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Peixe invasor vira ouro perigoso e país paga R$ 31,50 por kg para conter baiacu venenoso que pode atingir 13 kg, destrói redes, possui toxina letal e já teve mais de 103 toneladas capturadas

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 07/07/2026 às 16:30 Atualizado em 07/07/2026 às 16:39
Grécia paga pescadores para capturar baiacu invasor venenoso que destrói redes, ameaça ecossistemas e já rendeu 103 toneladas no Mediterrâneo.
Grécia paga pescadores para capturar baiacu invasor venenoso que destrói redes, ameaça ecossistemas e já rendeu 103 toneladas no Mediterrâneo.
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Recompensa por quilo capturado, toxina letal e prejuízos à pesca colocam o Lagocephalus sceleratus no centro de uma ofensiva no Mediterrâneo, onde governos tentam conter a expansão do baiacu invasor sem transformar o risco ambiental em ameaça ao turismo.

A Grécia passou a pagar pescadores profissionais pela captura do Lagocephalus sceleratus, um baiacu invasor e venenoso que avança pelo Mediterrâneo, danifica redes de pesca e preocupa comunidades costeiras, sobretudo em Creta e em outras ilhas afetadas pela espécie.

Pelo programa anunciado pelo governo grego, cada quilo entregue às autoridades rende 5,33 euros aos pescadores, em uma tentativa de reduzir prejuízos à pesca artesanal e conter a expansão de um animal que se tornou problema ambiental e econômico.

Conhecido em inglês como silver-cheeked toadfish, o peixe pertence à família dos baiacus e chama atenção pelos dentes fortes, pela mordida capaz de destruir equipamentos e pela presença de uma neurotoxina perigosa na pele e nos órgãos.

Segundo a Associated Press, essa substância pode provocar insuficiência cardíaca em seres humanos caso o animal seja consumido, motivo pelo qual os exemplares capturados não entram na cadeia alimentar e recebem destinação controlada pelas autoridades.

Baiacu invasor ameaça pesca no Mediterrâneo

Associada originalmente a águas tropicais, a espécie teria chegado ao Mediterrâneo pelo Canal de Suez, em deslocamento favorecido pelo aquecimento das águas e pela ausência de barreiras naturais suficientes em parte do Mediterrâneo oriental.

A pressão sobre a pesca costeira cresceu conforme o peixe se espalhou por áreas onde não encontra predadores relevantes, situação que ampliou os danos a embarcações pequenas e tornou a rotina no mar mais cara para pescadores locais.

Nas ilhas gregas, o impacto aparece principalmente nas redes, nos espinhéis e na perda de parte da captura que seria vendida, já que o baiacu ataca equipamentos e consome peixes de valor comercial antes do recolhimento.

Grécia paga pescadores para capturar baiacu invasor venenoso que destrói redes, ameaça ecossistemas e já rendeu 103 toneladas no Mediterrâneo.
Grécia paga pescadores para capturar baiacu invasor venenoso que destrói redes, ameaça ecossistemas e já rendeu 103 toneladas no Mediterrâneo.

O pescador Giorgos Kyriakakis, integrante de uma associação de Creta, relatou à emissora pública grega ERT que a rotina se tornou mais improdutiva e cara. “Chegou ao ponto de pescarmos um dia e passarmos os três dias seguintes consertando nossas redes”, afirmou.

Para reduzir esse prejuízo, o incentivo financeiro busca transformar uma perda recorrente em resposta organizada, com pagamento por quilo capturado e retirada dos exemplares de circulação antes que possam causar novos danos à atividade pesqueira.

Depois de recolhidos, os peixes serão congelados e posteriormente incinerados em instalações administradas por autoridades locais, procedimento adotado para evitar qualquer risco de consumo humano por causa da toxicidade associada ao animal.

Programa da Grécia mira ilhas mais afetadas

O ministro grego da Agricultura, Margaritis Schinas, afirmou que esta é a primeira medida do tipo adotada no país e indicou que a iniciativa começará pelas ilhas onde a presença do peixe já provoca impactos mais severos.

Conforme a necessidade, o programa poderá ser ampliado para outras águas gregas, especialmente em regiões costeiras onde pescadores artesanais dependem de saídas frequentes ao mar e enfrentam custos elevados com conserto de redes e reposição de equipamentos.

Embora o pagamento por quilo funcione como estímulo direto à captura, autoridades e especialistas evitam apresentar a medida como solução definitiva, já que a espécie tem alta capacidade de adaptação e presença consolidada em parte do Mediterrâneo.

O objetivo imediato é reduzir a pressão sobre a pesca, retirar exemplares das áreas mais afetadas e controlar parte da população removida, sem sugerir que o baiacu invasor será eliminado das águas gregas no curto prazo.

Chipre já retirou mais de 103 toneladas do mar

Experiência semelhante já ocorre em Chipre, onde um programa de subsídio retirou mais de 103 toneladas do baiacu invasor das águas do país desde o início da operação, em junho de 2024.

Grécia paga pescadores para capturar baiacu invasor venenoso que destrói redes, ameaça ecossistemas e já rendeu 103 toneladas no Mediterrâneo.
Grécia paga pescadores para capturar baiacu invasor venenoso que destrói redes, ameaça ecossistemas e já rendeu 103 toneladas no Mediterrâneo.

De acordo com o Cyprus Mail, o Departamento de Pesca informou que cerca de 103 mil quilos foram recolhidos no esquema cipriota, que paga 4,73 euros por quilo a pescadores elegíveis.

O programa conta com financiamento conjunto do fundo europeu de pesca e do governo de Chipre, além de previsão de funcionamento até o fim de 2029, como parte de uma estratégia prolongada de controle da espécie.

Até agora, as autoridades cipriotas informaram o pagamento de cerca de 487 mil euros aos participantes, em um modelo que reúne 11 grupos coletivos e representa aproximadamente 150 pescadores profissionais envolvidos na captura.

Ouvida pela emissora Sigma e citada pelo Cyprus Mail, a oficial de pesca Katerina Georgiou classificou o Lagocephalus sceleratus como uma das espécies exóticas invasoras mais importantes já estabelecidas no Mediterrâneo oriental.

A avaliação dela destaca dois fatores que ajudam a explicar a expansão do peixe: a adaptabilidade do animal a novas áreas e a falta de predadores naturais relevantes capazes de conter sua população de forma consistente.

Turismo nas ilhas gregas não tem alerta generalizado

Mesmo com a preocupação crescente entre pescadores, autoridades e entidades de Creta pediram cautela sobre o risco para banhistas, já que os peixes não foram avistados em áreas de banho de resorts das ilhas gregas.

Em comunicado citado pela Associated Press, 16 associações médicas e turísticas de Creta afirmaram que a presença desses animais no Mediterrâneo é conhecida há anos e não representa perigo “invisível” ou iminente para visitantes.

As entidades também disseram que predadores marinhos não ameaçam a segurança de moradores e turistas, embora a orientação de saúde pública continue voltada à prevenção diante de eventuais contatos em áreas costeiras.

Nesse sentido, a Cruz Vermelha Grega publicou alerta sobre o peixe, com protocolos de primeiros socorros para casos de mordidas com sangramento e advertência sobre a neurotoxina presente nos órgãos do animal.

A disputa contra o baiacu invasor revela como mudanças ambientais, pesca artesanal e segurança alimentar passaram a se cruzar no Mediterrâneo, obrigando governos a combinar compensação financeira, remoção controlada e comunicação pública cuidadosa.

Para os pescadores, cada quilo entregue significa alívio parcial diante dos prejuízos; para as autoridades, representa uma tentativa de frear um problema que já deixou de ser pontual nas águas do Mediterrâneo oriental.

Até que ponto pagar pela captura consegue controlar uma espécie invasora tão adaptável?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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