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FGV Social revela: classe média brasileira pode estar superestimada

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 29/01/2026 às 13:17
Novo estudo sobre classes sociais e renda per capita muda o retrato da classe média e da mobilidade econômica no Brasil.
Foto: IA
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Novo estudo sobre classes sociais e renda per capita muda o retrato da classe média e da mobilidade econômica no Brasil.

Muitos brasileiros acreditam pertencer à classe média, mas essa percepção pode estar desatualizada.

Um novo estudo da FGV Social revelou mudanças significativas na forma de classificar as classes sociais no Brasil. O levantamento, divulgado em 2024, foi elaborado pelo economista Marcelo Neri e utiliza a renda per capita como critério central.

A proposta busca refletir, com mais precisão, a realidade econômica atual do país e explicar por que milhões de famílias mudaram de faixa social nos últimos anos. 

Logo de início, o estudo responde às principais perguntas: o que mudou, quem analisou, quando os dados foram consolidados, onde se aplica a metodologia, como as classes são definidas e por que a renda per capita passou a ser o ponto de partida.

A resposta está na transformação do perfil das famílias brasileiras e no impacto direto disso sobre a mobilidade econômica

Como o estudo redefine as classes sociais no Brasil 

A pesquisa “Evolução das Classes Econômicas Brasileiras: 1976 a 2024” atualiza a forma de enxergar as classes sociais ao considerar a renda domiciliar total ajustada pelo número de moradores e corrigida pela inflação oficial, o IPCA. 

Esse ajuste é fundamental.

Nas últimas décadas, o tamanho médio das famílias diminuiu de forma consistente.

Portanto, olhar apenas para a renda total da casa passou a gerar distorções, especialmente ao comparar diferentes períodos históricos. 

Assim, a FGV Social adotou um modelo que aproxima mais o conceito estatístico da realidade vivida pelas famílias brasileiras. 

Quanto é preciso ganhar para estar em cada classe social 

Com base em valores médios de 2023, o estudo estabelece faixas claras de renda domiciliar total para definir cada grupo social.

Esses números incluem salários, aposentadorias, benefícios sociais, aluguéis e outras fontes de rendimento. 

A Classe A: acima de R$ 14.191, Classe B: entre R$ 10.885 e R$ 14.191, Classe C (classe média): entre R$ 2.525 e R$ 10.885, Classe D: entre R$ 1.580 e R$ 2.525 e Classe E: até R$ 1.580. 

Embora esses valores sirvam como referência estatística, eles não consideram patrimônio acumulado nem diferenças regionais no custo de vida, como as existentes entre grandes capitais e cidades do interior. 

Classe média domina o país em 2024 

O dado mais relevante do levantamento é a consolidação da classe média como o maior grupo social do Brasil.

Em 2024, a classe C passou a concentrar 60,9% da população, tornando-se dominante no retrato socioeconômico nacional. 

Quando somadas as classes A, B e C — chamadas de “classe média ampliada” — o percentual chega a 78,1% da população, o maior nível desde o início da série histórica, em 1976. 

Esse movimento mostra uma mudança estrutural nas classes sociais, impulsionada principalmente pelo mercado de trabalho e pela ampliação do acesso à educação. 

Mobilidade econômica ganha força nos últimos anos 

Outro destaque do estudo é o avanço da mobilidade econômica. Entre 2022 e 2024, cerca de 17,4 milhões de brasileiros migraram para as classes A, B ou C. 

Ao mesmo tempo, as classes D e E, que representam a base da pirâmide social, recuaram para 21,8% da população, o menor patamar já registrado.

Isso indica que, apesar dos desafios econômicos, mais famílias conseguiram elevar sua renda. 

Esse movimento não ocorre de forma homogênea, mas aponta uma tendência positiva no médio prazo. 

Escolaridade segue como divisor de águas 

A pesquisa reforça que o nível de escolaridade continua sendo o principal fator de diferenciação entre as classes sociais.

Domicílios chefiados por pessoas com ensino superior completo têm probabilidade muito maior de integrar as classes A e B. 

Já famílias com menor escolaridade permanecem mais vulneráveis a oscilações econômicas, mesmo quando há aumento temporário de renda. 

Portanto, educação segue sendo o elemento estrutural mais relevante para a ascensão social sustentável. 

Por que a renda per capita é o critério mais justo 

FGV Social destaca que a renda per capita oferece uma leitura mais fiel do bem-estar econômico.

Uma casa com cinco moradores e renda total de R$ 3.000 enfrenta uma realidade muito diferente de alguém que mora sozinho e recebe o mesmo valor. 

Ao dividir a renda pelo número de pessoas, é possível comparar melhor condições de vida, padrões de consumo e acesso a oportunidades ao longo do tempo. 

Ainda assim, o estudo ressalta que renda não é o único fator.

A posição social também depende do acesso a serviços públicos, segurança financeira e perspectivas futuras. 

Um novo retrato das classes sociais brasileiras 

Em síntese, o levantamento mostra que o Brasil de 2024 é majoritariamente formado por classe média, com avanços importantes na mobilidade econômica e redução da base mais pobre.

Ao mesmo tempo, evidencia que a percepção individual nem sempre acompanha os dados reais. 

Entender essas mudanças ajuda a qualificar o debate público, orientar políticas sociais e ajustar expectativas sobre o verdadeiro lugar de cada família na estrutura das classes sociais brasileiras. 

Veja mais em: Você acha que é classe média, mas pode estar errado: novo estudo redefine as classes socioeconômicas no Brasil

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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