada à comercialização de veículos e operações de concessionárias no mercado local.
Caso a transição avance, os dois grupos poderão assumir a distribuição da Nissan em conjunto, mantendo a venda de modelos importados e a assistência aos clientes por meio da rede já existente no país.
Até a conclusão do processo, a montadora afirma que não haverá interrupção no atendimento aos consumidores argentinos, nem alteração imediata no funcionamento das concessionárias responsáveis por vendas, revisões, peças e serviços.
A decisão aprofunda uma mudança iniciada com o fim da produção da Frontier e reforça a saída da Nissan de uma estrutura industrial própria na Argentina, preservando a marca no país por meio de importação e distribuição.

Argentina já era. Conseguiu ficar ainda pior com Milei
O grupo whilpol já decidiu sair da Argentina semana passada e a NIssan é somente a primeira montadora a tomar essa decisão. As questões são menos políticas (incompetencia regional de governo na América Latina), mas questões economicas e estratégicas que estão moldando a América Latina. Somente mercados com estrutura (consumidores e infraestrutura) permanecerão ativos de produção e a questão da China se tornar cada vez mais um vetor de produção atumobilistica mundial. A NISSAN é uma empresa pequena como a MITSUBISHI, Dayhastu, RHINO e outras janponesas. Elas precisam se concentam aonde podem gerar lucro produzindo/distribuindo e vendendo. Alguem lembra que o Brasil tinha a Ford, a Troler e tabém corre o risco de perder produção de outras marcas se não for competitiva com as Marcas chinesas. Isso além da eletrificação que é uma mudança radical na estrutura produtiva. As fábricas são e serão cada vez mais diferentes com esses novos produtos.
Mentira, puro efeito MILEI. A conta chegou !!!
Os japoneses não são bestas, sabem que a Argentina está a beira do colapso econômico. Fecharam a fábrica antes do país implodir