O registro de Eli from Russia percorre a ferrovia Transiberiana de Vladivostok até o Cáucaso, mostra a linha BAM aberta na terra congelada da Sibéria e explica por que atravessar 9.300 km de trilhos em 8 fusos virou um mês inteiro de viagem
Atravessar um país inteiro de trem, cruzando oito fusos horários sem sentir jet lag, é uma experiência que só um punhado de ferrovias no mundo oferece. Segundo o canal Eli from Russia, em registro publicado em janeiro de 2026, a viajante russa Eli percorreu a ferrovia Transiberiana partindo de Vladivostok, no extremo leste, num trajeto que levou exatamente um mês até chegar ao sul, na região do Cáucaso.
A escala da linha é o que impressiona. A ferrovia Transiberiana é a mais longa do mundo, com cerca de 9.300 km entre Moscou e Vladivostok e a travessia de 8 fusos horários, e é justamente esse tamanho que transforma a viagem completa num mês inteiro de trem, com paradas para explorar as cidades pelo caminho, conforme o Eli from Russia mostra. E essa linha gigantesca ainda tem uma irmã mais extrema aberta no gelo da Sibéria.
9.300 km e 8 fusos: a maior ferrovia do mundo
O número que abre a conta é a distância. Segundo o Eli from Russia, a ferrovia Transiberiana liga Moscou a Vladivostok por aproximadamente 9.300 km, o que a torna a mais longa do planeta, embora a viajante tenha feito um trajeto próprio, terminando no sudoeste em vez de Moscou.
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O tamanho muda a própria noção de viagem. Percorrer 8 fusos horários de trem faz o relógio recuar de hora em hora, de forma tão gradual que não existe o jet lag de um voo, e mesmo em paradas de só 40 a 50 minutos dá para descer, correr até o centro e conhecer a cidade antes do próximo trem, conforme o Eli from Russia descreve. É a diferença entre o trem como modo de vida e o avião como mero atalho, um traço que a ferrovia Transiberiana carrega para o passageiro russo.
A BAM, a irmã extrema cravada no permafrost

Ao lado da linha principal corre uma obra ainda mais ousada. Segundo o Eli from Russia, a viajante trocou por um trecho a ferrovia Transiberiana pela BAM, a Baikal-Amur Mainline, que corre por mais de 4.300 km pela Sibéria e pelo extremo leste, cerca de 700 km ao norte da linha principal e paralela a ela.
A razão de existir da BAM é geográfica e estratégica. A BAM foi construída nos anos 1970 e 1980 para abrir acesso a recursos e povoados que a ferrovia Transiberiana não alcançava e criar uma rota mais direta ao Pacífico, atravessando alguns dos terrenos mais duros da Sibéria, com zonas sísmicas, cadeias de montanhas e solo de permafrost, conforme o Eli from Russia registra. É essa combinação de terreno que fez da BAM um dos projetos ferroviários mais desafiadores e caros do mundo.
Um mês de viagem e 10.465 km de Vladivostok ao Cáucaso
O trajeto de Eli não foi o roteiro turístico padrão. Segundo o Eli from Russia, o objetivo era visitar as partes menos conhecidas da Rússia, aquelas que os turistas costumam pular, o que rendeu paradas em lugares como o Oblast Autônomo Judaico, criado em 1934 como projeto soviético e hoje com menos de 1% de população étnica judaica.
Cada parada virou uma aula de geografia e história. A viagem passou por regiões que mudam completamente de paisagem, do extremo leste à Sibéria, dos Montes Urais que dividem a Rússia entre Ásia e Europa até a estepe e as montanhas do Cáucaso, num percurso que a viajante resume como um mês inteiro em movimento pela ferrovia Transiberiana e suas ramificações, conforme o Eli from Russia conta. Até o deserto de Chara, apontado como o mais ao norte do mundo, entrou no caminho, provando a variedade extrema do território cortado pelos trilhos.
Por que no permafrost e nas zonas sísmicas a obra fica tão cara

Construir trilho sobre solo congelado é um pesadelo de engenharia. Segundo o Eli from Russia, é justamente o permafrost, junto das montanhas e das zonas sísmicas, que explica por que a BAM ficou tão cara e difícil, já que o chão que descongela e volta a congelar movimenta a fundação e ameaça a estabilidade da via.
O desafio técnico é permanente, não só da obra. Uma ferrovia cravada em permafrost exige fundações especiais para o solo não afundar quando o gelo derrete, e as zonas sísmicas obrigam a via a suportar tremores, dois problemas que encareceram a BAM muito além do custo de uma linha em terreno firme como boa parte da ferrovia Transiberiana, conforme o canal Eli from Russia no YouTube explica. Manter a linha funcionando no frio extremo é uma batalha que se repete a cada estação do ano.
O trem como modo de vida, não só de transporte
Na Rússia, o trem não é o último recurso, é o meio. Segundo o Eli from Russia, os trens vivem lotados porque são a forma de se locomover no país, e o companheiro americano que se juntou à viagem ficou impressionado com a pontualidade, comparável à da Suíça e do Japão, apesar da imensidão do território.
A vida a bordo tem cara de filme. No vagão de terceira classe, o platzkart, gente joga jogo de tabuleiro, cozinha, tricota e conversa por toda a viagem, enquanto o vagão de segunda, o coupé, oferece camas maiores e um restaurante a bordo, dois mundos que convivem dentro do mesmo trem da ferrovia Transiberiana, conforme o Eli from Russia mostra. É essa cultura de trem, mais do que a paisagem, que faz a viagem valer o mês inteiro que dura.
As paradas que revelam a Rússia menos vista
A graça do trajeto está no que fica fora do mapa turístico. Segundo o Eli from Russia, cidades como Korgan, que quase ninguém recomenda visitar, guardam surpresas, como um centro científico famoso por um método soviético de alongamento ósseo criado pelo médico Ilizarov, usado para tratar problemas ortopédicos complexos.
Cada região soma uma camada cultural à viagem. Do jornal local em hebraico no Oblast Judaico à bebida de leite de égua dos bashkires, passando pela arquitetura de madeira de Tomsk e pelos pilares de rocha do parque de Krasnoyarsk, a ferrovia Transiberiana funciona como um fio que costura dezenas de culturas num país só, conforme o Eli from Russia registra. É o tipo de descoberta que só aparece para quem desce do trem em vez de sobrevoar o país.
O que a Transiberiana ensina sobre ferrovia no Brasil
A pauta ecoa um velho debate brasileiro. O Brasil, de dimensões continentais parecidas em extensão, praticamente não tem transporte ferroviário de passageiros de longa distância, e grandes projetos como a Ferrovia Norte-Sul e a Transnordestina miram sobretudo a carga, num contraste direto com a malha de passageiros russa.
A comparação joga luz numa escolha de país. Enquanto a ferrovia Transiberiana move gente e mercadoria por 9.300 km e virou parte da identidade russa, o Brasil apostou no rodoviário e no aéreo para as distâncias longas, e as ferrovias em construção priorizam grãos e minério, um contexto de infraestrutura amplamente debatido no país, um paralelo notório para o leitor brasileiro. Da estepe siberiana ao cerrado, a lição é a mesma: ferrovia de longa distância é decisão estratégica de décadas, cara de construir e transformadora quando existe.
O vídeo percorre a ferrovia Transiberiana de Vladivostok ao Cáucaso, a linha BAM no permafrost, as paradas nas cidades menos visitadas e a vida dentro dos trens russos.
A travessia de um mês prova que a ferrovia Transiberiana é muito mais que trilho: é um país inteiro em movimento. Conta pra gente nos comentários: tu encararias um mês de trem para cruzar a Rússia de ponta a ponta?

