Robôs humanoides começam a assumir tarefas repetitivas em depósitos e fábricas, movimentando caixas e abastecendo linhas de produção em projetos piloto.
Por muitos anos, a automação industrial ficou restrita a braços robóticos instalados em pontos fixos das fábricas. Agora, uma nova geração de robôs humanoides começa a executar tarefas que antes dependiam exclusivamente de operadores responsáveis por movimentar caixas, abastecer linhas de produção e transportar materiais entre diferentes setores.
Segundo a Reuters, empresas de robótica dos Estados Unidos e da China vêm ampliando testes em ambientes industriais reais, utilizando robôs capazes de caminhar, carregar recipientes, empilhar produtos e realizar atividades repetitivas durante longos períodos. Embora a tecnologia ainda esteja em fase inicial de adoção, fabricantes afirmam que o foco atual está em funções consideradas cansativas, repetitivas ou com dificuldade de contratação, e não na substituição completa da mão de obra humana.
Os primeiros robôs estão trabalhando em depósitos e linhas de produção
Um dos exemplos mais avançados é o Digit, desenvolvido pela empresa norte-americana Agility Robotics. Segundo a companhia, o robô já está sendo utilizado em operações comerciais por empresas como Toyota, Schaeffler, GXO Logistics e Mercado Livre.
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Sua principal função consiste em transportar caixas e recipientes entre diferentes pontos dos centros logísticos, uma atividade repetitiva que normalmente exige caminhadas constantes durante toda a jornada de trabalho.
Ao utilizar uma estrutura semelhante à humana, o Digit consegue circular por corredores, utilizar portas e operar em instalações projetadas originalmente para pessoas, reduzindo a necessidade de modificar toda a infraestrutura existente.
Empresas chinesas também aceleram a corrida pelos robôs humanoides
Na China, fabricantes como a AgiBot passaram a testar robôs em linhas de produção de eletrônicos. Em junho de 2026, a empresa anunciou ter produzido seu robô humanoide de número 15 mil e afirmou que seus equipamentos já executam tarefas industriais em ambientes reais, principalmente na movimentação de peças, alimentação de máquinas e outras atividades repetitivas de manufatura.
Segundo William Shi, presidente da AgiBot para Europa e Américas, o objetivo da empresa é direcionar os robôs inicialmente para funções “perigosas, repetitivas e pouco desejadas”, especialmente na indústria.
A falta de trabalhadores impulsiona a automação
A adoção desses equipamentos também responde a mudanças demográficas. Nos Estados Unidos, por exemplo, havia mais de 400 mil vagas abertas na manufatura no fim de 2025, enquanto aproximadamente um quarto dos trabalhadores do setor tinha 55 anos ou mais.
Segundo a Agility Robotics, essa combinação de escassez de mão de obra e envelhecimento da população tem levado empresas a buscar soluções automatizadas para manter a produção funcionando. Na China, o governo também vem investindo fortemente no desenvolvimento da robótica humanoide como estratégia para enfrentar a redução gradual da população em idade ativa e aumentar a produtividade industrial.
Os robôs ainda não substituem completamente os operadores
Apesar dos avanços, especialistas alertam que a tecnologia continua apresentando limitações importantes. A Reuters destaca que os robôs humanoides ainda trabalham melhor em ambientes controlados e em tarefas previsíveis. Manipular objetos muito variados, lidar com situações inesperadas e executar atividades que exigem alta destreza continua sendo um desafio tecnológico.
Além disso, o número de robôs efetivamente em operação ainda é pequeno quando comparado ao tamanho da força de trabalho industrial global. Em 2025, apenas cerca de 12 mil robôs humanoides foram vendidos na China, muitos destinados a pesquisas e projetos piloto.
A tendência é automatizar tarefas específicas
Estudos recentes sobre robótica industrial apontam que a adoção dos humanoides deve ocorrer de forma gradual. Em vez de eliminar profissões inteiras, a tendência observada atualmente é substituir atividades específicas, como transportar caixas, abastecer linhas de produção, movimentar recipientes e executar operações repetitivas.
Enquanto isso, trabalhadores humanos permanecem responsáveis por supervisão, manutenção, programação, inspeção de qualidade e tarefas que exigem adaptação constante.
O trabalho industrial começa a mudar de perfil
A chegada dos robôs humanoides representa mais uma etapa da transformação da indústria. Assim como braços robóticos automatizaram parte das linhas de montagem nas últimas décadas, os novos equipamentos começam a assumir atividades que exigem mobilidade dentro de fábricas e centros logísticos.
Especialistas avaliam que essa mudança deverá ocorrer inicialmente nos trabalhos mais repetitivos e fisicamente desgastantes. A velocidade dessa transição dependerá de fatores como custo dos equipamentos, evolução da inteligência artificial, segurança operacional e retorno econômico para as empresas.

