Reconhecida no exterior, travessia de trem pela Serra do Mar combina Mata Atlântica, túneis e pontes históricas em um percurso entre Curitiba e Morretes.
O trem turístico que liga Curitiba a Morretes, no Paraná, percorre um dos trechos mais conhecidos da histórica Estrada de Ferro Paranaguá–Curitiba, obra do fim do século XIX que cruzou a Serra do Mar com curvas fechadas, túneis e pontes em meio à Mata Atlântica.
O roteiro, operado hoje pela Serra Verde Express, costuma durar cerca de quatro horas e meia e combina paisagem, patrimônio e engenharia em uma mesma viagem.
O reconhecimento internacional veio, entre outros registros, de uma lista do jornal britânico The Guardian que incluiu o trajeto como uma das 10 viagens ferroviárias destacadas em seleção publicada em abril de 2015, ao descrever a travessia pela floresta e a passagem por túneis e pontes sobre a serra.
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Trem Curitiba–Morretes e a história da Estrada de Ferro Paranaguá–Curitiba
Embora o passeio turístico seja frequentemente associado ao eixo Curitiba–Morretes, a ferrovia completa liga Curitiba ao litoral, até Paranaguá, e tem pouco mais de 100 quilômetros de extensão, conforme diferentes registros técnicos e históricos.
Na prática, o roteiro mais vendido termina em Morretes, cidade que virou porta de entrada para quem quer descer a serra de trem e voltar por estrada.
A construção, iniciada em 1880 e concluída no início de 1885, mobilizou milhares de trabalhadores em condições consideradas difíceis para a época, em um traçado que precisou se adaptar ao relevo e à umidade da serra.
Um levantamento publicado pela Tribuna do Paraná menciona o emprego de nove mil pessoas entre brasileiros e estrangeiros durante a obra.
Ainda hoje, parte do fascínio do percurso vem do fato de ser uma ferrovia de aderência roda-trilho, sem um sistema de cremalheira, o que exige operação cuidadosa nas rampas e curvas.
Relatos técnicos sobre a circulação na região mencionam, inclusive, o uso de areia na via para ajudar na aderência em momentos específicos da operação.
Altitude, velocidade e tempo de viagem na descida da Serra do Mar
A mudança de altitude ajuda a explicar por que o trem precisa seguir em velocidade moderada.
Reportagem da Gazeta do Povo descreve a saída a 934,6 metros acima do nível do mar, em Curitiba, e a chegada a Morretes com cerca de 10,5 metros de altitude.
Como o traçado é sinuoso e a serra impõe limitações naturais, o tempo de viagem tende a ser mais longo do que a quilometragem poderia sugerir.
O próprio operador do passeio informa duração aproximada de 4h30, com possibilidade de variação por questões operacionais e de segurança.
Nesse tipo de ferrovia histórica, a cadência mais lenta não é só um detalhe turístico.
Ela faz parte do conjunto de segurança exigido para atravessar pontes, entrar e sair de túneis e contornar paredões, muitas vezes com o vale aberto logo ao lado dos trilhos.
Túneis e pontes do trajeto e o Viaduto do Carvalho
O trecho turístico ficou conhecido por atravessar 13 túneis e dezenas de estruturas suspensas.
No material do Serra Verde Express, o percurso é descrito com 13 túneis e 41 pontes ao longo do caminho entre Curitiba e Morretes.
Já fontes históricas sobre a estrada de ferro como um todo registram que a linha foi projetada com 14 túneis, mas que atualmente restam 13, além de cerca de 30 pontes e viadutos na extensão total.
A diferença, em geral, ocorre porque algumas contagens consideram apenas as principais obras de arte, enquanto outras incluem estruturas menores ao longo do traçado.
Entre os pontos mais lembrados está o Viaduto do Carvalho, também citado em textos internacionais sobre o passeio, onde a composição contorna uma curva sobre pilares e dá a impressão, para quem observa de dentro do vagão, de que o trem “paira” sobre o vazio antes de encaixar novamente no desenho da encosta.
O maior túnel costuma ser identificado como o de 457 metros, número repetido em registros históricos da ferrovia e associado ao conjunto de túneis abertos na montanha durante a construção do século XIX.
Operação compartilhada com trens de carga e impacto no horário
A ferrovia não funciona como um parque temático isolado.
Ela integra a malha que conecta o Porto de Paranaguá ao interior do Paraná e a outras rotas de escoamento, com circulação de trens de carga em operação diária.
Ao mesmo tempo, mantém o trem turístico como serviço regular voltado a visitantes.
Esse compartilhamento ajuda a entender paradas e ajustes ao longo do caminho.
Dependendo da programação do dia, o trem pode aguardar cruzamentos e liberações de via, o que altera o horário de chegada sem que isso represente, necessariamente, um problema no passeio.
Preços do bilhete, categorias e retorno por estrada
Os valores variam por data e por categoria de serviço, já que há desde bilhetes mais básicos até experiências com proposta premium.
Na página oficial de vendas, o bilhete de trem no trecho Curitiba–Morretes ou Morretes–Curitiba aparece “a partir de R$ 199,00”, enquanto pacotes combinados com traslado rodoviário são anunciados “a partir de R$ 445,00”.
Na logística do retorno, é comum que o visitante desça de trem e volte por estrada em vans ou ônibus, o que também aparece em pacotes oferecidos pela operadora.
Além de encurtar o tempo total do dia, a solução reduz a dependência de um segundo trajeto ferroviário, que pode estar sujeito a janelas operacionais e à circulação de carga.

Matéria legal, bom testo,elogios más não tem uma única foto real !? Lástima.