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Ferrovia brasileira construída por 9 mil homens em 1885 tem 70 km de trilhos sem cremalheira, 13 túneis escavados na mão, um viaduto que desafia a lógica e foi eleita entre as 10 mais bonitas do mundo.

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 04/02/2026 às 18:47
Viagem de trem Curitiba–Morretes cruza a Serra do Mar em 70 km, com túneis e viadutos históricos, e figura entre as ferrovias mais bonitas.
Viagem de trem Curitiba–Morretes cruza a Serra do Mar em 70 km, com túneis e viadutos históricos, e figura entre as ferrovias mais bonitas.
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Reconhecida no exterior, travessia de trem pela Serra do Mar combina Mata Atlântica, túneis e pontes históricas em um percurso entre Curitiba e Morretes.

O trem turístico que liga Curitiba a Morretes, no Paraná, percorre um dos trechos mais conhecidos da histórica Estrada de Ferro Paranaguá–Curitiba, obra do fim do século XIX que cruzou a Serra do Mar com curvas fechadas, túneis e pontes em meio à Mata Atlântica.

O roteiro, operado hoje pela Serra Verde Express, costuma durar cerca de quatro horas e meia e combina paisagem, patrimônio e engenharia em uma mesma viagem.

O reconhecimento internacional veio, entre outros registros, de uma lista do jornal britânico The Guardian que incluiu o trajeto como uma das 10 viagens ferroviárias destacadas em seleção publicada em abril de 2015, ao descrever a travessia pela floresta e a passagem por túneis e pontes sobre a serra.

Trem Curitiba–Morretes e a história da Estrada de Ferro Paranaguá–Curitiba

Embora o passeio turístico seja frequentemente associado ao eixo Curitiba–Morretes, a ferrovia completa liga Curitiba ao litoral, até Paranaguá, e tem pouco mais de 100 quilômetros de extensão, conforme diferentes registros técnicos e históricos.

Na prática, o roteiro mais vendido termina em Morretes, cidade que virou porta de entrada para quem quer descer a serra de trem e voltar por estrada.

A construção, iniciada em 1880 e concluída no início de 1885, mobilizou milhares de trabalhadores em condições consideradas difíceis para a época, em um traçado que precisou se adaptar ao relevo e à umidade da serra.

Um levantamento publicado pela Tribuna do Paraná menciona o emprego de nove mil pessoas entre brasileiros e estrangeiros durante a obra.

Ainda hoje, parte do fascínio do percurso vem do fato de ser uma ferrovia de aderência roda-trilho, sem um sistema de cremalheira, o que exige operação cuidadosa nas rampas e curvas.

Relatos técnicos sobre a circulação na região mencionam, inclusive, o uso de areia na via para ajudar na aderência em momentos específicos da operação.

Altitude, velocidade e tempo de viagem na descida da Serra do Mar

A mudança de altitude ajuda a explicar por que o trem precisa seguir em velocidade moderada.

Reportagem da Gazeta do Povo descreve a saída a 934,6 metros acima do nível do mar, em Curitiba, e a chegada a Morretes com cerca de 10,5 metros de altitude.

Como o traçado é sinuoso e a serra impõe limitações naturais, o tempo de viagem tende a ser mais longo do que a quilometragem poderia sugerir.

O próprio operador do passeio informa duração aproximada de 4h30, com possibilidade de variação por questões operacionais e de segurança.

Nesse tipo de ferrovia histórica, a cadência mais lenta não é só um detalhe turístico.

Ela faz parte do conjunto de segurança exigido para atravessar pontes, entrar e sair de túneis e contornar paredões, muitas vezes com o vale aberto logo ao lado dos trilhos.

Túneis e pontes do trajeto e o Viaduto do Carvalho

O trecho turístico ficou conhecido por atravessar 13 túneis e dezenas de estruturas suspensas.

No material do Serra Verde Express, o percurso é descrito com 13 túneis e 41 pontes ao longo do caminho entre Curitiba e Morretes.

Já fontes históricas sobre a estrada de ferro como um todo registram que a linha foi projetada com 14 túneis, mas que atualmente restam 13, além de cerca de 30 pontes e viadutos na extensão total.

A diferença, em geral, ocorre porque algumas contagens consideram apenas as principais obras de arte, enquanto outras incluem estruturas menores ao longo do traçado.

Entre os pontos mais lembrados está o Viaduto do Carvalho, também citado em textos internacionais sobre o passeio, onde a composição contorna uma curva sobre pilares e dá a impressão, para quem observa de dentro do vagão, de que o trem “paira” sobre o vazio antes de encaixar novamente no desenho da encosta.

O maior túnel costuma ser identificado como o de 457 metros, número repetido em registros históricos da ferrovia e associado ao conjunto de túneis abertos na montanha durante a construção do século XIX.

Operação compartilhada com trens de carga e impacto no horário

A ferrovia não funciona como um parque temático isolado.

Ela integra a malha que conecta o Porto de Paranaguá ao interior do Paraná e a outras rotas de escoamento, com circulação de trens de carga em operação diária.

Ao mesmo tempo, mantém o trem turístico como serviço regular voltado a visitantes.

Esse compartilhamento ajuda a entender paradas e ajustes ao longo do caminho.

Dependendo da programação do dia, o trem pode aguardar cruzamentos e liberações de via, o que altera o horário de chegada sem que isso represente, necessariamente, um problema no passeio.

Preços do bilhete, categorias e retorno por estrada

Os valores variam por data e por categoria de serviço, já que há desde bilhetes mais básicos até experiências com proposta premium.

Na página oficial de vendas, o bilhete de trem no trecho Curitiba–Morretes ou Morretes–Curitiba aparece “a partir de R$ 199,00”, enquanto pacotes combinados com traslado rodoviário são anunciados “a partir de R$ 445,00”.

Na logística do retorno, é comum que o visitante desça de trem e volte por estrada em vans ou ônibus, o que também aparece em pacotes oferecidos pela operadora.

Além de encurtar o tempo total do dia, a solução reduz a dependência de um segundo trajeto ferroviário, que pode estar sujeito a janelas operacionais e à circulação de carga.

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L. Loreny
L. Loreny
07/02/2026 00:12

Matéria legal, bom testo,elogios más não tem uma única foto real !? Lástima.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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